Leeds United, um regresso á Premier League pela porta do espetáculo

Após 16 anos longe do primeiro escalão do futebol inglês, na época transata, o Leeds United conseguiu a tão ambicionada subida à Premier League, pela mão do irreverente treinador argentino Marcelo Bielsa. Quando aceitou o convite do dono do clube, Andrea Radrizzani, para treinar no Championship, muitos analistas questionaram o treinador argentino mas a verdade é que nos últimos dois anos e meio, Bielsa colocou o Leeds a jogar um futebol atraente com princípios ofensivos e mais importante que tudo, devolveu o clube á primeira divisão. 

Nesta época de regresso, o Leeds tem-se mantido fiel aos princípios de jogo que traz de épocas anteriores, contribuindo muito para isso a manutenção de peças basilares da equipa desde o início da era Bielsa: o defesa Stuart Dallas, o médio-centro internacional inglês Kalvin Phillips, o experiente médio Pablo Hernandez, o extremo desequilibrador Jack Harrison e o melhor marcador da equipa nas últimas 3 temporadas, o avançado Patrick Bamford. O alto desempenho destes jogadores aliado á rápida adaptação das novas contratações para esta temporada, como Rodrigo, contratado por um valor recorde do clube ao Valencia e Raphinha, contratado ao Rennes por 18 milhões de euros, ajuda a explicar a campanha tranquila que o Leeds tem feito. 

Após 21 jornadas o Leeds encontra-se no 11º lugar com 29 pontos, mais 15 em relação ao Fulham, primeiro clube em zona de descida de divisão. Apesar de estar numa posição estável, se olharmos para as partidas já disputadas encontramos uma equipa capaz do melhor e do pior numa questão de dias. Por exemplo, na jornada 16, a equipa do norte de Inglaterra ganhou 5-0 ao West Brom  com uma exibição demolidora na primeira parte e depois perdeu 3-0 nos dois jogos seguintes, contra o Tottenham, na jornada seguinte da Premier League e mais surpreendentemente com o Crawley Town na terceira eliminatória da FA Cup.  

Desta forma, já se percebeu que o espetáculo é um elemento constante nos jogos desta equipa, sendo que as estatísticas apoiam este facto, apresentando o Leeds como o terceiro melhor ataque da liga com os mesmos 36 golos marcados do Chelsea, o que para uma equipa recém-promovida é uma estatística considerável. Ao mesmo tempo é a terceira pior defesa em conjunto com o Crystal Palace, com 38 golos sofridos, o que ajuda a explicar a inconsistência de resultados desta equipa que já leva 9 vitórias, mas também 10 derrotas, além de 2 empates. 

Estes resultados podem ser explicados pela insistência num futebol positivo por parte de Bielsa, seja contra que equipa forque assenta no controlo da posse da bola e numa variação posicional constante, tentando aproveitar os espaços criados por essa constante movimentação. Em papel, o Leeds costuma começar num 4-1-4-1 sendo que cada jogador tem de estar em alta rotação, de forma a garantir a superioridade numérica em cada zona do terreno sendo fulcral a polivalência de jogadores como Dallas, Ayling e Aliovski que no inicio da construção variam entre a ala e o centro do meio campo defensivo ou Rodrigo, mais á frente, que juntamente com um segundo médio centro procura arrastar os médios adversários para que Bamford venha receber mais atrás e que estes possam depois explorar as costas dos centrais descompensados e causar perigo. 

Num campeonato tão competitivo e recheado de talento como o inglês, o plano de jogo do Leeds é por vezes neutralizado,  através de uma linha de pressão que condiciona os laterias e o médio mais recuado causando inúmeras perdas de bola numa zona fulcral do terreno que ajudam a explicar porquê de a equipa ter sofrido 3 golos ou mais em 10 jogos esta época. Apesar desta inconsistência é indiscutível a elevação da qualidade do futebol jogado nesta edição da Premier League pela chegada do Leeds, bem como apresentou mais uma vez o “génio louco” de Marcelo Bielsa ao mundo do desporto-rei. 

 

Foto: Facebook Leeds United