Históricos: a mais emocionante decisão do título da Premier League de sempre

No dia em que se jogou mais um derby de Manchester, nos “Históricos” desta semana recordamos a última jornada da liga inglesa 2011/2012 onde Manchester United e Manchester City lutaram, literalmente, até ao último segundo da época para decidir quem seria o campeão, na forma mais dramática possível.

Os dois clubes da cidade do Norte de Inglaterra chegavam à última jornada com 89 pontos cada, a saber que um empate pontual daria o título aos citizens que, por terem ganho 6-1 na primeira volta em Old trafford e 1-0 no Ethiad Stadium, a duas jornadas no fim, tinham vantagem no confronto direto. Apesar desta situação, a 6 jornadas do fim, o United liderava com 8 pontos de vantagem, estando bem encaminhado para revalidar o título conquistado em 2011, contudo, duas derrotas fora de casa, com o rival e com o Wigan, e um espetacular empate 4-4 em casa com o Everton, esfumaram a vantagem e adiaram todas as decisões para a última jornada.

No dia 13 de maio de 2012, o Manchester City recebia o Queens Park Rangers, que ainda lutava pela manutenção, enquanto que os “diabos vermelhos” iam a Sunderland, estando obrigados a ganhar o seu jogo e esperar que os sky blues não vencessem o seu, numa partida em que  estava muito mais em discussão do que um simples título. Para o Manchester United, esta segunda conquista seguida significaria a consagração de um projeto de transição entre jogadores como  Rio Ferdinand, Scholes ou Ryan Giggs que caminhavam para o final das suas carreiras e jovens talentos que se consolidavam no histórico inglês- Johnny Evans, David De Gea ou Chris Smalling- sem esquecer Wayne Rooney ou Nani, estrelas de uma equipa recheada de talento.

Para o rival da cidade de Manchester, esta conquista, a primeira desde 1968, adquiria ainda mais significado tendo em conta o projeto milionário que estava a ser arquitetado desde a compra do clube por parte de Sheik Mansour, em 2008, que tinha como objetivo formar uma equipa forte, constituída por alguns dos maiores talentos do futebol mundial. Nessa tarde de domingo, por exemplo, o onze inicial do city apresentava uma defesa bastante experiente com Joe Hart na baliza, Zabaleta, Kompany,Lescott e Clichy que apoiados pelo médio defensivo Gareth Barry, davam a segurança necessária para que uma linha mais avançada do terreno composta por Yaya Toure,Samir Nasri, David Silva, Carlitos Tevez e Kun Agüero, se movimentasse com trocas posicionais constantes onde  qualquer um podia aparecer em zonas de finalização e ferir o adversário.

Nesta última tarde de futebol inglês da temporada de 2011/2012, foi o Manchester United que marcou primeiro por Wayne Rooney, aos 20 minutos, adiantando os red devils na sua partida e na tabela, algo que durou pouco mais de 15 minutos, quando Pablo Zabaleta colocou o City na frente no Ethiad num lance onde o guarda-redes do QPR fica mal na fotografia, sendo que a equipa foi em vantagem para o intervalo com a convicção geral de que o título estava entregue.

Na segunda parte, o jogo mudou completamente de figura, com a equipa londrina a entrar mais incisiva e à procura do empate,  que aconteceu logo aos 48 minutos quando Djibril Cissé aproveitou um erro de Lescott para se isolar e bater Joe Hart, momento em que a esperança do United ser campeão e do QPR se manter no primeiro escalão renasceu. Já depois de Joey Barton ter sido expulso por agredir Tevez, os rangers, reduzidos a 10 elementos e contra a corrente do jogo, viraram o jogo com um golo de Jamie Mackie e aumentaram o escândalo, pairando a ideia de que o título seria mais uma vez perdido e a seca citizen continuaria.

Numa tentativa de resgatar a vitória, Roberto Mancini colocou Edin Dzeko e Mario Balotelli em campo, prova da grande profundidade do plantel ao seu dispor, sendo os últimos 20 minutos de jogo um autêntico ataque à baliza de Paddy Kenny, numa altura, inclusive, em que já se viam pessoas a chorar nas bancadas e adeptos do United em Sunderland a pensar como iriam festejar mais um título.

Já depois do minuto 90, na sequência de um pontapé de canto, Dzeko cabeceou para dentro da baliza do QPR e fez o empate a faltar 4 minutos para o fim do período de compensação dado pelo árbitro Mike Dean, colocando ainda mais pressão num ambiente já de si pesado, tanto em Manchester, onde a esperança voltava para os adeptos da casa como em Sunderland, onde o Man United já tinha vencido a sua partida e esperava por informações da outra partida para poder festejar.

Tudo apontava para que o empate permanecesse até ao fim, quando Sérgio Aguero, contratado no verão ao Atlético de Madrid por 32 milhões de euros, combinou com Mario Balotelli e este isola o argentino na cara do guarda-redes que disfere um remate que selou a cambalhota no marcador e levou todo o estádio e em especial o comentador Martin Tyler ao delírio sendo célebre o seu relato “Aguerooooo” que entrou para a imortalidade. O Manchester City tinha conseguido assim o impossível, sagrando-se campão da Premier League pela primeira vez no seu historial enquanto que a desilusão invadiu os jogadores e adeptos do Manchester United ao ouvir que tinham perdido o titulo no último segundo. A magia e a crueldade do desporto-rei estiveram assim comprovadas neste dia que ficou para a história do futebol inglês e mundial.

 

 

Fonte da imagem de capa: Site Premier League