Regresso da Liga dos Campeões e do melhor futebol

A Liga dos Campeões é indubitavelmente uma das maiores competições do mundo, acolhendo os melhores clubes da Europa. E, numa fase tão adiantada como são os quartos de final, com as melhores equipas da época focadas na conquista do troféu, todos os jogos são de alto nível.

Real Madrid 3 – 1 Liverpool

O Real Madrid recebeu e venceu o Liverpool num jogo maioritariamente de sentido único. Como habitual o clube sentiu-se bem num jogo de extrema importante. Zidane montou bem o plano de jogo e os merengues souberam aproveitar e exacerbar as dificuldades sentidas pela equipa de Jurgen Kloop nesta temporada.

As três ausências na defesa (Sergio Ramos, Varane e Carvajal foram substituídos por Nacho, Militão e Lucas) não foram sentidas e o meio campo foi essencial no domínio da partida. Casemiro, Kross e Modric fizeram mais uma exibição de gala: um ou dois dos médios baixavam para ajudar na construção e ganhar superioridade, o que se traduzia na ineficácia da pressão dos reds. Kross fez mais uma enorme exibição e a grande assistência para o primeiro golo de Vinícius é o exemplo perfeito da influência do alemão. No entanto, o nome maior do jogo foi mesmo Vinícius Júnior. O brasileiro de 20 anos mostrou toda a irreverência que já lhe é reconhecida, conseguindo por várias vezes, fazendo uso da velocidade na condução de bola, aproveitar o espaço entre o central e o lateral. E mesmo a finalizar, onde geralmente costuma pecar, esteve bem, marcando dois dos três golos e beneficiando da passividade do Liverpool.

Na segunda volta, o Liverpool tem uma tarefa complicada pela frente, mas o passado recente já demonstrou que o clube inglês é capaz de dar a volta a eliminatórias complicadas, logo todo o cuidado é pouco para os comandados por Zidane.

Fonte da imagem: Twitter @realmadrid

Manchester City 2 – 1 Borussia Dortmund

O Manchester City parece ainda refém do receio de jogar a Liga dos Campeões, fruto das várias eliminações nos últimos anos e, apesar da vitória. não conseguiu apresentar o nível exibicional que já tem acostumado os espectadores frente a um Borussia bastante competente.

Os homens de Terzic fizeram uma boa partida e podiam ter obtido um resultado melhor não fosse o golo mal anulado a Bellingham. Mais expectantes do que o habitual, os auri-negros defenderam-se numa estrutura mais recatada, evitando pressionar muito alto, com um meio campo coeso e com os extremos a recuarem para reduzir o espaço disponível. Perante este cenário o Manchester City teve dificuldades, e, embora tivesse mais bola teve dificuldades em encontrar campo para fazer o jogo fluir. A liberdade de ação no esquema tático continuava a existir, mas a coesão defensiva do Dortmund tirou o protagonismo a jogadores como Rodri ou Cancelo. Neste contexto, sobressaíram as individualidades: Kevin de Bruyne fez mais um grande jogo, encontrando passes que rompiam linhas (o passe na origem do segundo golo é um bom exemplo), fazendo vários movimentos de rutura e arrasto dos marcadores e dando linhas de passe; e Phil Foden, inteligente na maneira de jogar e partindo da esquerda para o meio, para gerar desequilíbrios. Ambos os jogadores fizeram o seu tento, mas, pelo meio Reus marcou o golo que dá esperança ao Borussia Dortmund (destaque para Haaland pelo pivô realizado na jogada, mostrando mais uma vez qualidade muito além do instinto matador), que procura reverter o resultado.

No fim do jogo destaque ainda para uma situação caricata: o fiscal de linha aguardou no túnel pela chegada de Erling Haaland para lhe pedir um autógrafo nas cartolinas amarela e vermelha. No entanto, o pedido de Octavian Sovre  não foi um capricho pessoal e teve uma razão humanitária. O romeno é voluntário na SOS Autism Bihor, uma associação que ajuda adultos com autismo na Roménia, e os cartões serão leiloados para angariar fundos para uma causa tão nobre.

Fonte da imagem: Twitter @ManCity

Porto 0 – 2 Chelsea

A única equipa portuguesa em competição enfrentou o Chelsea em Sevilha e, apesar da superioridade evidente em toda a partida, foi batida por 2-0.

