Históricos: a terceira e última Taça do Vitória FC

No “Históricos” desta semana, viajamos até 29 de maio de 2005, dia no qual os setubalenses conquistaram a Taça de Portugal.

Na época 2004/05, a final da prova rainha foi disputada entre Vitória FC e SL Benfica, que havia acabado de vencer a Primeira Liga e tinha a hipótese de fazer a dobradinha. No caminho até ao derradeiro jogo, os sadinos eliminaram Pedras Rubras, Académico de Viseu, Vitória SC, Braga e Boavista enquanto que os encarnados deixaram para trás Oriental, Oliveirense, Sporting, Beira-Mar e Estrela da Amadora.

José Rachão, então treinador dos vitorianos, apostou em Moretto entre os postes, Nandinho, Hugo Alcântara, Auri e Éder no setor mais recuado, Ricardo Chaves e Sandro no miolo, Bruno Ribeiro e Manuel José nas alas e Jorginho atrás do ponta de lança Meyong.

Do outro lado, Giovanni Trapattoni lançou Moreira na baliza, Fyssas, Ricardo Rocha, Alcides e Miguel no quarteto defensivo, Manuel Fernandes e Petit no centro do terreno, Simão Sabrosa e Geovanni nos flancos e Nuno Gomes no ataque com Nuno Assis nas suas costas.

A partida dificilmente poderia ter começado melhor para os lisboetas. À passagem do quarto minuto de jogo, Geovanni foi derrubado na área por Moretto e Paulo Costa apontou para a marca dos 11 metros. Chamado à conversão, Simão Sabrosa não desperdiçou, inaugurando o marcador com um golo madrugador.

No entanto, o Vitória reagiu bem ao tento sofrido, impondo o seu jogo através do controlo da posse de bola e atacando com muita frequência, embora com pouco critério, já que todas as tentativas saíam muito distantes do alvo ou acabavam por ser de fácil resolução para Moreira.

Todavia, no minuto 26, aproveitando as sobras de um ataque de Jorginho, Manuel José disparou cruzado, tendo a bola desviado em Ricardo Rocha e entrado no canto inferior da baliza. Com alguma sorte à mistura, os setubalenses chegaram ao empate.

Até ao final da primeira parte, acabaram por ser apenas as águias a criar real perigo com um remate de Nuno Gomes e outro de Simão Sabrosa, mas os sadinos resolveram os dois lances através de, respetivamente, um corte providencial de Auri e uma boa defesa de Moretto.

Na segunda metade, pouco ou nada mudou na dinâmica do jogo, ou seja, os vitorianos continuaram por cima, apesar de não criarem grandes ameaças, e os lisboetas apostavam nas bolas paradas e no contra ataque, fazendo menos incursões ofensivas, embora com maior perigo.

O primeiro lance digno de registo do segundo tempo foi protagonizado por Manuel Fernandes, que, depois de fintar um adversário, disparou um míssil de fora da área, que foi correspondido por uma grande defesa de Moretto.

Após algumas frouxas tentativas, o Vitória conseguiu mesmo dar a volta ao marcador: Ricardo Chaves tentou a sua sorte de longe, obrigando Moreira a uma defesa apertada para a frente e, na recarga, Meyong bateu o guardião português e fez as redes abanar.

Trapattoni tentou lançar o Benfica no ataque, promovendo a entrada de Mantorras e Delibasic e fazendo a equipa subir no terreno, mas nem assim os campeões nacionais conseguiram chegar ao empate ou sequer aproximar-se da baliza oponente.

Assim, num jogo de escassíssimas oportunidades, os setubalenses foram os justos vencedores pela forma como encararam o jogo, procurando sempre atacar e ter a bola em seu controlo. Deste modo, depois de 38 anos de jejum, o Vitória FC voltou a conquistar um título, tendo esta sido a terceira e, até agora, última Taça de Portugal da história do clube.

 

Fontes das Imagens: Site oficial do Vitória FC e do SL Benfica e Twitter @historicosfut

Simão Vitorino

Nasci e cresci em Vila Franca de Xira e estou atualmente a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação na faculdade NOVA FCSH com o objetivo de me tornar jornalista desportivo no futuro, profissão que une duas grandes paixões minhas - o futebol e a escrita.