Dois golos, duas expulsões e muita polémica num novo empate entre SC Braga e FC Porto

Três dias depois, minhotos e portistas voltaram-se a encontrar, mas num contexto diferente. O SC Braga recebeu o FC Porto na primeira mão de um embate respetivo às meias-finais da Taça de Portugal. O jogo terminou com um empate a uma bola selado por Fransérgio nos últimos instantes da partida, após o FC Porto ter inaugurado o marcador por Taremi na primeira parte e visto Luis Díaz e Matheus Uribe serem expulsos no segundo tempo.

O SC Braga entrou em campo com um onze com: Matheus entre os postes; David Carmo e Tormena no centro da defesa; Ricardo Esgaio e Nuno Sequeira nas laterais; Fransérgio e Al Musrati no meio campo; Lucas Piazón e Galeno como extremos e Ricardo Horta e Andraž Šporar no ataque minhoto.

O FC Porto levou a jogo um onze com: Diogo Costa na baliza; Chancel Mbemba e Pepe no centro da defesa; Wilson Manafá e Malang Sarr nas laterais; Sérgio Oliveira e Matheus Uribe no meio campo; Luis Díaz e Fábio Vieira como extremos e Moussa Marega junto de Mehdi Taremi no ataque portista.

O jogo iniciou-se a um ritmo muito elevado, com ambas as turmas a exercerem uma pressão alta sobre os seus adversários. A primeira ocasião de perigo ocorreu logo aos cinco minutos de jogo, altura em que Sérgio Oliveira cobrou um livre direto com um remate potente que, apesar de ter ido à figura, obrigou Matheus a defender em esforço. O conjunto portista era, pois, quem mostrava mais vontade de controlar a partida e a posse de bola na fase inicial do encontro e aos nove minutos, Matheus e Taremi protagonizaram um lance que deixou todos os que assistiam ao jogo de boca aberta. Manafá lançou um passe longo na direção do ataque portista e o guardião bracarense não teve qualquer dúvida em sair para cortar a bola, que se encontrava à entrada da sua área. O problema foi que o seu corte de cabeça, deficiente e sem qualquer ímpeto, transformou-se numa assistência para os pés de Taremi, que não se fez rogado e rematou um chapéu que só terminou no fundo das redes minhotas. Marcador inaugurado para o FC Porto e o 14º golo oficial do iraniano com a camisola azul e branca.

O SC Braga procurou reagir de forma imediata ao golo sofrido e por pouco não o conseguiu. Esgaio, na ala direita, armou um cruzamento que vinha direto a Galeno, situado entre os centrais portistas, mas Mbemba antecipou-se com mérito à bola e cortou o perigo. Após o golo de Taremi, o ritmo da partida baixou bastante, com os visitantes a tentarem manter a partida controlada, servindo-se de combinações entre os extremos e Taremi para tentar, a tempos, dilatar a sua vantagem e com o Braga a tentar encontrar espaços para furar a defensiva adversária através de ataques organizados e, desta forma, anular a vantagem portista.

Fonte da imagem: Twitter @playmaker_PT

A estratégia portista era, pois, aquela que estava a dar mais frutos. Aos 27´, Fábio Vieira ameaçou dois remates quase seguidos na direção da baliza de Matheus, mas o primeiro foi desviado para canto e o segundo acabou nas luvas do guardião brasileiro. Aos 31´, Taremi quase consolidou o bis, após uma tabela com Fábio Vieira dentro da área do SC Braga que acabou com o iraniano a conseguir colocar-se frente a frente com Matheus, mas uma defesa atenta do guarda-redes impediu o segundo golo do avançado. Apesar das insistências minhotas, repletas de crença e pormenores técnicos de qualidade (destaque para um passe de trivela de Esgaio) alguma falta de clarividência impediu ocasiões de perigo relevantes para o conjunto orientado por Carlos Carvalhal até ao apito para o intervalo.