Sérgio Conceição tem preparado bem a equipa para confrontos onde, teoricamente, passará mais tempo a defender, e este jogo não foi exceção. Taticamente perfeita, a equipa do Porto mostrou-se solidária e capaz de pressionar alto. Uribe geralmente subia para ajudar Luiz Diaz e Marega na pressão sobre os três centrais do Chelsea. Face às limitações técnicas a nível da construção por parte dos três centrais, Jorginho e Kovacic foram por várias vezes obrigados a recuar no terreno para ajudar na saída à pressão. Tal estratégia impedia o Porto de recuperar a bola em terrenos avançados, mas criava outro problema ao clube londrino: o recuo dos médios retirava jogadores do centro do terreno e obrigava o Chelsea a bater a bola para a frente, muitas vezes sem critério. Muito mérito do Porto a banalizar os blues. No entanto, erros individuais custam caro em fases tão avançadas desta competição e impediram o Porto de alcançar um resultado melhor. O processo ofensivo do Porto fluía, mas a definição não foi o melhor. Dribles a mais ou a menos, passes importantes falhados e ineficácia no remate (aliada à boa exibição de Mendy) foram os carrascos de uma noite europeia que poderia ser memorável. Foram também falhas defensivas que estiveram na origem dos dois golos do clube orientado por Tuchel. O primeiro surge na sequência de uma das poucas vezes que o Chelsea conseguiu manter a posse no meio campo dos dragões. Após várias mudanças de flanco Jorginho encontrou Mount num fantástico passe que passou por toda a linha defensiva. A receção orientada do inglês foi perfeita e foi assim que surgiu o primeiro golo do conjunto londrino. No entanto, Zaidu foi superado no lance, sendo possível apontar duas falhas ao nigeriano. A primeira tem a ver com o posicionamento: o espaço entre o lateral e o defesa central era grande e permitiu a Jorginho colocar a bola para Mount sem a oposição de qualquer elemento do Porto. A segunda está relacionada com a abordagem técnica ao lance. O carrinho de Zaidu foi improfícuo na medida em que não chegou a tocar na bola e ao mesmo tempo afastou o lateral do Porto do lance. Face ao erro no posicionamento, teria sido uma melhor opção o jogador ter procurado uma aproximação a Mount e um desarme após a receção da bola. O segundo golo nasce de um erro individual de Corona. Bastante desgastado e já a jogar como lateral direito, o mexicano, que foi dos mais desequilibradores durante a partida, falhou a receção, estendendo a passadeira para Chilwell que ultrapassou Marchesin e, sem oposição, atirou para a baliza deserta.

Os erros individuais sobrepuseram-se à boa demonstração de força do coletivo. Porém, o futebol é imprevisível e, embora seja uma tarefa hercúlea, o Porto tem mais 90 minutos para tentar reverter a eliminatória.

Fonte da imagem: Twitter @ChelseaFC

Bayern 2 – 3 PSG

A reedição da final do ano passado prometia emoção e o prometido foi cumprido. Porém, ambas as equipas partiam para o jogo com ausências importantes: Gnabry e Lewandowski eram ausências determinantes e que significam golos para os germânicos, enquanto as ausências de Paredes e Verrati retiraram qualidade e capacidade de manter a bola no lado dos franceses.

A partida foi frenética com múltiplas oportunidades. Ao domínio territorial do Bayern, que jogava no meio campo do PSG, opunha-se a capacidade de sair em transições rápidas por parte de Di Maria, Neymar e Mbappé. O PSG raramente conseguiu articular o jogo ou passar períodos longos com a bola nos pés a gerir a partida. No entanto a imprevisibilidade e qualidade individual dos seus jogadores da frente permitiu ao clube francês adiantar-se no marcador. Dois golos em que Neymar é personagem principal: no primeiro o brasileiro conduz a bola de forma irrepreensível, arrasta a defesa e faz um passe para Mbappé que surgiu livre para fuzilar a baliza de Neuer; no segundo, quase do meio campo e com o pior pé efetua um passe imprevisível para Marquinhos. A qualidade e irreverência do craque brasileiro camuflou as dificuldades do PSG para construir. O jogo ficou marcado também pelas saídas precoces e por lesão de Marquinhos, Sule e Goretzka. O Bayern teve mais bola e Kimmich foi novamente o destaque dos bávaros. A grande leitura de jogo e inteligência associadas à qualidade técnica inegável fazem de Kimmich um jogador regular a um nível bastante alto e a peça que oleia todo o jogo do Bayern. Apesar da derrota é impossível dizer que a turma de Flick fez uma má exibição. No entanto, os 31 remates não foram suficientes para fazer mais que dois golos, e, embora seja natural pensar no que a presença de Lewandowski poderia ter mudado o resultado do jogo, muita da culpa esteve em Keylor Navas. Mais uma exibição de grande nível numa noite de Champions onde acumulou 10 defesas, muitas delas de grande dificuldade.

O golo de Mbappé obriga o Bayern a marcar dois golos no jogo da segunda mão para passar, encontro esse no qual ambas as equipas voltarão a ter desfalques importantes.

Fonte da imagem: Twitter @PSG_inside

Calendário da segunda mão

Terça feira, dia 13 de abril de 2021:

Chelsea – Porto

PSG – Bayern

Quarta feira, dia 14 de abril de 2021

Liverpool – Real Madrid

Borussia Dortmund – Manchester City

Fonte da imagem de capa: Twitter @FCPorto