222 milhões de euros depois

Estamos em agosto de 2017. Um verão que, passados três anos e meio, sabemos ter sido um verão revolucionário no mundo do futebol. A cláusula de rescisão de Neymar, no valor de 222 milhões de euros, acaba de ser paga pelo PSG. Antes deste negócio, apenas outros dois jogadores tinham sido contratados por mais de 100 milhões, Pogba e Bale. E ainda assim, os valores dos negócios quando somados não atingiam o dinheiro que o clube parisiense pagou pelo extremo brasileiro.

Escusado dizer que depois desta transferência ocorreu uma inflação enorme no mercado mundial. Um total de 14 dos negócios do top-20 mais caros de sempre tiveram lugar após este negócio. Para servir de referência, os dez clubes que mais gastaram desde esse agosto, gastaram um pouco acima de 2 825 000 000 de euros, de acordo com o Transfermarkt. Isso dá em média 282 500 000 milhões por janela, por clube nesse top-10. Se contarmos  sete janelas de transferência desde então, podemos perceber os valores astronómicos atingidos.

Mas será que esta inflação foi benéfica? Depende a quem se perguntar. A qualidade não aumenta, pelo menos não quando relacionada com a inflação, mas o preço pago por ela sim. Isso contribui para o fosso que já existia entre os tubarões milionários e o resto. Ainda assim, com o aumento desse fosso também aumenta a romantização do desporto e das vitórias dos pequenos quando se encontram com os Golias milionários. E essa romantização combinada com os números exuberantes que cada vez mais se vêm no futebol atraem mais fãs, que por sua vez vão dar mais dinheiro a todos os envolvidos.

Nem toda a gente ganha de igual forma, mas no final do dia toda a gente ganha um pouco. Todos, menos os adeptos. Quem quer ver jogos ao vivo tem que pagar mais que nunca, mas quem os quer ver no sofá também tem que meter a mão ao bolso, uma vez que os direitos televisivos não param de aumentar. Por mais romântico que este desporto possa ser, nunca o será sem os adeptos, e mais cedo ou mais tarde os órgãos superiores mandatários irão ter de perceber isso, ou arriscam-se em entrar em batalha com o coração do futebol. E o coração do futebol, o coração do futebol somos nós.

Fonte da imagem: twitter.com/PSGbrasil