Jovem Promessa: Kibe, o leãozinho da Almirante Reis

Nome: Jefferson Pessanha Agostinho

Data de nascimento: 13/03/2000 (21 anos)

Altura: 1,91m

Posição: Avançado (Ponta de Lança)

Pé preferencial: Direito

Nacionalidade: Brasileira

Clube: CS Marítimo

Ainda nem três anos passou em Portugal e já está a causar sensação. É brasileiro, tem 21 anos e até já fez a sua estreia com a camisola principal do Marítimo. Este ano, porém, atingiu uma nova marca, sagrando-se melhor marcador da Liga Revelação. Agora, mais que nunca, toda uma panóplia de olhares recaem sobre ele. Conheça Kibe, o jovem avançado dos leões da Almirante Reis.

É natural do Rio de Janeiro, a capital do Carnaval brasileiro, e foi mesmo por pouco que não nasceu em semana de festividades (13/03/2000). Em 2017, porém, já se encontrava a mais de mil quilómetros de casa, para jogar no São José, em Porto Alegre.

No ano seguinte, nova deslocação aguardava o atleta. Com 18 anos, aterrava na ilha da Madeira e foi o Marítimo quem apadrinhou a sua chegada a Portugal e ao futebol europeu. No terreno de jogo, Kibe estava já mais que assumido como ponta de lança, ou não fosse ele provido de um metro e noventa de altura.

Começou de imediato a causar boa impressão e a justificar a aposta, estreando-se a marcar pelos juniores logo ao segundo jogo e terminando a época com um total de cinco golos, além de cimentar o estatuto de titular desde início. Na primeira época teve ainda direito a um jogo pelos sub-23 e outros três pela equipa B insular.

Nem dito nem feito, em 2019/20 deu o salto para a Liga Revelação onde, embora nem sempre titular, foi sendo opção regular e chegou mesmo a marcar por três vezes. Somou ainda outras oito partidas pela formação secundária, mas o prato forte desse ano foi mesmo a estreia pela equipa A maritimista, jogando a última meia hora na deslocação a Guimarães, frente ao Vitória.

Tomou-lhe o gosto, tanto que voltou a ser chamado na jornada seguinte (a última desse ano), desta vez diante da equipa sensação do campeonato, o recém-promovido Famalicão, mas a sorte parece ter-se esgotado tão rapidamente quanto a época, entrando a apenas um minuto do fim…e acabando expulso, num jogo em que, de resto, os leões deitariam por terra o sonho europeu dos famalicenses, com um empate a três bolas ao cair do pano.

Foi um final de época com um sabor amargo, mas já reza o ditado: “Não é como começa, é como acaba”. Com isto, chegamos à presente temporada, e pode mesmo dizer-se que Kibe fez bom jus à sabedoria popular.

Começou, novamente, ao serviço da turma principal do Marítimo, agora comandada por Lito Vidigal. Apesar de até ter direito a mais minutos que o habitual, as exibições ficaram muito abaixo do par, de tal modo que regressou aos sub-23, ainda em novembro.

Pois bem, se é típico dizer-se que, por vezes, é necessário um passo atrás para dar dois em frente, Kibe conseguiria isso “e mais um par de botas”. Retornado à Liga Revelação, estreou-se com um bis frente ao Estoril. Duas jornadas depois, dobrou estes números, fazendo um poker diante da B SAD, marcando outros dois na semana seguinte, deste vez ao Portimonense.

É seguro dizer que se tratou de um arranque altamente devastador e o que é facto é que o avançado só parou na marca dos 11 golos, aos quais ainda somou outros seis pela equipa B. Com estes números, Kibe sagrou-se melhor marcador da Liga Revelação (com a melhor média de golos por jogo), segundo melhor marcador da Série C do Campeonato de Portugal e ainda segundo atleta com mais assistências, também na terceira divisão nacional.

Com um poderoso pé direito, um bom controlo de bola e, sobretudo, um acerto na finalização acima da média, Kibe pode estar apenas a dar os primeiros passos, mas vai já bem lançado para conseguir uma carreira de sucesso. Numa altura em que o Marítimo anda a “abastecer” os grandes com jogadores do seu reduto (leia-se, Rodrigo Pinho e Nanú), holofotes são, certamente, algo que não lhe falta.

 

Imagem: Auditiv (Facebook)

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.