Roma vs Braga: guerreiros sucumbem perante legião superior

O Sporting de Braga partia para a segunda mão dos 16 avos numa situação relativamente desfavorável, perdendo por uma diferença de dois golos em casa e vendo um jogador relativamente importante, Ricardo Esgaio, ser expulso. Apesar da aparente superioridade da Roma, sendo óbvio esse fator devido à diferença entre ligas e, evidentemente, entre os recursos financeiros de ambas as equipas, permitindo à formação italiana a obtenção de um plantel mais recheado e aparentemente competente, as diferenças dentro de campo não foram assim tão gritantes, e com um pouco de sorte, a equipa de Carlos Carvalhal podia, ao seu jeito guerreiro (espera-se), reviver a eliminatória.

No seguimento da dominante performance frente ao Tondela, os arsenalistas alinharam no seu esquema habitual, com destaque para a presença do antigo leixonense Zé Carlos no lugar que é cativo de Ricardo Esgaio, a ala direita, e para a dupla de Nico Gaitán e Lucas Piazón no apoio a Sporar, o pólo do ataque bracarense. A Roma de Paulo Fonseca replicou o esquema, destacando o antigo benfiquista Bryan Cristante a atuar numa função de quase líbero, aproveitando a sua qualidade técnica para fazer o jogo rolar, auxiliado pela velocidade de Rick Karsdorp e Gianluca Mancini nos lugares de defesas interiores, e o habitual médio centro Jordan Veretout a ocupar a ala direita.

Os primeiros minutos da partida destacaram-se por ser mais uma batalha tática do que necessariamente um jogo de futebol, com ambas as equipas a tentar anular a saída controlada uma da outra, resultando muitas vezes em perdas de bola no primeiro terço, como a de Cristante ao minuto 11, que deu uma oportunidade a Gaitán de adiantar o Braga no marcador, mas sem sucesso. No seguimento dessas jogadas, a equipa que recuperava a bola ia aproveitando a desconjuntura do adversário para progredir rapidamente rumo ao último terço adversário, onde procurava depois circular rápido a modo de quebrar linhas e procurar uma hipótese de rotura da defesa.

A Roma foi, no entanto, afirmando a sua superioridade, controlando e gerindo a posse com mais critério que o Braga, que não conseguia aproveitar os contra-ataques para criar perigo. Chegou mesmo à vantagem à viragem do minuto 23: Cristante encontra El Shaarawy nas costas da defesa “guerreira”, mas Dzeko, desatento, recebe a bola de costas e impede a rotura. Acaba por devolver ao “Faraó”, que remata colocado ao poste. Na recarga, o avançado bósnio inaugura o marcador, perante uma letárgica resposta dos centrais do Braga ao ressalto.

O Braga até dispôs de algumas investidas interessantes, aproveitando alguma displicência pós-golo da Roma, sobretudo a partir de contra ataques, aproveitando a velocidade dos seus alas: ao minuto 30, um cruzamento desviado de Zé Carlos, após uma boa combinação coletiva, vai ao encontro de Piazón, que acerta nas orelhas da bola. Nem um minuto depois, numa situação de contra ataque, Galeno encontra Piazón, que perante uma má abordagem de Diawara na pressão ao extremo brasileiro, faz com que estes mais Gaitán e Sporar estejam quatro para três frente à defesa romana. Com uma boa oportunidade de avançar e irromper pela defensiva adversária perante a superioridade numérica, Piazón decide, em vez disso, rematar antes da meia-lua com algum perigo, saindo pouco por cima da baliza de Pau López, mas poderia ter avançado mais com a bola, tentando libertar um dos colegas. Ao minuto 34, um mau atraso de El Shaarawy encontra Sporar, que enfrenta a defesa e remata forte, obrigando López a defender de forma mais apertada. O trabalho dos dois médios do Braga, João Novais e André Horta, foi também importante para manter algum critério na criação de oportunidades, encontrando muitas vezes Zé Carlos e Galeno nessas situações favoráveis nos flancos.

A segunda parte começou mais ou menos como a primeira, mas com Pellegrini no lugar de Villar no meio campo romano, com mais ímpeto defensivo dos italianos e menos “jogo” a ser jogado. Um bom exemplo desta tendência foi a falta dura de Veretout sobre Galeno ao minuto 56, garantindo um amarelo ao médio francês. Ao minuto 58, Paulo Fonseca trocou El Shaarawy por Carles Pérez para dar mais frescura ao ataque, e colocou Spinazzola na partida por Veretout, refrescando a ala direita. Carlos Carvalhal revolucionou o ataque ao tirar Gaitán, Piazón e Sporar, introduzindo Ricardo Horta, Fransérgio e Abel Ruíz na partida, três jogadores quase tão refinados tecnicamente mas mais agressivos. O avançado espanhol dispôs de uma oportunidade ao minuto 64, sendo lançado na velocidade, mas encontrava-se em fora de jogo e o seu remate saiu fraco de qualquer maneira.

Edin Dzeko rompeu ao minuto 65, forçando Paulo Fonseca a colocar Borja Mayoral em campo. Entretanto, o Braga ia arriscando mais, e ao minuto 67, André Horta remata forte com algum perigo, mas a bola saiu ligeiramente ao lado. Borja rendeu Sequeira pouco depois, e ao minuto 71 perde a bola de forma infantil, e no seguimento do lance, João Novais derruba Carles Pérez na área. Pellegrini mostrou se benevolente, e se o erro de Borja foi infantil, o desperdício no pénalti do médio foi ao nível de um traquina. Foi o ínicio da melhor sequência do jogo: No seguimento do falhanço, uma boa sequência de posse do Braga gera uma oportunidade de ouro: Borja encontra de calcanhar André Horta no meio espaço, que lança Abel Ruíz, e este cruza para Ricardo Horta, que não chega à bola na pequena área. Zé Carlos ainda chega à bola, mas não consegue devolver na área em condições. No contraataque, minuto 74, Pellegrini encontra Carles Pérez num cruzamento bem medido, e o extremo espanhol, com uma boa finalização de primeira, redime o falhanço do seu assistente e aumenta a vantagem.

A partir desse momento, o Braga arriscou tudo, como esperado. Mkhitaryan, entretanto, rendeu Pedro Rodriguez, e o jovem Hêrnani Infande entrou para o lugar de Galeno, sendo a última reserva de dinamite à disposição de Carlos Carvalhal. A Roma ia atacando sobretudo em contraataque, e o Braga tentava pressionar a todo o custo. As investidas acabaram por resultar: em superioridade, Zé Carlos cruza rasteiro para a área ao minuto 88, e Cristante desvia para a própria baliza, reduzindo a desvantagem para os bracarenses. No entanto, a Roma viria a recuperar: Karsdorp encontra Carles Pérez solto no meio, e este conduz rapidamente e liberta Spinazzola por entre a meia direita da defesa do Braga. O ala encontra Mayoral sozinho na área, e o ponta de lança apenas precisou de encostar.

O resultado revela-se um tanto contundente perante a resposta do Braga nesta segunda mão, mas a eficácia e maior qualidade e maior leque de escolhas da equipa da Roma revelou-se nos momentos certos, dando alguma justiça ao 3-1 final. Resta ao Braga levantar a cabeça na luta pelo segundo lugar, que pode provar-se mais favorável, caso o Sporting vença o Porto no sábado, adicionando pressão ao resto da temporada azul e branca.

Fonte da imagem: Ettore Ferrari/Agência Lusa