Opinião: guerreiros fazem-se de sacrifício

Na antevisão ao jogo da 2ª mão das meias-finais da Taça de Portugal, Sérgio Conceição afirmou que o SC Braga é a melhor equipa a jogar com bola em Portugal, e tem bons motivos para disser isso.

Penso que esta é uma ideia partilhada por uma grande porção dos adeptos do futebol nacional, uma vez que, com exceção do Sporting, a equipa minhota é a que tem sido mais consistente em termos exibicionais.

Carlos Carvalhal colocou os seus jogadores a praticar um futebol de ataque, fluído e com uma atitude corajosa, sem medo de se expor ao adversário. Não importa a superioridade contrária, o atual segundo classificado da Liga Portuguesa não foge da luta e pressiona de forma incansável, com todos os jogadores a darem tudo de si em cada jogo.

Apesar da derrota no Olímpico de Roma, os comandados de Carvalhal saíram de cabeça erguida da Liga Europa depois de uma exibição ousada, nunca pretendo ficar à espera do ataque da equipa da capital italiana.

Talvez esta derrota tenha sido um sinal das coisas que viriam a suceder-se no Estádio do Dragão nesta última quarta-feira.

Os primeiros 25 minutos da partida mostraram a qualidade ofensiva dos minhotos, dominando completamente um FC Porto atípico, surpreendido pela velocidade e pura magia coletiva dos visitantes.

Os dois primeiros golos deixaram bastante claro que o coletivo é o principal fator de sucesso deste Braga, inserido num modelo que potencializa as capacidades de cada jogador, alguns deles com o talento necessário para inclusive serem procurados por alguns dos maiores clubes da Europa.

O técnico dos bracarenses fez de Ricardo Horta a principal figura do plantel; Galeno convence cada vez mais que está preparado para dar o salto; David Carmo e Bruno Rodrigues continuam a evoluir no centro da defesa e Abel Ruiz, após anos à deriva no Barcelona, demonstra o porquê de ser um dos avançados mais promissores do nosso campeonato.

Para além de se destacar toda esta juventude, veteranos como Rolando e Raúl Silva ajudaram a transmitir a experiência essencial para competir ao mais alto nível nos grandes jogos. E como se isso não bastasse, atletas como Piazon, Iuri Medeiros e Borja rejuvenesceram as suas carreiras depois de passagens menos brilhantes nos seus anteriores clubes.

Embora não seja o conjunto mais vasto em termos de números, talento é coisa que não falta a esta equipa.

Mas futebol atrativo nem sempre garante a vitória. Ás vezes, é preciso defender com unhas e dentes e aguentar a avalanche de remates para alcançar a glória. Por outras palavras, é nos momentos de maior adversidade que se vê a vontade e o espírito de sacrifício de um verdadeiro candidato ao título.

Foi isto que os guerreiros do Minho provaram na noite passada. Face a um Porto desesperado, em busca da recuperação, os arsenalistas superaram o obstáculo que foi a expulsão de Borja e carimbaram o seu lugar na final do Jamor.

O encontro de ontem deixou bastante claro que, no seguimento de uma década sempre em crescente, já não existem apenas três grandes em Portugal.

Atualmente o Braga é capaz de disputar de igual para igual a vaga de acesso direto à Liga dos Campeões e, quem sabe, até mesmo o primeiro lugar da tabela classificativa no futuro próximo.

O presidente do clube, António Salvador, já deu grandes alegrias aos adeptos mas agora tem nas suas mãos o sonho que nos primórdios do novo milénio parecia uma miragem inalcançável.

O paradigma da elite do futebol português está a mudar. Se Sporting e Braga mantiverem as mesmas ambições desta época e uma consistência semelhante à que apresentam agora, talvez o título de campeão nacional deixe de ser disputado somente por Benfica e Porto.

Tal como Carvalhal comentou ontem após a vitória, o Sp.Braga é pouco analisado pelos especialistas da modalidade. Portanto, está na altura de encarar a verdade.

O Braga joga com tanta qualidade e atitude que um atraso de meia hora pode ditar a eliminação do crónico favorito.

Fonte da imagem:  @SCBragaOficial