Quem te viu e quem te vê… Seydou Doumbia

Formado na Costa do Marfim, consolidado no Japão e revelado na Suíça. São já nove os países em que Seydou Doumbia jogou, entre os quais surge até uma passagem pela Premier League de Inglaterra. Atingiu o seu pico na Rússia, mas, desde então, nunca mais foi o mesmo. O que aconteceu a Seydou Doumbia e por onde anda o africano?

Nasceu na noite de passagem de ano, a 31 de dezembro de 1987. O rapaz natural da capital costa marfinense, Yamoussoukro, começou, naturalmente, por jogar futebol no seu país, representando três clubes antes de rumar ao estrangeiro.

De saída da Costa do Marfim, não fez a coisa por menos, viajando mais de 13 000 km até ao Japão. Atuou na segunda divisão nipónica, numa altura em que o futebol profissional era ainda uma realidade relativamente recente no país. Passou por dois clubes em três anos: Kashima Reysol e Tokushima Vortis.

Em 2008 acabaria por ingressar no futebol europeu, pela porta dos Young Boys, da Suíça. Na época de estreia foi absolutamente devastador, conseguindo 25 golos em 40 jogos para todos os campeonatos, no mesmo ano em que se estreou nas competições europeias (Liga Europa) e na seleção nacional, jogando a qualificação para o Mundial 2010, competição para a qual ainda teve o direito de somar minutos, diante da Coreia do Norte.

Seguiu-se uma segunda temporada também muito bem conseguida. O culminar destes dois anos de sucesso individual foi uma mudança para a Rússia. O CSKA de Moscovo passaria a ser a sua casa ao longo dos seis anos seguintes. Ao terceiro, em 2011/12, atingiu o seu recorde pessoal até hoje, somando 4228 minutos (51 jogos) e 33 remates certeiros. Nesse mesmo ano (2012), acabou também por ser convocado para a CAN, na qual contribuiu com duas atuações, uma delas diante de Angola.

Outros três anos se seguiram em solo russo e, pelo caminho, Doumbia arrecadou três campeonatos nacionais, duas Taças da Rússia e uma Supertaça. Estreou-se ainda a marcar em jogos oficiais pela seleção, na qualificação para a CAN 2015, competição que a Costa do Marfim viria a vencer.

Em 2014/15 muda-se para a Roma, no mercado de inverno, onde começou a perder espaço, gradualmente. Tal facto foi consumado quando, no ano seguinte, acabou emprestado, imagine-se, ao CSKA, onde rapidamente recuperou a primazia e a forma, em mais um ano recheado de boas exibições, nomeadamente na Liga dos Campeões, cuja caminhada começou com a eliminação do Sporting, no polémico play-off de acesso à fase de grupos, em que Doumbia apontou dois golos à equipa que, mais tarde, viria a representar.

O ponta de lança parecia ter atingido o topo, mas já diz o ditado: maior a subida, maior a queda. Nem dito nem feito, ver-se-ia envolvido em novo empréstimo, desta feita ao Newcastle. No papel, foi a melhor liga que representou até hoje, mas, por contraste, acabou por ser, de longe, a sua pior fase, jogando apenas quatro partidas, uma delas pela formação sub. 21 dos Magpies.

Apesar da travessia menos positiva, Doumbia ainda rejuvenesceu, quando acabou emprestado, em 2016/17, ao Basileia. Os números foram prova disso mesmo: 21 golos em 34 jogos, que fizeram recordar o Doumbia dos tempos da Rússia.

Findo o empréstimo, o avançado entrava no seu último ano de contrato com a Roma. O Sporting viu a oportunidade e adquiriu o costa marfinense por empréstimo, com opção de compra de 3 milhões de euros. No papel, parecia um golpe de génio da parte dos leões, conseguindo um grande jogador para o seu plantel por uma autêntica “pechincha”, mas o que é facto é que Doumbia acabou por não encaixar bem na titularidade de Jorge Jesus. Ainda participou em 29 partidas, somando minutos, sobretudo, nas taças e nas competições europeias, mas não foi além dos 8 golos. As exibições, de resto, também não foram, propriamente, brilhantes, pelo que rapidamente acabou por ser dispensado dos leões.

De Portugal rumou a Espanha, mais concretamente ao Girona FC. Novamente, Doumbia sentiu dificuldades em assumir-se como primeira opção, conseguindo apenas 867 minutos no total da época, que resultariam, de resto, em três golos apenas. No coletivo, a história não foi melhor, já que os Albirrojos acabariam por não escapar à descida de divisão.

Doumbia precisava de se reencontrar e talvez por isso mesmo tenha escolhido regressar a um campeonato que já conhecia. O Sion, da Suiça, foi, então, a sua nova paragem, mas nem por isso conseguiu ver melhorias no seu desempenho, numa altura em que, de resto, a idade também já vinha a pesar (32 anos).

Ao fim de um ano sem grande história na liga helvética, Doumbia efetua nova mudança, agora para a liga maltesa, assinando pelo Hamrun Spartans, onde até hoje se mantém, levando, até ao momento, dois jogos e um golo marcado.

Seja pela idade, seja por falta de sorte (quem sabe, talvez ambos), o que é facto é que os dias áureos de Doumbia já se encontram contados há algum tempo, mas nem por isso deixou de maravilhar os olhares do mundo do futebol com o seu poderosíssimo pé direito e uma velocidade de fazer inveja a qualquer atleta olímpico, para não falar dos muitos golos, que lhe valeram, nomeadamente, o prémio de melhor marcador da Liga Russa, por duas vezes.

Doumbia foi, é e será sempre, certamente, um ícone do futebol.

 

Imagem: AS Roma (Facebook)

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.