Históricos: o gigante adormecido que derrubou “blaugranas” e “galáticos” do pedestal espanhol

Nos “Históricos” desta semana, iremos falar da fabulosa equipa do Valência que recuperou o seu estatuto entre os maiores clubes do mundo numa das suas eras mais gloriosas.

Na entrada para o novo milénio, a La Liga, tal como na atualidade, era sobretudo dominada pelos dois gigantes mais titulados do futebol espanhol, Barcelona e Real Madrid.

Os “culés” afirmaram-se como o destino ideal para futuras superestrelas da modalidade que começavam a explodir a nível mundial, tal como Ronaldo “O Fenómeno”; Rivaldo e Luís Figo. Por sua vez, os “merengues”, depois de conquistar mais um troféu da Champions no final dos anos 90, estavam prestes a iniciar a construção de um plantél recheado de astros do desporto-rei, os famosos “galáticos” de Beckham, Zidane, Roberto Carlos e, mais adiante, dos próprios Ronaldo e Figo, que decidiram trocar a Catalunha pela capital espanhola.

Com base em todos estes fatores, seria de esperar um início quase avassalador de qualquer uma destas equipas nos primórdios dos anos 2000, especialmente com o Atlético de Madrid a atravessar uma crise sem precedentes na história do clube. Contudo, um colosso adormecido viria a renascer das cinzas para surpreender tudo e todos e afirmar-se, mesmo que durante um período de tempo limitado, como um dos clubes de maior dimensão em toda a Europa.

Na década de 2000, o Valência alcançou muitos êxitos. Depois de recuperar de anos caracterizados por altos e baixos, deu seguimento à conquista da Taça do Rei em 1999 com a sua primeira aparição na final da Liga dos Campeões da UEFA na temporada 1999-00, sendo derrotado pelo rival Real Madrid por 3-0.

No ano seguinte, chega outra vez à final da maior competição europeia e é novamente derrotado, desta vez pelo Bayern de Munique , na disputa de pênaltis.

Até então desconhecidos, jogadores como Santiago Cañizares e Pablo Aimar começaram a ganhar notoriedade em  2001-02, época que culminou com a conquista da sua quinta Liga Espanhola, a primeira desde 1970-71. Treinados pelo promissor Rafael Benítez, “Los Che” praticavam um futebol de ataque atrativo, compensado por um conjunto solidário disposto a dar o máximo na defesa.

Assim, o clube do sul de Espanha terminou em primeiro lugar à frente de outra surpresa, o Deportivo de La Coruña, que remeteu os favoritos Real Madrid e Barcelona para os terceiro e quarto lugares respetivamente. No final a segunda equipa sensação do campeonato não conseguiu fazer melhor do que os 75 pontos do novo campeão.

Rafa Benítez ainda conquistaria mais uma Liga e a Taça UEFA, ambas em 2003-04. Com praticamente o mesmo plantél que venceu o campeonato dois anos antes, os Valacentistas assistiram finalmente ao triunfo numa grande competição europeia, afirmando-se como uma possível dinastia para os próximos anos.

Aproveitando o final de época desastroso dos “los blancos”, “Los murciélagos” acabaram à frente do Barcelona e do Deportivo com 77 pontos, superiores aos 72, 71 e 70 dos seus três rivais.

De realçar que nas duas vitórias da La Liga, o Valência terminou em primeiro sem nunca ter tido o máximo goleador da competição ao seu serviço. Mista, com 19 golos nesta última conquista, foi o único a aproximar-se de tal feito.

No começo da época 2004-05,  Benítez muda-se para o Liverpool, sendo substituído pelo experiente Claudio Ranieri que logo conquista a Supertaça Europeia, embora tenha ficado abaixo das expectativas nas competições internas.

Por fim, a página de ouro do clube foi encerrada em 2007-08. Nesta temporada, o Valência volta a ganhar a Taça do Rei, apresentando um elenco que contava com futuras esttrelas como Éver Banega; David Silva; Juan Mata e David Villa.

A La Liga é hoje uma das maiores ligas do mundo e isso é o resultado de uma geração que implementou as bases necessárias para a explosão mediática de Messi e Ronaldo nos últimos dez anos. Obviamente que Real Madrid e Barcelona não deixaram de obtert troféus, mas o Valência foi capaz de colocar em causa a hegemonia que perdura no país desde a concepção do campeonato.

Foi um gigante adormecido que levou adeptos a questionar os “galáticos”, o plantél mais caro da história até então. Criou uma rivalidade com o Barcelona de Ronaldinho que se tornou famosa até aos dias de hoje e teve embates com algumas das crescentes potências do país na época, mais concretamente, Deportivo, Villareal e Sevilha.

Deu a conhecer ao mundo um dos treinadores mais marcantes da história recente do futebol e foi responsável por dar a primeira oportunidade a atletas que posteriormente viriam a tornar-se lendas noutros clubes.

Numa altura em que o clube passa por uma situação delicada, a pior desde a fatídica década de 80, nunca é demais relembrar o porquê de ser considerado um dos grandes de Espanha, sobretudo as memórias de um tempo que hoje parece muito distante.

Fonte da imagem: uefa.com