Curiosidades: religiosamente Belenenses

O futebol, para muitos, é como uma religião. A rotina de ir à missa todos os domingos acaba, por vezes, a ser equiparada à ida ao estádio, nas tardes do dia santo. A devoção ao clube do coração é, por muitos, assim vivida: religiosamente. Mas haverá, de facto, alguma ligação direta entre o sagrado da religião e o profano de um mero desporto? A resposta é “sim”…pelo menos para o Belenenses!

Como se não bastasse ser um dos poucos emblemas portugueses a envergar a cruz de Cristo no próprio símbolo, os azuis do Restelo albergam, a escassos metros do seu estádio (mas ainda dentro do complexo desportivo), uma capela quinhentista. Sim, “quinhentista”, leu bem! A Ermida do Santo Cristo, como é chamada, data de 1517, contando já mais de meio milénio de existência.

Trata-se de uma pequena capela que, em tempos, fez parte de um conjunto de locais de culto anexos ao velho conhecido Mosteiro dos Jerónimos. Esteve desaparecida durante largos anos, mas acabou por ser encontrada intacta durante a construção do Estádio do Restelo, nos anos 50. A ideia inicial passava por demoli-la, pois constituía um pequeno entrave à obra, mas rapidamente se mudou de ideias quando se deu conta da riqueza que guardava dentro de si, entre a qual se encontravam azulejos da época, com cenas religiosas desenhadas.

Acontece que, na altura, acabou por ser usada abusivamente pelos construtores do “novo” estádio, que fizeram da ermida um dormitório improvisado, acabando a mesma por ser também alvo de pilhagens por alguns dos mesmos. Como tal, a pequena capela encontra-se fechada desde então, mas foi, ainda assim, declarada “Imóvel de Interesse Público”, em 1967, já com o complexo desportivo construído.

Se, em Inglaterra, Goodison Park, a casa do Everton, é célebre por conter na sua estrutura a conhecida Igreja de St. Luke, o Belenenses é, provavelmente, o único clube em Portugal que pode afirmar guardar no seu recinto um motivo religioso de tamanho valor, ou como lhe chamam os seus adeptos: a “nossa” Capela.

Ao fim ao cabo, parece que o futebol em Belém tem mesmo algo de sagrado!

 

Imagem: Padrão dos Descobrimentos (Facebook)

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.