Gil Vicente 1-2 Sporting: Capitão Coates salva Sporting apagado

O Gil Vicente recebeu em Barcelos o Sporting para uma partida a contar para a 18ª jornada da Primeira Liga Portuguesa. Os “Leões” ganharam, cortesia de dois golos perto do fim.

O Sporting procurava aumentar a sua vantagem no topo do campeonato quando se deslocou a Barcelos para defrontar o Gil Vicente, numa partida a contar para a 18ª jornada da Primeira Liga Portuguesa.

O Sporting entrava na partida com um recorde de 4 vitórias e 1 empate nos últimos 5 jogos, incluindo duas vitórias na Madeira contra Nacional e Marítimo respetivamente e a primeira vitória em casa contra o Benfica para a liga desde a época 12/13. Com uma vitória, podia aumentar a distância para o segundo classificado a um recorde de 8 pontos – a maior vantagem do clube para a liga neste século.

Por sua vez, o Gil Vicente encontrava-se em pior forma – com 4 derrotas em 5 dos últimos jogos para o campeonato – mas com a vantagem de vir de uma vitória fora sobre o Boavista – um jogo que valeu 6 pontos, tendo em conta que ambas as equipas estão a lutar para evitar a despromoção este ano. Com uma vitória, o clube de Barcelos conseguiria subir até ao 10º lugar, criando uma distância de 5 pontos da linha de água.

O Sporting apresentou-se no clássico 3-4-3 que Amorim popularizou nos Leões ao longo da época. Adán foi o homem entre os postes, enquanto Feddal, Coates e Luis Neto dividiram as responsabilidades defensivas. Pedro Porro e Antunes partilharam a ala direita e esquerda respetivamente e o trio de ataque foi constituído por Pedro Gonçalves, o recém-contratado Paulinho e Nuno Santos.

Do outro lado, o Gil Vicente entrou em campo num sistema de 5-4-1. O Brasileiro Denis começou na baliza, a linha de 5 defesas foi composta por Joel Pereira na ala direita, João Talocha com o capitão Rúben Fernandes e Rodrigão a centrais e finalmente Henrique Gomes a lateral esquerdo. No meio campo, uma linha de 4 com o Luso-Senegalês Yves Baraye e o Japonês Kenya Fujimoto nas alas, apoiados no centro por um duplo pivot de Claude Gonçalves e Lucas Mineiro. Por fim, como avançado solitário, o melhor marcador do Gil esta época – com 4 golos em 16 jogos – Samuel Lino.

Os “Leões” entraram forte no jogo, com uma bola parada no primeiro minuto a causar perigo, com o remate de Coates a sair ao lado. O Gil Vicente mostrou logo uma forte vontade de pressionar o meio-campo do Sporting, de forma a condicionar a circulação de bola rápida do conjunto leonino. No minuto 6, a pressão mostrou furtos – com um passe erróneo de Porro a ser recuperado rapidamente por parte do Gil, levando a um cruzamento que não foi aproveitado pelo conjunto de Barcelos.

Aos 11 minutos, Matheus Nunes obrigou a uma excelente defesa de reflexo ao guarda-redes Denis, que se conseguiu baixar a tempo para segurar o remate com o seu antebraço. Pouco depois, um ataque perigoso do Gil viu Yves Baraye fintar Coates, antes de cair na área após um corte de Antunes. O conjunto de Barcelos pediu penalty e o jogador ficou no chão, mas as repetições mostraram que o corte foi limpo.

Aos 22 minutos, Joel Pereira lançou o avançado Samuel Lino na ala direita, pela profundidade. O Brasileiro conseguiu o domínio e, face a Coates, optou por cortar para dentro, antes de tentar o remate à entrada da área. Passou rasteiro, mas inofensivo, ao lado da baliza de Adán. Apenas um minuto depois, Nuno Santos recuperou um ressalto à baliza do Gil, tentando a resposta. O remate saiu como o de Samuel Lino – rasteiro e com boas intenções, mas inofensivo, saindo pelo lado esquerdo da baliza de Denis.

