Lembra-se de: Landon Donovan?

Foi visto como uma das maiores promessas do futebol norte americano do início dos anos 2000, e a sua mudança para uma das “top 5” europeias com apenas 17 anos foi prova disso mesmo, mas acabou por não vingar no velho continente, acabando por se cimentar como uma das maiores figuras na história do futebol dos Estados Unidos, quer na Major League Soccer (MLS), quer na seleção nacional. Lembra-se de Landon Donovan?

Natural de Ontário, na Califórnia, Landon Timothy Donovan começou por jogar no Project 40, uma equipa criada no final dos anos 90 que juntou os jovens mais promissores de todo o país, competindo na segunda divisão nacional com o objetivo de os preparar para a alta competição. A MLS era, então, um mero rebento do futebol mundial, criada três anos antes, em 1996.

Um ano nesta formação parece ter bastado para que Donovan se catapultasse para os grandes do futebol mundial, assinando contrato com o Bayer Leverkusen. A Alemanha passou, então, a ser a nova casa deste jovem atleta, que nem 20 anos tinha. Começou por somar os seus primeiros minutos e a marcar os primeiros golos ao serviço da equipa B, mas passariam seis anos para que conseguisse uma oportunidade na formação principal.

Pelo meio, cumpriu um empréstimo na liga do seu país, jogando pelos San José Earthquakes, de 2001 a 2004. Foi então que Landon começou a dar nas vistas a um povo que continuava a refugiar as atenções no futebol americano, no basquetebol ou ainda no basebol, todos estes desportos bem mais vistos que o velho conhecido soccer.

Chegou então o ano de 2005 e a tão aguardada oportunidade finalmente veio, conseguindo estrear-se na poderosa Bundesliga. As prestações, porém, acabaram por ficar aquém do que se pedia, e o jovem Landon Donovan não foi além de nove partidas jogadas pelo Leverkusen.

Olhando para trás, talvez o avançado tenha dado um passo maior que a própria perna, e talvez por isso mesmo tenha decidido regressar a casa, à modesta MLS, mas tal retorno não se fez sem alguma polémica à mistura, ou não fosse Donovan ingressar no LA Galaxy, principal rival dos Earthquakes, que representara ao longo de quatro anos.

“Novelas” à parte, o primeiro ano em Los Angeles acabou por ser das suas melhores épocas, quer a nível individual, quer a nível coletivo, assinalando 18 golos em 30 jogos e ajudando a sua equipa a conquistar o campeonato e a US Open Cup.

Por esta altura, Donovan também era já uma chamada habitual à seleção nacional norte americana, pela qual se estreou logo em 2001. A nível internacional, o avançado já contava com atuações em três Gold Cups, vencendo duas, numa das quais se sagrou melhor marcador da prova, bem como no Campeonato do Mundo, em 2002, e na Taça das Confederações, em 2003. Tinha apenas 23 anos, mas o currículo era já invejável.

Em 2009, surpreendentemente, o avançado vê-se emprestado ao Bayern de Munique, campeão alemão em título, mas, mais uma vez, não teve direito a grandes prestações nem a qualquer golo. Por isso mesmo regressou rapidamente aos Estados Unidos, onde retornou à forma irrepreensível que lá lhe era característica.

Ainda assim, ver-se-ia emprestado novamente logo de seguida, em 2010, ingressando na Premier League, ao serviço do Everton. Em Inglaterra, conseguiu, apesar de tudo, números melhores que os que produziu na Alemanha, mas continuavam bem longe das marcas dos 30 jogos e das dezenas de golos que quase sempre arrecadava na MLS.

O empréstimo aos toffies voltou mesmo a repetir-se, em 2012, mas já tinha ficado bem claro que a Califórnia era a sua verdadeira casa, pelo que, regressado em 2012, não mais de lá saiu.

Pelo caminho, as prestações na seleção dos EUA acumulavam-se, juntamente com os títulos da Gold Cup, somando mais dois troféus desta prova, em 2007 e 2013. Em 2014, era já o jogador com mais golos de sempre, quer na seleção nacional, quer no LA Galaxy, ficando mais que comprovado o seu estatuto de lenda do futebol norte americano.

Nesse mesmo ano, após mais uma campanha de sucesso, que viu os Galatics a ser coroados campeões nacionais pela quinta vez, Landon Donovan decide por um termo à sua carreira, com 32 anos. A reforma, no entanto, acabaria por não durar muito.

Duas épocas depois, vendo o plantel cheio de lesões à entrada para os play-offs, o clube propôs ao jogador o seu regresso para o final da temporada… e Donovan regressou mesmo. Ao fim de dois anos fora dos relvados, o ícone do futebol nacional somou alguns minutos em algumas partidas, provando-se decisivo no encontro com o Sporting KC, em que marcou o golo do empate, ao cair do pano, que seria, de resto, o seu último golo oficial.

O regresso ao jogo parece ter dado um último folgo à sua carreira, acabando por ainda assinar pelo Club León, do México. Após oito jogos pelos Esmeraldas, pendurou, de vez, as botas, agora com 36 anos.

Muitos golos, muitos títulos (individuais e coletivos) e, sobretudo, uma dedicação e lealdade enorme ao seu país e ao clube da sua “terra”. Foram estas e muitas outras as características que fazem de Donovan, para muitos, o melhor jogador norte americano de todos os tempos, pese embora nunca se ter afirmado no velho continente.

 

Imagem: LA Galaxy (Facebook)

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.