Seleção deixa escapar vantagem de dois golos em segunda parte desinspirada

Num jogo com duas partes completamente diferentes, Portugal empatou duas bolas a duas em Belgrado sendo que o jogo fica marcado por um lance polémico no último lance da partida onde parece que o remate de Cristiano Ronaldo passou totalmente a linha de golo antes de ser cortada por um jogador sérvio.

Fernando Santos, no seu milésimo jogo como treinador, promoveu  6 alterações em relação à equipa que defrontou o Azerbaijão, com Anthony Lopes a defender as redes nacionais, um quarteto defensivo composto por  Cédric, José Fonte , Rúben Dias e João Cancelo, na esquerda como costuma jogar no Manchester City, meio-campo completamente novo composto por Danilo Pereira, Sérgio Oliveira e Bruno Fernandes e no Diogo Jota, Bernardo Silva e Cristiano Ronaldo num ataque com bastantes trocas posicionais ao longo da partida.

Já a seleção sérvia apresentou-se num 3x5x2 com Dmitrovic na baliza, Milenkovic, Stefan Mitrovic e Pavlovic no trio defensivo que se tornava num quinteto quanto os alas Lazovic e Kostic desciam para fechar os corredores, meio-campo composto po Milinkovic-Savic, Gudelj e Tadic, bem conhecidos do futebol europeu e a dupla de ataque formada por Vlahovic e Aleksandar Mitrovic, de regresso ao onze inicial depois de na quarta-feira ter saído do banco para marcar dois golos fulcrais na vitória 3-2 sobre a República da Irlanda.

A primeira parte começou com ambas as equipas a tentar criar perigo sendo que a seleção portuguesa foi a primeira através do inevitável Cristiano Ronaldo que rematou por cima. Aos 10´ surgiu o primeiro golo da partida com Diogo Jota a finalizar de cabeça no segundo poste um belo cruzamento de Bernardo Silva, depois de uma transição rápida da equipa lusa comandada por Ronaldo. Ao longo dos primeiros 45 minutos, destacaram-se Bernardo e Jota, que exploravam o espaço deixado pelos alas sérvios que se aventuravam no ataque e não recuperavam a tempo sendo que aos 36` o extremo-direito do City aproveitou esse adiantamento e que encontrou sozinho Cédric Soares sozinho na direita. O lateral direito do Arsenal aproveitou o espaço deixado por Kostic e cruzou para o centro da área onde estava Jota que voltou a marcar de cabeça e ampliou a vantagem portuguesa no “Maracanã” de Belgrado.

A primeira parte terminava então com uma vantagem de dois golos de Portugal, que se destacava pela sua máxima eficácia-dois remates à baliza, dois golos- e sua incapacidade de materializar a posse de bola em jogadas organizadas de perigo. Do outro lado, a Sérvia não incomodou muito a defesa forasteira, excetuando pequenas incursões de Kostic e Lazovic pelas alas mas que apenas resultavam em cruzamentos sem seguimento.

Na segunda parte foi tudo diferente e tudo começou quando, 34 segundos volvidos na segunda parte, os sérvios reduziram a vantagem lusa através de Aleksandar Mitrovic que respondeu de cabeça a um belo cruzamento do recém-entrado Radonjic a justificar  desde logo a opção do treinador de Dragan Stojkovic que o colocou no corredor direito de forma a explorar o facto de João Cancelo ser lateral direito de origem e não ser apoiado defensivamente por Diogo Jota.

Nos primeiros 15 minutos desta segunda parte, viu-se uma equipa da casa em crescendo, a criar perigo e a encostar Portugal ás cordas destacando-se uma defesa extraordinária de Anthony Lopes a um volley de Dusan Tadic aos 52` sendo que no pontapé de canto correspondente foi Milinkovic-Savic a criar perigo ao pentear uma bola que passou perto da baliza portuguesa. Entretanto, nota também para Bruno Fernandes que, por travar um contra-ataque, viu cartão amarelo nesta partida e não poderá jogar a próxima jornada de qualificação no Luxemburgo. Aos 60´ os sérvios chegaram mesmo ao empate através de uma transição ofensiva rápida em que Tadic correu uns bons metros antes de lançar Radonjic na velocidade que, com um passe diagonal, fez a sua segunda assistência no jogo ao isolar Kostic, que, na cara do guarda-redes do Lyon, não tremeu e fez o 2-2 na partida.

Dois golos em 15 minutos eram a prova de que as alterações feitas por Stankovic estavam dar frutos com o extremo do Marselha a ser mesmo o melhor em campo do lado da equipa dos balcãs. Contudo, o domínio não ficou por aqui sendo que cortes de José Fonte,p rimeiro, e Rúben Dias depois, evitaram a reviravolta completa que voltou a ser ameaçada quando Radonjic ganhou na velocidade a Cancelo e obrigou Lopes a mais uma grande defesa.

Apesar das dificuldades defensivas evidentes do lateral do Manchester City no corredor esquerdo e de ter perdido, inclusive, o controlo do meio-campo na segunda parte, Fernando Santos só fez alterações pela primeira vez depois dos 70 minutos, com Renato Sanches e Nuno Mendes a entrarem para os lugares de Sérgio Oliveira e Nuno Mendes. Esta abordagem mais para recuperar o equilíbrio defensivo da equipa do que para procurar a vantagem, não surtiu o efeito esperado sendo que a equipa portuguesa continuou sem ideias numa segunda parte, toda ela bastante fraca por parte da equipa das quinas em que nem o talento individual conseguiu fazer a diferença.

Já depois do minuto 90, Milenkovic foi expulso depois de uma entrada dura sobre Danilo Pereira, antes do lance mais polémico da partida:  após um “chutão” de Nuno Mendes para dentro da área, Cristiano Ronaldo antecipou-se a Dmitrovic e atirou rasteiro na direção da baliza  antes de Stefan Mitrovic fazer o corte em cima da linha que repetiu logo a seguir, depois de novo remate, agora de Bernardo Silva. Contudo, pelas repetições televisivas parece que, no remate do capitão da seleção, a bola já tinha passado a linha de golo, levando a bastantes protestos portugueses que não foram atendidos pelo árbitro da partida, que considerou mesmo não haver golo, mantendo-se o empate até ao fim.

Portugal está então no segundo lugar do grupo A com os mesmos 4 pontos da líder Sérvia sendo que terça feira volta a jogar, desta feita no  no Luxemburgo, que foi ganhar 1-0 à Irlanda e situa-se no terceiro lugar do grupo para a qualificação para o Mundial de 2022, que se realizará no Qatar.

 

Fonte da imagem: Jornal Record