Aos 25 minutos, Palhinha foi vítima da pressão do Gil – com um mau passe a ser intercetado por Samuel Lino que passou a Fujimoto. O extremo Vicentino fez um bom movimento e rematou fora de área, obrigando a uma excelente defesa de Adán, que viu a recarga de Baraye passar ao lado do poste direito da sua baliza.

Perto da meia hora, um livre indireto de Antunes passou pela defesa toda do Gil Vicente, antes de bater no ombro de Henrique Gomes e forçar outra boa defesa por parte de Denis, que afastou a bola para canto. Na oportunidade seguinte, o cabeceamento de Coates foi defendido facilmente.

Aos 33 minutos Pedro Porro recebeu um passe de Luís Neto na ala, ganhou a posição e cortou para dentro, passando por 3 jogadores do Gil antes de tentar o remate com a parte de dentro do pé direito. Infelizmente para o lateral Espanhol, a bola passou ao lado da baliza do guarda-redes Vicentino.

Aos 37 minutos, uma boa jogada de equipa do Gil levou a um cruzamento de Claude Gonçalves, que conseguiu encontrar Kanya Fujimoto completamente livre no segundo poste. O extremo Japonês bateu a armadilha de fora-de-jogo e rematou de primeira. Adán ainda conseguiu tocar na bola, mas não fez o suficiente para a impedir de entrar. 1-0 Gil.

Antes do intervalo começou a chover com força no Estádio Cidade de Barcelos, o que causou problemas para ambas as equipas, com jogadores a escorregarem e uma maior dificuldade em circular a bola.

Ao intervalo, de forma a tentar inverter a pobre exibição da equipa lisboeta, Rúben Amorim fez entrar Gonçalo Inácio para o lugar de Luís Neto e Tiago Tomás para o lugar de Antunes – com Nuno Santos a ocupar a posição de médio-ala, enquanto Tiago Tomás se juntava a Paulinho e Pedro Gonçalves no ataque. Depois de um início de segunda parte pouco promissor para o Sporting, Daniel Bragança – um médio mais criativo, com uma maior qualidade de passe, capaz de desbloquear jogos semelhantes – ocupou o lugar de Matheus Nunes.

Logo instantaneamente a mudança deu frutos – Bragança ganhou um duelo físico com Claude Gonçalves e meteu um bom passe para Porro. O Espanhol cruzou de primeira, mas o remate na passada de Pedro Gonçalves passou muito longe da baliza do Gil.

O Gil Vicente mostrou-se menos recetivo a pressionar a saída de bola do Sporting, permitindo uma maior liberdade aos médios e defesas leoninos, enquanto se focava mais em defender num bloco baixo e compacto de forma a manter a pequena vantagem que tinha. Vantagem essa que podia ter sido extinta aos 58 minutos, com um cabeceamento de Coates a parar ao segundo poste, onde Tiago Tomás apareceu, não conseguindo guiar a bola para dentro da baliza.

O Sporting continuou a crescer na partida e um cruzamento de qualidade de Pedro Gonçalves chegou à cabeça de Paulinho – mas a “tolada” do ponta de lança não foi na direção da baliza adversária.

Aos 64 minutos, após uma excelente bola de Gonçalo Inácio para a área, Paulinho consegue o ressalto e cai na área. A equipa Sportinguista reclama penalty, mas o jogo prossegue como normal. Logo a seguir, o Gil Vicente fez duas substituições – a entrada de Paulinho por Joel Pereira e a entrada de Lourency por Yves Baraye. Pouco tempo depois, saiu o marcador Kenya Fujimoto, para ser rendido por Pedrinho.

A segunda parte ficou marcada por uma série de cruzamentos por parte do Sporting – com uma defesa do Gil a jogar em bloco baixo e a fechar-se bem, tornou-se difícil para os Leões construir pelo meio, necessitando de apostar na profundidade e nas bolas na área para tentar criar perigo.

