FC Porto vs Chelsea: um Evereste enorme por escalar

Debaixo dos holofotes da liga milionário, um grupo de dragões destemidos procurou em Sevilha voltar a fazer história e reforçar a sua posição de tomba gigantes contra o colosso Chelsea.

Em comparação com a equipa inicial que venceu o Santa Clara no último sábado, Sérgio Conceição apostou em Grujic, Zaidu, Mbemba e Corona para os lugares de Sérgio Oliveira, Nanu, Diogo Leite e Taremi. Por sua vez, Tuchel deixou Ziyech de fora e fez entrar Mount, uma das figuras dos “blues” esta época, destacando-se ainda a entrada de Chilwell e a condição de suplente de Thiago Silva.

Desde cedo que se viu um Porto atrevido, numa busca incansável de dificultar a saída com bola do adversário. Apesar da posse de bola superior do Chelsea nos minutos iniciais, era o Porto que se aproximava com mais perigo da baliza contrária.

Aos 12 minutos, Uribe dominou o esférico à entrada da área e rematou de primeira, passando a centímetros da baliza defendida por Mendy.

Era notório que os comandados de Conceição se encontravam em crescendo na partida, impossibilitando as diversas tentativas do Chelsea em causar oportunidades de verdadeiro perigo para a baliza de Merchesín. E à medida que tornava mais lentas as operações ofensivas inglesas, o Porto ia causando estragos na outra ponta do campo.

Aos 24 minutos, Otávio, de canto direto, obrigou Mendy a uma defesa apertada e na recarga Zaidu atirou para a bancada.

Perante as dificuldades em construir jogo coletivamente, o Chelsea acabaria por marcar fruto de uma antecipação errada de Zaidu e do talento de Mount. Solto na área portista, o jovem médio inglês atirou rasteiro e cruzado para o fundo das redes.

Ainda antes do final do primeiro tempo, Pepe quase dava o melhor seguimento ao canto de Otávio, mas permitiu a defesa de Mendy.

No regresso dos balneários, tirando um cabeceamento de Werner logo a abrir, assistiu-se a um recital de desperdício azul e branco.

Primeiro, com Marega a desperdiçar uma assistência de Manafá que o deixou cara a cara com Mendy. Depois Díaz, à entrada da área, falhou o empate aos 57 minutos.

Com o Chelsea encostado às cordas, Marega ganhava em termos físicos aos defesas da equipa inglesa. O maliano viria a reclamar penálti num lance com Azpilicueta, falta que o árbitro não viu.

Quem não marca sofre e o futebol é um mundo muito cruel. Depois do remate ao poste de Pulisic aos 84 minutos, Chilwell tirou o melhor proveito de um erro craso de Corona e sentenciou a partida no seu resultado final, 2-0.

Num duelo entre David e Golias, o FC Porto perdeu por um resultado que não condiz com a exibição de alto gabarito dos campeões nacionais em título. Sem grande coesão coletiva, os homens de Tuchel vão em vantagem para a 2ª mão graças ao talento individual de alguns jogadores e a momentos azarados dos jogadores de uma equipa que, no maior dos palcos, se superiorizou aos ingleses em todos os aspetos.

Foi um tropeção injusto na escalada intensa do Evereste europeu. Resta a agora a fé numa recuperação lendária no campo de batalha sevilhano.

Fonte da imagem: FC Porto Twitter/@FCPorto