Na segunda parte, o SC Braga entrou com tudo e Šporar também. O esloveno esteve perto de marcar por duas ocasiões, mas se na primeira vez foi um corte de Sarr que impediu um possível golo, na segunda foi o seu remate que saiu ligeiramente à direita do poste de Diogo Costa. Após o perigo bracarense, o FC Porto mostrou uma organização defensiva notável, não abrindo mais espaços para os homens mais ofensivos do SC Braga criarem mais ocasiões de perigo até à marca da hora de jogo, mesmo tendo de abdicar em investir em processos ofensivos. Os homens de Sérgio Conceição demonstravam uma maturidade assinalável, compreendendo que a altura do jogo pedia um retrair de ações e uma solidariedade entre colegas de equipa, de forma a que não acontecessem erros suscetíveis de golo.

Carlos Carvalhal, de forma a combater a estratégia portista, levou a jogo André Horta, Nico Gaitán e Cristián Borja para os lugares de Galeno, Lucas Piazón (partida muito escondida do brasileiro) e Nuno Sequeira, com vista a uma maior frescura no ataque minhoto. Ainda antes da entrada de João Mário no conjunto da Invicta, Luis Díaz arrancou em velocidade pelo corredor esquerdo, passando por Esgaio e fez um remate que obrigou a uma defesa difícil de Matheus. David Carmo, que tentou impedir o lance do colombiano, acabou muito maltratado após Luis Díaz pisar o central, sem intenção, na sequência do seu remate, tendo sido obrigado a sair de ambulância do Estádio da Pedreira. Numa decisão questionável e muito contestada pelo conjunto portista, Luis Díaz acabou expulso pelo árbitro Luís Godinho com um vermelho direto devido ao lance.

Fonte da imagem de capa: Twitter @B24PT

Se já antes de ficar reduzido a dez jogadores o FC Porto mostrava uma postura mais defensiva e organizada, de forma a preservar a sua vantagem, depois da mesma essa estratégia ganhou ainda mais força. O SC Braga ficou dono e senhor da posse de bola e procurava a todo custo chegar, pelo menos, à igualdade no marcador. Aos 78´, Abel Ruiz entrou para o lugar de Ricardo Horta nos bracarenses, com Carvalhal a “meter a carne toda no assador”. Já Conceição respondeu com a entrada de Loum e Grujić para a saída de Sérgio Oliveira e Marega (que fez uma nova exibição desinspirada), de forma a manter coesão e trazer algum pulmão à sua equipa, que estando em desigualdade numérica, bem o precisava. O SC Braga continuava a fazer pressão ofensiva e a tentar servir-se de cruzamentos para forçar ocasiões de golo, com destaque para Fransérgio que, aos 84´, cabeceou uma bola vinda de Borja que passou ligeiramente por cima da barra da baliza portista. A defesa portista, comandada por Pepe (que fez inúmeros cortes fundamentais nos 12 minutos da compensação dos 90´), continuou a afastar o perigo dos homens do Minho, que demonstravam alguma falta de eficácia nas suas investidas ofensivas.

Fonte da imagem: Twitter @SC_ESPN

Aos 90+7´, sucede uma atitude lamentável de Matheus Uribe que levou à sua imediata expulsão. Na disputa de um lance com André Horta, Uribe acabou por se desentender com o médio e ainda com Esgaio, que acabou por receber uma cabeçada do jogador portista, sendo prontamente apresentada a cartolina vermelha do juiz da partida ao colombiano. Reduzido a nove elementos, o FC Porto recebeu ainda uma outra razão para lamentar. Šporar recebeu um cruzamento vindo de Gaitán e cabeceou ao poste esquerdo da baliza, sobrando a bola para Fransérgio que selou o empate na Pedreira aos 90+11´, numa fase final que ficou mais marcada pelos ânimos elevados do que pelo desporto praticado.

Finalizada a polémica partida, o FC Porto saiu do Estádio Municipal de Braga com uma vantagem na meia-final devido ao golo fora que conseguiu apontar. No entanto, tudo se mantém em aberto e só a segunda mão, que será jogada no próximo dia três de março no Estádio do Dragão, irá decidir quem passará à final da prova-rainha.

Fonte da imagem de capa: Twitter @CabineSport

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.