Porto vence Juventus e ganha vantagem nos oitavos de final da Liga dos Campeões

O Porto recebeu e venceu a Juventus por 2-1 na primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Com um golo a abrir cada parte, o Porto alcançou o primeiro triunfo da história sobre a equipa italiana e ganhou vantagem numa eliminatória que será resolvida a 9 de março.

O clube português vinha de quatro jogos sem vencer e tinha pela frente a hercúlea tarefa de enfrentar a Juventus, clube onde atua Cristiano Ronaldo. Numa decisão que surpreendeu, Sérgio Conceição não apostou em 3 defesas centrais como fez, por exemplo, contra o Manchester City e manteve a aposta no 4-4-2 habitual.

Já a Juventus apresentou-se fiel à ideia de jogo habitual e manteve a aposta no 4-4-2 sem bola, que, aquando do momento ofensivo, se transforma num 3-5-2.

O jogo não poderia começar melhor para a equipa portuguesa. Erro de Bentancur no passe para Szczesny, que saiu curto e permitiu a Taremi adiantar o Porto no marcador ainda nem um minuto tinha passado.

O Porto entrou a pressionar bem alto no terreno, incomodando a Juventus que acumulava bastantes erros na saída de bola.

A Chiellini (substituído aos 35 minutos por Demiral, após lesão) e De Ligt, juntava-se ou Danilo ou Bentancur no momento da saída de bola. Alex Sandro e Chiesa abriam na frente e McKennie juntava-se a Rabiot e a Bentancur (ou Danilo quando o uruguaio se colocava entre os centrais), num posicionamento em campo trabalhado desde que Pirlo assumiu o comando técnico da Juventus. No entanto, a equipa italiana muito raramente conseguiu ultrapassar a pressão bem executada dos azuis e brancos. Sérgio Oliveira subia para encostar nos médios, impedindo que estes recebessem de frente, Marega e Taremi pressionavam alto e impediam a saída de bola confortável por parte dos centrais e Otávio à esquerda e Corona à direita subiam à vez para condicionar.

A estratégia de Sérgio Conceição funcionou, colocando a Juventus com grande dificuldade em ultrapassar a pressão azul e branca. Os “bianconeri” acumularam muitos erros no capítulo do passe, quer em passes curtos intercetados pelos jogadores do Porto, quer em passes longos sem nexo que não encontravam ninguém e eram notórias várias falhas de concentração. Já o Porto encontrava-se confortável na partida e durante a primeira parte não teve grandes problemas a nível defensivo.

O intervalo chegou com o Porto a justificar a vantagem e a segunda parte abriu tal e qual a primeira: com um golo dos dragões. Recuperação de Uribe a meio campo, triangulação entre Corona e Manafá que conseguiu cruzar para Marega. Sem oposição, o maliano recebeu a bola dentro de área e atirou a contar.

Mais um contratempo para a equipa italiana que, no entanto, não conseguia reagir. Chiesa e Kulusevski eram os principais desequilibradores da equipa de Turim, que não conseguia fazer mais que tímidas incursões na partida e até foi o Porto, por intermédio de Sérgio Oliveira que, aos 55 minutos, esteve mais perto de marcar.

À hora de jogo Pirlo fez entrar Morata, fazendo Kulusevski recuar para a ala direita e colocando Chiesa na esquerda. O espanhol passou a jogar mais perto de Cristiano Ronaldo que raramente conseguiu ter bola durante o encontro. Sérgio Conceição reagiu, abdicou dos dois avançados e colocou Grujic no lugar de Marega, de forma a reforçar o miolo da equipa, fazendo assim subir Sérgio Oliveira que passou a jogar à frente de uma dupla de médios.

Não obstante as substituições que pretendiam oferecer mais caudal ofensivo à Juventus, era o Porto que continuava a criar mais perigo e que se encontrava mais perto do golo que a equipa italiana. Aos 68 minutos de jogo, Corona tentou um golo monumental e de bicicleta quase surpreendeu Szczesny. O guardião polaco da Juventus conseguiu desviar a bola, mas o lance foi invalidado por fora de jogo.

A entrada de Ramsey, quando faltavam 15 minutos para os 90 foi importante para a Juventus, que voltou a ganhar estabilidade no meio campo.

Fruto desta maior segurança no miolo, e embora contra a corrente do jogo, a equipa italiana reduziu. Grande abertura de Ronaldo para Rabiot que conseguiu cruzar de forma tensa. Chiesa fez a diagonal da direita para o centro e nas costas de Zaidu rematou, fazendo a bola entrar na baliza defendida por Marchesin. Na única oportunidade digna desse nome, a Juventus conseguiu marcar um golo que poderá ser muito importante na 2ª mão.

Até ao final, destaque ainda para a estreia de Francisco Conceição na Liga dos Campeões. O novo talismã dos Dragões fez os primeiros minutos na maior competição a nível europeu e viu de dentro das quatro linhas a confirmação da vitória da equipa portuguesa.

Muito mérito do Porto, que conseguiu condicionar a Juventus, provocando vários erros, que conseguiu aproveitar. Sérgio Conceição foi ousado e saboreou a recompensa dessa ousadia, alcançando um resultado inédito contra a equipa italiana.

O Porto conquistou uma importante vantagem na eliminatória, que, no entanto, ainda não se encontra resolvida. A Juventus já deu provas de que consegue reverter jogos e, embora sem Danilo, que foi amarelado no Dragão, irá tentar consumar a reviravolta na eliminatória.

 

Fonte da imagem de capa: Twitter @FCPorto