Lembra-se de.. José Águas, O Cabecinha D’Oiro

José Pinto de Carvalho Santos Águas, nome incontornável da história do futebol nacional, internacional e sobretudo do SL Benfica. Uma antiga  glória das águias que muitas alegrias deu aos adeptos encarnados. Recordamos esta semana no Lembra-se de, o Cabecinha D’Oiro.

José Águas nasceu em Luanda a nove de novembro de 1930, filho de pais portugueses emigrados em Angola. Desde cedo sempre teve uma paixão incrível pelo futebol. Com apenas 15 anos tornou-se dactilógrafo na empresa Robert Hudson, concessionária da Ford em Angola, onde se tornou jogador da equipa da empresa. Depois de repararem no seu talento dentro das quatro linhas, passou a representar o Lusitano do Lobito.

Por influência familiar sempre teve o coração rendido ao Benfica, sonhava um dia poder pisar palcos grandiosos como acontecia com o plantel do Benfica da altura, que havia conquistado a Taça Latina. Rogério e Julinho eram as suas inspirações e posters das duas estrelas decoravam as paredes do quarto do jovem. Defrontar tal plantel parecia apenas um sonho, até que a equipa encarnada decidiu viajar até África e na cidade do Lobito realizou-se uma captação de novos jogadores na qual José Águas foi escolhido, depois de apontar dois golos numa vitória por 3-1. Rendidos ao talento do jovem, os dirigentes encarnados pediram que passasse no hotel, onde Ted Smith, treinador do Benfica ficou intrigado com tal espetáculo.

Depressa se espalhou a mensagem do jovem talento e o FC Porto, rapidamente agiu e convidou José Águas a ir passar férias à Invicta, “Amanhã respondo” terá sido a resposta do jovem. Contudo o amanhã tinha por nome Sport Lisboa e Benfica. Com o contrato assinado, partiu com a sua nova comitiva por outras terras africanas. 18 de setembro de 1950 marca a chegada de José Águas a Lisboa, onde se estreou na Tapadinha frente ao Atlético Clube de Portugal, sem nunca ter visto um par de chuteiras ou até mesmo um campo relvado. Apenas um treino tinha realizado até ao jogo, que acabou empatado a duas bolas, com uma exibição fraca por parte do jovem prodígio. Antes que as críticas tomassem lugar, no jogo seguinte frente ao Sporting de Braga, no Campo Grande, apontou quatro tentos, numa partida que vinha a acabar num incrível 8-2.

José Águas passou muitos anos de águia ao peito, com uma cabeçada incrível, foi apelidado de Cabecinha D’Oiro, dada a sua fantástica caraterística para o jogo aéreo, um dos melhores que passou pelo Benfica e pela Seleção das Quinas. Tornou-se o segundo melhor marcador da história dos encarnados, atrás da maior lenda do Benfica, o Pantera Negra, Eusébio. Ao serviço das águias tornou-se melhor marcador da Liga por cinco vezes, ganhou cinco Campeonatos Nacionais e sete Taças de Portugal. Enquanto capitão levantou duas Taças dos Campeões Europeus, em 1961 e em 1962 , tendo sido o melhor marcador na conquista da primeira, com 11 golos e o melhor marcador do Benfica na segunda com sete golos. Já na terceira final das águias, ficou de fora por opção do treinador chileno Fernando Riera, que acabou por se desculpar por não o ter colocado em campo.  Na sua longa carreira com as cores do Benfica, no panorama nacional, apontou mais golos do que jogos realizados nos Campeonatos nacionais, um total de 288 golos em 281 partidas.

A Seleção Nacional foi também brindada com o talento de José Águas, realizou 25 internacionalizações entre 1952 e 1962. Nessas 25 partidas fez abanar as redes por 11 vezes. Contudo nunca teve oportunidade de vestir a camisola das quinas e disputar uma partida dentro do estádio do seu coração, o Estádio da Luz.

Um talento fora do normal que o levou a ser uma das grandes glórias do SL Benfica, irreverente e com faro para o golo, deu muitas alegrias aos adeptos encarnados. Sempre humilde chegou a dizer que vestia a camisola para jogar com “o mesmo espírito com que o operário veste o fato-macaco”, pois era esta a maneira como ganhava a vida. Quem o viu jogar, teve oportunidade de ver golos de toda a maneira e feitio, dentro de área e fora de área, mas a sua “cabeça d’oiro”, nunca será esquecida. Será sempre um nome incontornável na história do Benfica, da Seleção, do futebol Europeu e de todos os que verdadeiramente apreciam o futebol espetáculo.

 

Fonte da imagem: Twitter Corner

Emanuel Brasil

Nasci na cidade mais alta de Portugal e foi aqui que comecei a dar os primeiros toques no mundo da bola e a acompanhar os mesmos com a escrita que dá brilho ao jogo fora das quatro linhas. Com a bola de um lado e a caneta do outro, acabei por me licenciar em Ciências da Comunicação na UBI e onde tiro agora, o mestrado em jornalismo.