Muralha defensiva do PSG confirma passagem aos quartos

O Parque dos Príncipes foi hoje o palco da segunda mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões entre o PSG e o Barcelona. Após a primeira mão ter terminado com uma goleada parisiense em Camp Nou por 1-4, o PSG carimbou a passagem aos quartos de final da prova milionária empatando a uma bola no segundo jogo contra os culés, com golos de Mbappé e Lionel Messi, que ainda viu Keylor Navas defender-lhe uma grande penalidade. 

Mauricio Pochettino apresentou um onze com: Keylor Navas na baliza; Florenzi, Marquinhos, Kimpembe e Kurzawa no quarteto defensivo; Idrissa Gueye, Leandro Paredes e Marco Verrati no meio campo e uma frente de ataque com Julian Draxler, Kylian Mbappé e Mauro Icardi.

Ronald Koeman levou a jogo uma formação com: ter Stegen na baliza; Dest, Mingueza, Lenglet e Jordi Alba no setor defensivo; Sergio Busquets, Frenkie de Jong e Pedri no meio campo e Ousmane Dembélé, Lionel Messi e Antoine Griezmann no ataque blaugrana.

O Barcelona iniciou a partida naturalmente em busca de golos, perante a considerável desvantagem que tinha pela frente. Os culés tomaram as rédeas do encontro desde cedo e, fosse através de arrancadas pela faixa, passes curtos pelo meio, trocas posicionais e combinações, tudo era método aceitável para tentar chegar mais perto das redes de Keylor Navas. Messi e Ousmane Dembélé foram quem assumiu o destaque nesta fase do encontro, com primeiro o astro argentino a cobrar um livre direto após uma dura falta de Kurzawa sobre o extremo francês que não passou muito longe da barra da baliza do PSG e depois Dembélé a fazer um remate rasteiro e com falta de potência que acabou nas luvas seguras de Navas. Perante o jogo de paciência do Barça, o PSG mantinha-se organizado e eficaz em termos defensivos e pronto a tentar ferir os visitantes com lances de contra-ataque, tentando fazer uso da rapidez e capacidade de drible de Mbappé. O Barcelona, correndo atrás do prejuízo da primeira mão, era dono e senhor do esférico e o PSG não parecia incomodado com isso, apesar de Dest ainda ter causado um “susto” aos 22 minutos com um remate potente que embateu com estrondo na barra da sua baliza, após uma defesa de grande nível de Navas.

Até que, aos 28´, um erro aparentemente involuntário de Lenglet fez com que a passagem da sua equipa, se já era muito complicada, ainda se tornasse mais improvável. O central francês acabou por pisar o tornozelo de Icardi dentro da sua grande área num lance inofensivo da turma parisiense, com o árbitro a assinalar a grande penalidade após rever a ocorrência no VAR. A partir da marca dos 11 metros, Kylian Mbappé não desperdiçou e para além de ter marcado o seu quarto golo ao longo das duas eliminatórias frente ao Barcelona, alargou o agregado das duas partidas para 5-1.

Kylian Mbappé marcou quatro golos frente ao Barcelona ao longo das duas mãos

O Barcelona demonstrava sinais de atordoamento pelo golo sofrido e, em necessidade de uma força extra para ainda acreditar numa eventual passagem aos quartos de final, apareceu, quem mais, Lionel Messi. Aos 36´, o argentino lançou um autêntico remate “do meio da rua” à entrada da área parisiense que fuzilou completamente a baliza de Keylor Navas e trouxe um pequeno sinal de crença revigorado à sua equipa para o que restava da eliminatória (ver em baixo). Ainda antes do intervalo, Busquets também ameaçou a reviravolta no marcador, mas Navas fechou a porta e impediu que o remate do espanhol fosse para dentro da sua baliza. Do lado de Paris, o conforto defensivo já não era o mesmo do registado na fase inicial do encontro, mas Mbappé continuava a ser incansável nas suas arrancadas em contra-ataque, ainda que ter Stegen não tivesse sido verdadeiramente testado pelo francês no decorrer do primeiro tempo.