A 15 minutos do fim da partida, João Mário entrou por João Palhinha e deu-se uma estreia no clube Lisboeta – com a entrada de Matheus Reis por Feddal. Com a entrada de Matheus Reis (normalmente um lateral) para a posição de central esquerdo, tornou-se óbvia a intenção de Amorim – dois centrais com bons atributos ofensivos (Gonçalo Inácio e Matheus Reis) a subirem com os laterais, de forma a tentarem dar um maior dinamismo ao ataque – enquanto Coates ficava na linha do meio campo a circular a posse.

Aos 80 minutos, um cruzamento de Nuno Santos encontrou a cabeça de Paulinho, que cabeceou contra a cara de Rúben Fernandes. Na recarga, o remate de Pedro Gonçalves passou muito por cima da barra. Logo na jogada seguinte, Tiago Tomás foi até à linha e cruzou – com Denis a ser obrigado a socar para canto. No canto que se seguiu, evitou o empate através de um excelente cabeceamento de Paulinho.

E finalmente aos 82, veio o empate – talvez da forma menos esperada. O cruzamento de Pedro Porro foi intercetado por Talocha, e à entrada da área encontrava-se o central Sebastian Coates. Rematando de primeira, apesar de não acertar completamente na bola, consegue colocá-la no canto inferior direito – fora do alcance de Denis. 1-1.

O Gil Vicente esgotou as suas substituições logo depois do golo – com as entradas de João Afonso e de Boubacar Hanne. Logo a seguir, Nuno Santos vai até à linha e tenta o cruzamento – a bola passa rasteira perto de todos os avançados, mas ninguém consegue o toque final.

Logo após a subida da placa que anunciava os 5 minutos de compensação, Pedro Porro bate um livre indireto do lado esquerdo. A bola passa por toda a defesa até acabar na cabeça de Sebastian Coates – que faz o seu segundo golo do jogo ao cabecear a redondinha entre as pernas de Denis, traído pela trajetória da bola. 1-2 Sporting.

E foi assim que o resultado ficou. O Sporting não foi necessariamente a melhor equipa durante grandes partes do jogo – na primeira parte viu se com dificuldades em aguentar a pressão da linha da frente do Gil Vicente e na segunda não conseguiu quebrar a linha defensiva do conjunto de Barcelos de meios tradicionais – com ambos os golos a surgirem de ressaltos ou lances de bola parada.

Apesar do Gil se mostrar bastante competente no contra-ataque e ter conseguido jogar contra o Sporting de forma direta na primeira parte, apostando na profundidade e na pressão, não mantive a mesma energia na segunda parte – focando-se só em segurar o resultado – e não fosse por uma monstruosa exibição de Denis, a vitória Sportinguista teria sido muito mais acentuada e tão perto do final.

Os dois melhores jogadores acabam por ser óbvios para ambos os lados – Denis para o Gil Vicente e Coates para o Sporting – mas é preciso ter em conta a excelente exibição de Daniel Bragança, que apesar de não estar envolvido em nenhum dos golos trouxe uma criatividade e qualidade ao meio campo Sportinguista que bem precisava – especialmente quando teve dificuldades em quebrar as linhas defensivas do Gil na segunda parte – e de Kanya Fujimoto no Gil, muito forte no contra ataque, quase sempre a tomar a decisão correta e com uma boa qualidade de movimentos, seja interior ou exterior, com bola ou sem bola.

Com esta vitória o Sporting consegue aumentar a distância para o segundo classificado, ficando assim 8 pontos à frente do FC Porto. Por sua vez, o Gil Vicente continua em 14º lugar, com os mesmos pontos que o 15º (Portimonense) e apenas 2 pontos acima da linha de água.

Fonte da Imagem: AFP

Nuno Tavares

No dia 15 de Março de 2012 tive o prazer de ver o Sporting a eliminar o Manchester City e pensei "isto do futebol é giro, gosto". A partir daí nunca mais consegui parar. Sportinguista (e Borusse) de nascença. Fã de Futebol Alemão e Espanhol. Licenciatura em Ciências da Comunicação no ISMAI.