Quem te viu e quem te vê… Victor Wanyama

Nasceu num país onde o futebol não é rei, mas fez história na modalidade, ao tornar-se o primeiro da sua nação a jogar na mítica Liga Inglesa, sendo também um dos mais influentes de sempre na seleção nacional. Recentemente, deixou Inglaterra, com alguma surpresa à mistura. O que aconteceu a Victor Wanyama?

É natural de Muthurwa, perto de Nairobi. Num país onde a maioria luta por um lugar nas grandes maratonas e corridas dos jogos olímpicos, Wanyama andava 10km todos os dias…para jogar à bola com amigos, na capital. Com 16 anos, já se mudara para a Suécia, para um dia vir a ser profissional do futebol. Chegava, assim, à Europa, pela mão do Helsingborgs IF. O ano era 2007.

Da Escandinávia partiu para Antuérpia, capital belga, mais concretamente para o Beerschot AC, emblema onde concluiu a formação e pelo qual fez a sua estreia ao mais alto nível, na primeira liga local. Por lá se deixou ficar, assumindo a titularidade, até que lhe chegou nova proposta, desta vez da Escócia. Era, nem mais nem menos, que o velho conhecido Celtic.

Em Glasgow continuou a brilhar, estreando-se nas competições europeias e ajudando os Celts a reconquistar o campeonato ao eterno rival, os Rangers. No ano seguinte, conseguiu o seu melhor registo até hoje, jogando em 43 partidas e apontando nove golos, um dos quais diante do Barcelona, num dos jogos mais chocantes da Liga dos Campeões de 2012/13 (leiam aqui a nossa rubrica sobre esta partida histórica).

No final da segunda época em solo escocês, o Celtic conseguiria a dobradinha, sagrando-se bicampeão e conquistando a FA Cup. Curiosamente, foi em Glasgow que Wanyama conquistou todos os seus títulos coletivos, até ao momento. Por esta altura, também já se estreara pela seleção nacional queniana há muito. Marcou o primeiro golo frente a Angola, em 2011, numa partida em que, curiosamente, acabaria expulso.

Em 2013/14, Victor Wanyama faria história, ao tornar-se no primeiro jogador do Quénia a jogar na Premier League de Inglaterra. Muitos foram os clubes a procurá-lo, mas o feliz contemplado acabou por ser o Southampton. Jogou três anos nos Saints, antes de se mudar para Londres, onde representou o Tottenham, ao longo de outras três temporadas. Em ambos os clubes, assumiu a titularidade sem grandes problemas, ainda que os últimos anos na capital inglesa tenham sido marcados por uma série de lesões.

Apesar das mazelas que a idade lhe foi trazendo, pouco ou nada fazia prever que, em 2020, Victor Wanyama não renovasse contrato com o emblema londrino. Ainda se especulou um regresso ao Celtic, mas o atleta acabou por rumar…aos Estados Unidos da América, assinando um contrato de três anos com o Montréal. Foi uma saída algo chocante, numa altura em que o africano estava muito perto de completar 100 jogos oficiais pelo Tottenham (foram 97, no total).

No Canadá, Victor juntou-se à equipa orientada por Thierry Henry, numa tentativa dos nortenhos de conquistar, pela primeira vez, o título da MLS, mas acabariam por não ir além dos playoffs. Apesar de tudo, Wanyama conseguiu voltar a atuar com regularidade, superando as lesões que o assombraram em Londres e jogando os 90 minutos em todas as partidas, até ao momento.

Os seus dias de glória podem estar praticamente contados, mas Wanyama será para sempre adorado por muitos, sobretudo no seu país, onde, naturalmente, continua a servir de inspiração para milhares de jovens quenianos. Até já teve direito a um filme. Vejamos quantos episódios restam na sua carreira.

 

Imagem: CF Montréal (Facebook)

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.