O retrato das semifinais do Mundial de Clubes

A final do Campeonato do Mundo de Clubes, disputada no Qatar, irá opor o Tigres, campeão da América do Norte, Central e Caraíbas e o Bayern, campeão europeu. O jogo será disputado em Doha no dia 11 de fevereiro de 2021 às 18 horas. Para chegarem à final, o Tigres eliminou o Palmeiras, campeão sul-americano, e o Bayern o Al Ahly, campeão africano.

Palmeiras 0 – Tigres 1

Com a vitória contra o Palmeiras, o Tigres tornou-se o primeiro clube da CONCACAF a chegar à final do Mundial de Clubes.

Num jogo realizado dia 7 de fevereiro e bastante aguardado por muitos portugueses, fruto da presença de Abel Ferreira no banco do Verdão, o clube mexicano foi superior, teve maior volume de jogo durante a maioria dos 90 minutos e criou bastantes oportunidades. O jogo acabou 1-0 e o único golo da partida foi marcado por Gignac de penalti, a castigar uma falta de Luan sobre Carlos González.

No seu 4-4-2 habitual o Tigres conseguiu dominar o encontro. Um dos maiores destaques na partida foi a parceria entre Rafael Carioca e Guido Pizarro no meio campo, ambos capazes de gerir o ritmo do jogo. Gignac teve um jogo que vai muito além do golo, saindo muitas vezes da área para receber a bola de costas para a baliza e ligar jogo. Quinones, quando jogou a partir da esquerda soube aproveitar o espaço entre o 3º central – Marcos Rocha – e o ala direito – o jovem Gabriel Menino. Esta foi de facto uma das zonas mais bem aproveitadas pela equipa do Tigres. Por diversas vezes Luis Rodriguez conseguiu fazer cruzamentos de qualidade para o espaço entre Marcos Rocha e Gabriel Menino que, devido à baixa estatura tiverem bastante dificuldade na defesa destas bolas aéreas.

Com uma abordagem tática ineficaz, o destaque individual do Palmeiras foi o guarda-redes Weverton. Com 3 intervenções decisivas e de alta qualidade, o guarda-redes brasileiro foi o principal responsável por manter o jogo em aberto até ao fim e por impedir um resultado mais dilatado. Roni foi o mais inconformado dos jogadores do Palmeiras e também o responsável pela melhor oportunidade – e único remate à baliza – do clube brasileiro.

Al Ahly 0 – Bayern 2

Após uma viagem atribulada, na qual a equipa alemã teve de dormir no avião depois de ter sido impedida de sair de Berlim por ter ultrapassado o tempo limite de descolagem, o Bayern derrotou o Al Ahly e apurou-se para a final do Mundial de Clubes.

Num jogo de sentido único, o Bayern de Munique começou forte, remetendo o Al Ahly ao último terço de terreno. Com os passes a serem trocados a alta velocidade e com uma forte projeção da equipa alemã, o domínio alemão foi evidente ao longo da primeira parte. Lewandowski fez o primeiro golo do jogo aos 17 minutos, golo único numa primeira parte avassaladora da turma de Hansi Flick. Já a 2ª parte foi jogada a um ritmo menor, com o Bayern a baixar o bloco, a suavizar a pressão e a colocar menos jogadores na frente. O ponta de lança polaco viria a bisar já no fim da partida, fazendo assim o 0-2 final.

Do lado do Bayern, o destaque vai para Kimmich. Em dia de aniversário, o médio alemão fez mais uma grande partida, funcionando como um pêndulo no meio campo por onde passam todas as bolas. Lewandowski destacou-se novamente pela veia goleadora já característica e Coman foi dos mais desequilibradores da turma germânica.

O Al Ahly foi, como era previsível, uma equipa a defender durante todo o encontro. Quando conseguia recuperar a bola não conseguia geralmente lançar-se para o ataque, sendo engolida pela pressão do Bayern. As poucas incursões no ataque da equipa egípcia resultavam de ações individuais dos homens da frente – principalmente de Taher e de Kahraba, antigo jogador do Desportivo das Aves – que conseguiam galgar terreno através do drible. É importante destacar também o bom jogo, quer do ponto de vista defensivo, quer do ponto de vista ofensivo do lateral direito Hany

O que esperar da final

Com esta conjugação de resultados, Bayern e Tigres defrontam-se na quinta-feira, dia 11 de fevereiro às 18 horas. Embora o Bayern parta como claro favorito, o Tigres é uma equipa taticamente evoluída e tecnicamente com jogadores que fazem a diferença e pode surpreender. Ainda que qualquer resultado que não seja a vitória do Bayern seja uma surpresa, o futebol é um desporto único e decidido dentro de campo, e se o favoritismo no papel não ganha jogos, muito menos ganha títulos.

 

Fonte da imagem: Twitter @FCBayern