Históricos: o mais imprevisível dos milagres

Muitos dos adeptos do desporto-rei habituaram-se a ver o todo poderoso Paris Saint-Germain dominar o campeonato francês. Uma equipa recheada de estrelas ao longo dos anos e que é sempre considerada como a favorita à conquista do mais prestigiado título do país, sem contar também com o resurgimento do clube nas competições europeias.

No entanto, houve um período na última década em que o vencedor da Ligue 1 não era totalmente previsível. Várias foram as equipas que, durante um curto espaço de tempo, aproveitaram o descalabro do Lyon e a instabilidade do reformulado PSG para deixarem a sua marca.

Bordéus e Lille são dois clubes históricos recordados pelas suas conquistas recentes e que deram a conhecer ao mundo talentos como Eden Hazard, por exemplo. Mas, nesse mesmo tempo, um conjunto modesto surpreendeu tudo e todos, antecipando até o conto de fadas do Leicester na Premier League por quatro anos.

Na edição desta semana do “Históricos” recordamos a equipa do pequeno Montpellier que superou todas as expectativas ao se tornar o principal destaque da época 2011-12.

Esta era uma equipa formada por jogadores pouco conhecidos pelo público no geral, embora tivesse ao seu serviço um reduzido conjunto de atletas que acabariam por dar um avultado lucro financeiro mais adiante.

As grandes estrelas deste elenco eram dois jovens promissores, conhecidos hoje em dia pelas suas passagens na Liga Inglesa. Estamos a referir-nos a Olivier Giroud e Rémy Cabella, na altura com 24 e 21 anos respetivamente.

Giroud era o avançado alvo, com um instinto assassino e uma capacidade de segurar a posse de bola acima da média. Já Cabella destacava-se pela sua criativiade técnica e visão de jogo, um jogador próximo do clássico número 10.

Com um plantel caracterizado pela mistura entre a experiência de um considerável número de veteranos e a irreverência da juventude, o Montpellier partiu para uma campanha notável com 25 vitórias, 7 empates e 6 derrotas. Este salto da mediocridade para a glória deveu-se muito à competência defensiva, sendo a melhor defesa do campeonato juntamente com o 8º classificado Toulouse ( 34 golos sofridos ).

Já o ataque foi o quarto melhor da liga, apenas superado pelo PSG , Lille e Lyon ( 2º, 3º e 4º classificados respetivamente ), muito graças a Giroud. O avançado francês foi o melhor marcador do campeonato com 21 golos, partilhando o prémio com Nênê do PSG.

Esta foi das épocas mais atípicas para os denominados clubes grandes. Saint-Étienne e Marselha terminaram fora dos lugares de acesso às competições europeias; Bordéus, Lyon e Lille ficaram com uma diferença de pontos demasiado elevado para o primeiro lugar e o PSG, principal favorito à conquista do troféu, deixou fugir a liderança nas últimas jornadas para o surpreendente Montpellier.

No final das contas, o clube do sul de França adicionou às duas Taças de França e o seu primeiro e único título da Ligue 1, tornando-se na imagem de um tempo distante em que o campeonato francês era dos mais mediáticos e competitivos da europa.

Fonte da imagem: Twitter @Curva_Football