Ao cair do pano do intervalo, houve mais um momento para Messi ganhar protagonismo, só que desta vez Navas fechou a baliza a sete chaves. O extremo foi chamado à conversão de uma grande penalidade após Kurzawa ter feito falta sobre Griezmann ao tentar aliviar uma bola da sua área, mas apesar de ter atirado com força, o guardião do PSG adivinhou o lado do remate de Léo e defendeu o esférico, que ainda bateu na barra após a defesa do costa-riquenha.

No segundo tempo, o Barcelona estava mais apressado que nunca em chegar a um golo que desse mais uma dose de crença numa remontada, mas o PSG, quiçá galvanizado por não ter sofrido o golo perto do intervalo, estava de volta à coesão que já tinha demonstrado no ínicio do jogo, por mais que Dembélé e Messi tentassem encontrar espaço para rematar à baliza. Mbappé, por outro lado, permanecia isolado nas suas tentativas de responder ao caudal ofensivo do Barça e Pochettino lançou, aos 60´, Di María para o lugar de Draxler com vista a trazer mais algum acompanhamento ao avançado gaulês, após já ter retirado o amarelado Kurzawa e Gueye de campo e posto Diallo e Danilo Pereira em jogo de forma a trazer mais frescura defensiva e evitar mais calafrios perto da sua baliza.

Já Koeman lançou mais um homem ofensivo e bem conhecido por terras lusas para tentar arrancar mais um golo para a sua equipa, Francisco Trincão, que entrou para o lugar de Dest. Porém, os minutos passavam e a missão blaugrana tornava-se cada vez mais impossível à medida que o relógio avançava, com um PSG a mostrar-se impenetrável no seu setor defensivo, mesmo que para isso tivesse de abdicar de atacar por completo. Ainda antes de Florenzi ter sido obrigado a abandonar o terreno de jogo devido a problemas físicos para a entrada de Colin Dagba, o Barça obrigou Keylor Navas a um novo teste para os seus reflexos no seguimento de um canto em que Busquets, de costas para a baliza, cabeceou com perigo e ainda houve tempo para Trincão ver Danilo impedir que uma “bomba” sua fosse parar na direção da baliza parisiense.

A dez minutos do final, Miralem Pjanić, Ilaix Moriba e Braithwaite também foram lançados para o campo, numa jogada de “tudo ou nada” por parte de Koeman, mas o caminho até ao golo nem por isso pareceu mais perto, que o diga Griezmann, que aos 84´, tentou um remate potente à entrada da área a finalizar uma jogada coletiva que apenas terminou na bancada do Parque dos Príncipes. Aos 90´, quando já nem o próprio Barça acreditava realisticamente num resultado favorável na eliminatória (apesar de nunca deixar de atacar até ao apito final), Mbappé teve nos pés a oportunidade de selar a derrota do adversário, mas o remate do francês acabou por sair muito por cima e desenquadrado com a baliza. A tentativa de remontada acabou mesmo por pecar por escassa e por não passar disso mesmo, também muito graças a uma exibição de “ouro” de Keylor Navas e à solidez defensiva apresentada pela defesa parisiense. Com o apito final do juiz Anthony Taylor ficou selada assim a passagem do Paris Saint-Germain aos quartos de final da Champions League e a despedida do Barcelona da prova milionária.

Com o empate a uma bola no Parque dos Príncipes, o PSG vence a eliminatória dos oitavos frente ao Barcelona com um agregado de 5-2 e segue, junto com o FC Porto, Borussia Dortmund e Liverpool para a próxima fase da Champions League. Já o Barcelona junta-se a Juventus, Sevilha e RB Leipzig na lista de turmas eliminadas da prova, faltando salientar um dado interessante no que toca à era de reinado de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi no topo do futebol europeu: esta é a primeira época, desde 2004/05, que nenhum dos dois consegue passar dos oitavos de final da liga milionária.

Fonte das imagens de capa: Twitter @KMbappe, @ChampionsLeague, ESPNBrasil

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.