Romanos vencem batalha na Pedreira e Braga fica com um pé fora da Europa

O SC Braga recebeu a AS Roma na primeira mão dos 16 avos de final da Liga Europa. Naquele que foi o primeiro embate de sempre entre ambas as turmas, quem sorriu foram os romanos, que venceram os bracarenses por dois a zero com golos de Džeko e Borja Mayoral. A turma de Carlos Carvalhal, que jogou a maioria da segunda parte com menos um homem após a expulsão de Esgaio, fica desta forma com uma batalha complicada de vencer na segunda mão e com um pé fora da Liga Europa.

Carlos Carvalhal levou a jogo um onze com: Matheus na baliza; Tormena e Raúl Silva no centro da defesa; Ricardo Esgaio e Nuno Sequeira nas laterais; Al Musrati e Fransérgio no meio campo; Galeno e Ricardo Horta como extremos e Nico Gaitán junto de Andraž Šporar no ataque minhoto.

Paulo Fonseca apresentou um onze com: Pau López na baliza; Gianluca Mancini e Ibañez no centro da defesa; Karsdorp e Spinazzola como laterais; Amadou Diawara, Bryan Cristante e Jordan Veretout no meio campo; Mkhitaryan, Pedro Rodríguez e Edin  Džeko no trio ofensivo.

A partida na Pedreira iniciou-se a um ritmo baixo, com ambas as equipas a procurarem encontrar o seu melhor posicionamento e adaptarem-se às dinâmicas do adversário. A turma de Paulo Fonseca, no entanto, não precisou de muito tempo para encontrar espaço na defensiva minhota. Aos quatro minutos de jogo, Diawara lançou pela esquerda o ala Spinazzola, que ganhou espaço nas costas de Esgaio e não teve qualquer dificuldade em lançar um cruzamento certeiro para os pés de Džeko, que ganhou a dianteira a Tormena e inaugurou a vantagem para os visitantes. Início de sonho para a turma romana. Pouco tempo depois, os gialarossi tiveram um percalço inesperado, com Cristante a ser obrigado a abandonar o relvado para a entrada de Bruno Peres (a sua entrada mudou o esquema romano para um 3-4-3) devido a problemas físicos. Os bracarenses mostravam algumas dificuldades perante o moldável esquema tático romano, que passava de três para cinco defesas em momento defensivo (Diawara, Spinazzola e Karsdorp eram os homens que desciam frequentemente para se juntarem aos centrais) e que não permitia grandes espaços para os homens mais ofensivos do Minho ganharem espaço e entrarem em posições perigosas de ataque.

Edin Džeko inaugurou o marcador aos 4´

A Roma, após ter-se posto em vantagem, ficou mais retraída e procurava apostar no contra-ataque e nas transições rápidas a partir dos seus alas, com especial foco no seu lado esquerdo, para tentar criar mais perigo e dilatar o resultado. Embora a presença ofensiva do SC Braga fosse mais forte, as oportunidades de perigo não surgiam, devido à rápida reação e excelente posicionamento da dupla de centrais romana e à rigidez e competência dos alas e de Diawara, que permitiam uma anulação completa das ações dos minhotos. Nico Gaitán, a vaguear na clássica posição de médio ofensivo, era o jogador mais inconformado com o desfavorável marcador e tentava abrir espaços de todas as maneiras e feitios, fosse a partir de passes a rasgar para Šporar ou por meio de iniciativas individuais com recurso à sua qualidade técnica, mas o problema mantinha-se o mesmo: a defensiva romana levava sempre a melhor nos duelos. O único remate à baliza de Pau López no primeiro tempo acabou por ser de um dos homens cujo papel não é de todo ser goleador, Raúl Silva, mas a sua tentativa acabou por ser de fraca força e fácil defesa para o guardião. Aos 36´, Pedro ainda assustou ao meter a bola na baliza bracarense após ter fintado Matheus, mas o espanhol encontrava-se em posição irregular na altura do passe do seu companheiro bósnio, pelo que o lance foi anulado. Até ao intervalo, o Braga bem tentava mas não conseguia escalar a montanha defensiva da Roma, que se encontrava retraída mas sempre pronta a tentar apostar no contra-ataque mal a oportunidade surgia.

Defensiva romana não concedia espaços

Pouco depois do início dos segundo tempo, outra alteração forçada para Paulo Fonseca. Ibañez lesionou-se numa disputa com Šporar e foi substituído por Villar. No entanto, Carlos Carvalhal testemunhou um acontecimento muito pior. Esgaio, que tinha visto já o primeiro cartão amarelo na primeira parte, derrubou em falta o recém entrado romano e viu a segunda cartolina, ficando o Braga desfalcado numa altura em que era precisa toda a ajuda necessária. Desta forma, foi a jogo Zé Carlos, sendo Gaitán o jogador sacrificado para garantir a cobertura da posição de lateral direito. A missão bracarense, difícil por si só, tornava-se ainda mais complicada para a turma lusa. Aos 59´, a turma romana, que beneficiava de ter mais um homem em campo, voltou a ter um golo anulado, desta vez pelos pés de Mkhtaryan. O arménio foi descoberto, em posição irregular, por Veretout e bateu Matheus, tendo o juiz de linha anulado o tento. Na marca da hora de jogo, os escondidos Ricardo Horta e Šporar foram substituídos por Lucas Piazón e Abel Ruíz, com o técnico do Braga a procurar lançar mais criatividade no seu jogo ofensivo, que tinha desaparecido completamente desde a saída de Gaitán e a expulsão de Ricardo Esgaio.

AS Roma assumiu a posse no segundo tempo

Depois de o SC Braga ficar desfalcado, foi a Roma que passou a assumir a posse de bola, tendo ganhado mais confiança e subido a sua linha defensiva de forma a tentar dilatar a sua vantagem. Džeko, aos 68´, ainda obrigou Matheus a uma defesa adiantada após passe de Mkhitaryan,  um sinal de que as coisas continuavam a não se mostrar nada fáceis para a turma minhota, cada vez mais longe da baliza de Pau López. Paulo Fonseca queria mais e nesse âmbito, lançou a jogo Borja Mayoral e El Shaarawy, na busca por uma vantagem mais larga para a sua equipa. Os minhotos ainda viram entrar André Horta e Borja, no sentido de existir mais frescura no seu jogo, mas a crença e a dinâmica já não eram as mesmas da primeira parte. E a cinco minutos dos 90´, o castigo dessa falta de forças chegou. Por meio de várias combinações no flanco esquerdo que desmontaram a defensiva bracarense, Veretout assistiu Borja Mayoral e o espanhol só teve de encostar, sentenciando a partida na Pedreira, que já antes do tento parecia mais próxima de um golo romano do que de uma recuperação bracarense. Até ao apito final, a turma gialarossi limitou-se a controlar a posse de bola perante um Braga esgotado e sem armas para tentar inverter o resultado.

Borja Mayoral sentenciou a partida aos 86´

Com a derrota por dois a zero, o SC Braga segue para a segunda mão, a ser disputada no Estádio Olímpico de Roma no dia 25 de fevereiro, com uma complicada desvantagem. A AS Roma, por sua vez, sai da Pedreira com uma vantagem confortável e está com um pé nos oitavos de final da Liga Europa.

Fonte das imagens: Twitter @ASRoma_Brasil, @EuropaLeague, @UEFAcom_pt

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.