Sporting desinspirado segura liderança do campeonato

O Sporting jogou hoje a última partida do dia no estádio João Cardoso contra o Tondela. Num jogo que nunca chegou a arrancar totalmente, Tiago Tomás destacou-se ao marcar o único golo da partida.

Hoje, 13 de março, o Tondela recebeu o Sporting em casa, numa partida a contar para a 13ª jornada da liga.

O Sporting e o Tondela têm história juntos, e é o tipo de história que deixa os fãs de ambas as equipas assustados um do outro, enquanto deixa os neutros à espera de mais um jogo cheio de drama. 

Alguns highlights das partidas entre ambos: O 2-1 com um penalty aos 96 minutos em 15/16, que foi pago a dobrar quando, na segunda rodada e em Alvalade, o Tondela empatou 2-2, um resultado que viria a ser crucial na perda do título por parte do Sporting. Ou a vitória por 1-2 no João Cardoso do Sporting – com um golo aos 90+9 de Coates. Ou as vitórias por 1-0 e 2-1 do Tondela, uma delas a jogar com menos um e com um golaço de trivela de Tomané – esse último sendo um resultado que ajudou o Tondela a sobreviver à descida na última jornada da liga.

O nível de imprevisibilidade do jogo apenas continuava a aumentar tendo em conta o recorde único do Tondela esta época – Em casa, encontrava-se em 6º lugar com 23 pontos. Sete jogos ganhos, dois jogos empatados e dois jogos perdidos. À frente de clubes como o Santa Clara e o Vitória Sport Clube. Fora, no entanto, encontravam-se em último, com apenas um ponto em 11 jogos – um empate a uma bola com o Gil Vicente. E embora não estivessem em perigo de descida, o número curto de pontos a separar as equipas da linha de água e os últimos 10 significa que até o empate seria um bom resultado para o conjunto da Beira Alta.

O Tondela entrou na partida com um 5-4-1 e a intenção foi óbvia desde o início – impedir que o Sporting apostasse na profundidade e a procura de contra-ataques rápidos pelas alas, aproveitando-se das deficiências defensivas dos defesas leoninos. Na baliza, o experiente Pedro Trigueira. Nas alas, Khacef e Tiago Almeida, com Yohan Tavares, o capitão Ricardo Alves e Filipe Ferreira a fortalecer a defesa. No meio campo, uma linha de quatro com os rápidos Roberto Olabe e Jhon Murillo nas alas, e um núcleo sólido no miolo com João Jaquité e João Pedro. À frente, o móbil e lutador Mário González.

O Sporting, pela sua vez, demonstrou que em equipa que ganha não se mexe – Adan à baliza, linha de três centrais com Feddal, Coates e Gonçalo Inácio, Nuno Mendes e Porro nas alas com Palhinha e João Mário a segurarem o meio campo e a mesma linha de ataque do costume – Nuno Santos na esquerda, Tiago Tomás no meio e Pedro Gonçalves na direita, a cortar para dentro.

Aos 15 minutos Pedro Porro tabelou com Pedro Gonçalves e depois de muita luta com o defesa oposto, conseguiu segurar a bola na linha. Mas o cruzamento, que tinha tudo para ser perigoso, foi cortado ao primeiro poste de forma excelente por parte de Filipe Ferreira.

Pouco tempo depois foi a vez do Tondela contra-atacar, com uma excelente combinação entre Khacef e González na profundidade a permitir que o lateral ganhasse a posição nas costas de Inácio, com apenas uma boa saída de Adan a impedir o golo de uma fonte inesperada.

Na jogada seguinte, um bom cruzamento de João Mário encontrou Pedro Gonçalves no segundo poste, que amortizou a bola para Tiago Tomás. O jovem ponta de lança entrou com tudo, mas o remate foi bloqueado por uma boa interseção de Ferreira, na altura certa.

João Pedro e Nuno Santos trocaram remates de primeira, ambos inofensivos, um para cada lado. Ambas as equipas estavam a fazer um bom trabalho a reduzir as chances dos adversários através de defesas sólidas e no caso do Tondela, um bom sistema de marcação homem-a-homem que impediu que Nuno Santos, Pedro Gonçalves e Tiago Tomás brilhassem. O sistema de três centrais permitiu a que o conjunto caseiro metesse um defesa em cada homem do Sporting, tratando assim de limitar a sua ameaça.

Para além disso, o conjunto de Tondela limitou muito o Sporting na primeira fase de construção – muitas vezes obrigando os Leões a partirem para a bola longa, obrigando-os a jogar de uma forma mais direta em vez da preferida pela defesa (especialmente com os alas).

