Sporting vs Paços de Ferreira: falta estilo, mas substância pode dar campeonato

O Sporting recebeu o Paços com a benesse de saber que o Futebol Clube do Porto deslizou mais uma vez, tal como o Benfica, mas com a pressão adicional de ter de aproveitar esses deslizes, sobretudo tendo em conta que o Paços de Ferreira é adversário direto das Águias, e desse modo procurará ultrapassar a equipa da Luz no quarto lugar.

Rúben Amorim, face à exibição na segunda parte frente ao Gil Vicente, e que graças aos golos do ponta de lança de recurso Seba Coates conseguiu virar o jogo, decidiu dar a titularidade a Gonçalo Inácio, mas optou por fazer regressar João Mário ao onze, em vez de finalmente dar a titularidade a Daniel Bragança, ou sequer retomar a confiança em Matheus Nunes. Da mesma maneira, trouxe Tiago Tomás de volta ao onze em detrimento de Nuno Santos, consagrando Pedro Gonçalves como o dez e talvez para esticar nas costas da defesa e permitir a Paulinho virar-se para o jogo com mais facilidade.

Pepa apresentou o Paços num display tático semelhante ao Gil na semana passada, com um 5-4-1 meio assimétrico, desdobrando-se muitas vezes num 4-4-2, sendo Luiz Carlos relegado para um papel de interior direito a defender, e Hélder Ferreira a fechar a ala e a ter liberdade para subir mais no terreno em posse. O Paços ia saindo em contra ataque com mais facilidade do que aquela que o Sporting tinha em conseguir sair, mas foi o Sporting que, ao minuto dez, conseguiu criar a primeira oportunidade de perigo quando Pedro Gonçalves, lançado no meio espaço, cruza na linha para Paulinho, que de calcanhar, obriga Jordi a defesa à queima roupa. O Sporting foi timidamente chegando à área pacense, mas inconsistentemente, conforme os lançamentos longos dos centrais leoninos funcionavam e os jogadores da casa iam ganhando as segundas bolas à entrada do último terço. Já com o jogo a pender para o Sporting, Feddal lança Pote com um passe teleguiado nas costas da defesa, e desprevenido, Rebocho choca com as costas do médio ofensivo do Sporting, obrigando o árbitro a marcar um pénalti duvidoso, que João Mário aproveitou.

Um dos fatores determinantes da partida foi, aproveitando a questão, a arbitragem inconstante de André Narciso, que decidiu distribuir amarelos a torto e a direito durante a primeira parte (não necessariamente decisões erradas), para depois, em situações semelhantes ao longo da partida, apresentar dualidade de critérios tanto em relação aos lances aos quais deu amarelo primeiramente, tanto nos lances em que marcava falta a uma equipa ou outra. Um dos lances mais polémicos foi um derrube de Feddal a Luiz Carlos a meio da primeira parte, tentando impedir uma situação de contra ataque, já com o marroquino amarelado: podia bem ter resultado no segundo amarelo. Outra foi um lance polémico na área do Paços, já na segunda parte, onde Nuno Mendes, rodopiando sobre Fernando Fonseca, é pisado após cruzar a bola. Num lance semelhante, fora da área, Feddal viu o seu amarelo. Destaco ainda o perigoso remate de Luther Singh a meio da primeira parte, que obrigou Adán a fazer uma defesa digna de futsal, fechando as pernas.

A segunda parte viu o Sporting adiantar-se através de um fenomenal remate de primeira de João Palhinha, no seguimento de um canto. A segunda parte foi relativamente “tática”, tirando algumas investidas perigosas do Paços de Ferreira em contra ataque, aproveitando muitas vezes a pujança de Douglas Tanque, que foi enfraquecendo ao longo da partida, e depois, já fora de campo, através da velocidade de João Amaral, que ainda dispôs de um remate perigoso e foi, efetivamente, uma lufada de ar fresco para a equipa do Paços, e de João Pedro, sobretudo através das bolas bombeadas nas costas da defesa do Sporting.

A equipa de Rúben Amorim foi controlando o jogo, sendo que Feddal e Nuno Mendes mostraram-se especialmente disciplinados mesmo com o amarelo, e destacando a coesão da defesa leonina, que se mantém praticamente inviolável. O resto do jogo foi basicamente controlo do Sporting na tentativa de restringir o contra-ataque pacense, sendo que a equipa visitada não dispôs de muito mais oportunidades para aumentar o marcador (destacando mais uma exibição fraca de Paulinho), tirando alguns cruzamentos de Porro e Nuno Mendes. As entradas de Tabata e Jovane não acrescentaram muito senão alguma energia, e Matheus Nunes foi uma entrada para segurar o meio campo.

Deste modo pouco espetacular mas sóbrio e competente, o Sporting, mostrando ser a equipa mais coesa e consistente do campeonato, aumenta para dez pontos a vantagem sobre o Porto. Ainda falta muito para Maio, e o confinamento tem de se manter até se nulificar quase na totalidade o número de novas infeções, mas os sportinguistas vão começando a preparar-se mentalmente para a eventualidade de um título, mesmo que o coração tenha sido partido tantas vezes em 19 anos. O Paços perde, mas de pé, numa exibição mais que aceitável e competente da turma de Pepa. Fica agora a três pontos do Benfica e a cinco do Braga.

Fonte da imagem: Mário Cruz/EPA