Porto v Santa Clara: estrelinha Toni ao resgate

O Porto regressava ao campeonato com um adversário duro pela frente: após o circo (vitorioso, no entanto) em Portimão, pelo qual Sérgio Conceição pediu desculpas, o Santa Clara era, a priori, um teste de fogo que os Dragões não se podiam dar ao luxo de chumbar, não só porque o Sporting já vai um pouco longe, como porque Benfica e Braga estão à perna. O Santa Clara, por seu lado, procurava aproximar-se do Vitória de Guimarães na luta pelo acesso Conference League.

A formação portista alinhava no seu esquema habitual (4-4-2), destacando a presença de Diogo Leite e o regresso de Pepe ao eixo da defesa e a presença de Wilson Manafá na lateral esquerda, com Nanú a rendê-lo na direita; a equipa de Daniel Ramos, por seu lado, apresentou-se, no papel, num 4-2-3-1, mas condicionado pelo pendor defensivo que o jogo pedia, transformando-se muitas vezes numa espécia de 5-3-2 ou 5-4-1 na tentativa de anular o poderio do Porto pelas alas.  O jogo avizinhava-se promissor, e apesar da falta de oportunidades gritantes, o ritmo foi alto desde início: Carlos Júnior até marcou para o Santa Clara ao minuto 8, na sequência de um canto, mas estava ligeiramente adiantado. O Porto ia tentando apanhar a turma açoriana no contra-pé, mas sem efeito: Sérgio Oliveira teve de tentar a sua sorte de longe pelo minuto 15, para defesa relativamente fácil de Marco.

Por volta do minuto 20, o jogo assentou e o Porto começou a ganhar força. Por seu lado, o Santa Clara retraiu-se mais e permitiu à equipa visitada o alojamento no seu próprio meio-campo. Mas os açorianos por pouco não surpreenderam, aproveitando a apatia do Porto: ao minuto 25, Nenê apareceu desmarcado na sequência de um livre longo e desviou ao segundo poste, obrigando Marchesin a desviar para canto. Ambas as equipas procuravam surpreender ou na sequência de cruzamentos longos ou de livres, dado o impasse tático em curso. Sérgio Oliveira, com um livre muito favorável ao minuto 35, procurou uma movimentação diagonal de um colega em vez de rematar: foi uma decisão que se provou errada, perante a surpresa de alguns dos colegas, e tendo em conta que a bola saiu para pontapé de baliza.

O resto da primeira parte foi particularmente pacato: o Porto procurava atacar com incisão a esquemática defensiva do Santa Clara, recorrendo muitas vezes à invenção de Luís Diaz para quebrar o enguiço; o Santa Clara procurava surpreender no contra-ataque e, com possibilidade para tal, sair a jogar de trás. Destaca-se ao minuto 38, após bom passe tenso de Lincoln, o remate de Carlos Júnior, intercetado por Diogo Leite.

A segunda parte começou de feição para o Porto: ao minuto 48, Otávio encontra Taremi nas costas da defensiva açoriana, e perante Marco, o iraniano tenta contorná-lo, mas é derrubado. Sérgio Oliveira foi chamado a mais uma intervenção no castigo máximo e cumpriu. De forma a compensar, Marchesin decidiu ser amigo da equipa açoriana e, com uma abordagem inconcebível, num lance perfeitamente controlado, meteu Pepe no chão, e com a baliza escancarada, Diogo Leite derruba Lincoln. Chamado a converter, Carlos Júnior empatava a partida. Ao minuto 59, após um belíssimo passe picado de Uribe, Taremi encontra-se completamente sozinho mas decide afastar a bola como se fosse um defesa contrário.

Perante o impasse, Sérgio Conceição procurou dar mais criatividade à equipa e lançou, ao minuto 66, Corona para o lugar de Nanú e Fábio Vieira para jogar no apoio a Taremi, sacrificando Nanú e Marega. Ao minuto 70, Manafá encontra Luís Diaz por dentro e o colombiano mete o defesa no chão e encontra Fábio Vieira no meio, mas o remate do jovem portista saiu desviado para canto, que não foi aproveitado. O jogo manteve mais ou menos as mesmas dinâmicas após o empate: o Porto procurava, porém, um pouco mais o meio, e o Santa Clara procurava sair longo ou, perante a impossibilidade, procurar perder um pouco de tempo ao manter a posse de bola. No entanto, o segundo classificado foi crescendo cada vez mais perante a impotência da equipa visitante perante a avalanche ofensiva, mostrando maior displicência tanto a atacar como a defender. Ao minuto 76, Daniel Ramos lançou Costinha na partida, sacrificando Ukra, numa tentativa de refrescar e estancar a ala direita do Porto. Por seu lado, Francisco Conceição rendeu Sérgio Oliveira, de forma a dar ainda mais vertigem ao jogo dos Dragões.

Lincoln, ao minuto 82, encontra de novo Carlos Júnior, que remata para defesa apertada de Marchesín, mas em fora de jogo. Na jogada seguinte, Corona cruza teleguiado para a pequena área, onde Taremi estava pronto para finalizar: nem na bola acertou. Numa última cartada, Conceição mete a carne toda no assador e lança Toni Martinez e Evanilson, sacrificando Luís Diaz e Taremi. Daniel Ramos lançou, por sua vez, João Lucas, que rendeu Lincoln. No preciso momento da substituição, ao minuto 88, o lateral Rafael Ramos pede para sair, coxeando. O Santa Clara já não tinha alterações depois dessa. O Porto já estava completamente acampado no meio campo açoriano, procurando a todo o custo o golo, e já com Pepe a atacar a área. Corona e Francisco procuravam, no um para um, inventar qualquer coisa. Os jogadores do Santa Clara procuravam perder tempo ou com lesões ou com retenção da posse no meio campo adversário.

O Porto bateu e bateu e acabou por furar: Corona chegou primeiro a uma bola perdida na ala do que o “coxo” Rafael Ramos, e cruzou picado já dentro da grande área para Toni Martinez, no último suspiro ao minuto 96, cabecear colocado para dar três pontos importantíssimos ao Porto na luta pelo segundo lugar, e também na tentativa de alcançar o primeiro. Apesar da exibição pouco convincente, o Porto poderia ter ganho por uma margem mais confortável se não fosse pelos falhanços inexplicáveis de Taremi. O Santa Clara, por sua vez, sucumbiu e vê a luta pela Conference League ficar mais apertada.

Fonte da imagem: Pedro Nunes/Reuters