Perto do fim da primeira parte o Sporting teve uma oportunidade de bandeja – uma jogada de insistência de Nuno Santos permitiu a Porro o espaço necessário para um cruzamento em arco – a bola saiu tensa e com intenções de golo, mas Tiago Tomás não conseguiu controlar o cabeceamento – com a bola a sair por cima da barra da baliza de Trigueira.

Ambas as equipas foram para o balneário a zeros – com o Tondela a fazer um bom trabalho a condicionar os Leões tanto na construção como na defesa, a não deixar o clube Leonino apostar na profundidade como de costume, mas também sem grandes oportunidades de ataque, mostrando-se contentes com o empate nulo ao intervalo.

Logo no início da segunda parte o Tondela saiu muito mais agressivo após uma excelente recuperação de bola com um corte exímio sobre Feddal, Jhon Murillo mete uma bola tensa para dentro da área – mas ninguém consegue fazer o toque final. Uma ameaça do Tondela a quase conseguir apanhar os Leões “a dormir”.

Aos 60 minutos um cruzamento rasteiro por parte de Pedro Porro acabou na cabeça de Coates, mas Trigueira mostrou-se rápido a pensar e conseguiu socar a bola para longe antes que o central Uruguaio continuasse a sua veia marcadora. 

Logo depois, Nuno Santos foi substituído por Daniel Bragança. Do lado oposto, Khacef – o criador da chance de maior perigo do Tondela até ao momento – foi substituído pelo veterano Salvador Agra, enquanto Enzo Martinez entrou para o lugar de Ricardo Alves.

Com o jogo meio morto, deu-se uma tentativa por parte de Amorim de tentar animar a equipa – com as entradas de Jovane, Matheus Reis e Tabata por João Mário, o recém-retornado por lesão Pedro Porro e Zouhair Feddal, central cujo jogo passou ligeiramente ao lado. Do lado do Tondela, João Jaquité cedeu o Espanhol Jaume Grau.

Aos 78 minutos Tabata bateu o defesa no 1v1 e fez um excelente cruzamento em arco para o segundo poste, mas Jovane não conseguiu chegar a tempo, falhando o cabeceamento por milímetros, com a bola a sair pela linha final.

E depois, como tão comum nesta época para os Leões, uma boa abertura de flanco deu espaço a Nuno Mendes para cruzar. O talentoso lateral meteu a bola exatamente onde queria – nos pés de Pedro Gonçalves, que voltou a fazer a mesma jogada com Tiago Tomás que fez na primeira parte. Com uma ligeira diferença, no entanto – Tiago Tomás estava livre e, sozinho contra o guarda-redes, não deu hipótese para Pedro Trigueira, com um remate em força para o teto da baliza. Tondela 0-1 Sporting (Tiago Tomás, 81).

Logo depois do golo, Matheus Nunes entrou por Pedro Gonçalves para tentar segurar o resultado. O Tondela ficou ainda mais ofensivo e conseguiu alguns remates à baliza, mas inofensivos e rasteiros, defesas fáceis para um Antonio Adán seguro. 

O Tondela continuou a ameaçar e a bater à porta da baliza Sportinguista, mas Adan especialmente mostrou toda a sua experiência ao sair da bola para recuperar as bolas livres e a dar a segurança necessária a uma defesa que ficou tremida depois de recuar após o golo.

O resultado ficaria assim até ao fim – o Tondela lutou e tentou mudar, como seria de esperar de uma equipa que constantemente dá luta ao Sporting e que tem um registo quase imaculado em casa – mas não conseguiu impedir a vitória dos Leões. Uma vitória um pouco pobre do Sporting, que apenas começou a ameaçar a baliza do Tondela a sério com as substituições de Jovane Cabral e Daniel Bragança, que mudaram a partida. 

O Sporting confirma assim a sua vantagem no topo da liga – com 12 pontos de distância do Braga que apenas joga na segunda, dia 15. Por sua vez, o Tondela continua cinco pontos acima do playoff de descida. O próximo jogo de ambas as equipas será contra o Santa Clara, fora, no dia 20 de Março no caso do Tondela. No caso do Sporting, a próxima partida será em casa contra o Vitória SC, no mesmo dia.

 

Fonte da Imagem: O Jogo

Nuno Tavares

No dia 15 de Março de 2012 tive o prazer de ver o Sporting a eliminar o Manchester City e pensei "isto do futebol é giro, gosto". A partir daí nunca mais consegui parar. Sportinguista (e Borusse) de nascença. Fã de Futebol Alemão e Espanhol. Licenciatura em Ciências da Comunicação no ISMAI.