Sporting regressa às vitórias em Faro à boleia de Adán

Com muito sofrimento à mistura, os leões conseguiram vencer o Farense pela margem mínima, num jogo onde o oportunismo de Pedro Gonçalves e a experiência de Ádan fizeram a diferença.

O Sporting apresentou-se esta noite em Faro para tentar pôr fim a um ciclo de dois empates consecutivos, de forma a continuar com uma vantagem considerável na luta pelo título, contra um Farense que procurava sair da zona de despromoção, para onde caiu na jornada passada.

Para fazer frente aos leões, Jorge Costa dispôs a sua equipa num 4x3x3 com Beto na baliza, Abner, Mancha, César e Tomás Tavares no quarteto defensivo, um trio de meio campo composto por Amine, Jonathan Lucca e o capitão Ryan Gauld, e um ataque com Licá e Bilel nas alas e Pedro Henrique como o homem mais avançado.

Já Rúben Amorim, que viu este jogo na bancada devido a castigo, fez três alterações na equipa que empatou com o Famalicão na última jornada, entrando, na defesa, Gonçalo Inácio e Matheus Reis para os lugares de Feddal e Luís Neto, por lesão e opção respetivamente, sendo que Daniel Bragança entrou também no onze inicial para substituir Tiago Tomás. A equipa completa foi assim constituída por Adán, Coates, Inácio e Matheus Reis num trio de centrais renovado, Porro, Palhinha, Bragança, Nuno Mendes no meio-campo e João Mário, Pedro Gonçalves e Paulinho numa zona mais avançada do terreno.

Ao longo de todo o jogo, foi possível ver o dinamismo do sistema táctico leonino que contava com as trocas posicionais constantes entre J.Mário e Pote para fazer estragos com a sua imprevisibilidade, dado que ora vinham para o centro para se juntar a Paulinho, ou desciam no terreno, fazendo um trio com Daniel Bragança na primeira fase de construção ofensiva.

Os primeiros 25 minutos de jogo passaram com um ritmo morno onde se destacava um Farense aguerrido que procurava explorar as costas dos alas do Sporting para lançar na profundidade Ryan Gauld, Pedro Henrique ou até os laterais, com destaque para Tomás Tavares que realizou uma bela partida. A pressão que a equipa exercia permitia recuperações de bola em zonas avançadas do terreno que eram rapidamente capitalizadas em tentativas de explorar a profundidade de Pedro Henrique ou através de cruzamentos rasteiros para a área.

Já o Sporting teve dificuldades em desmontar a defesa adversária sendo que os primeiro avisos surgiram já depois dos 20 minutos por intermédio de João Mário, primeiro através de um remate cruzado que testou a atenção de Beto e depois através de um remate à malha lateral, após um amortecimento de Paulinho que não conseguiu cabecear da melhor maneira um cruzamento de Pedro Gonçalves.

Aos 34 minutos, na sequência de um pontapé de canto cobrado de forma milimétrica por Nuno Mendes milimétrico, Coates cabeceou forte para um voo de Beto que evitou o golo da equipa de Alvalade que chegaria pouco depois. Na ressaca de mais um canto, Pedro Porro cruzou para a área e depois de um primeiro toque de Paulinho, a bola sobrou para Pote que atirou a contar por debaixo das pernas do guarda-redes português , marcando o seu décimo sétimo golo nesta edição da Liga.

Antes do final da primeira parte destaque ainda para o lance polémico da partida onde, depois de mais um cruzamento da equipa da casa cortado por Coates, Tomás Tavares ganhou a frente a Nuno Mendes e caiu na grande área mas Hugo Miguel, apesar dos protestos do banco algarvio, nada assinalou.

A segunda parte começou novamente com sinal mais para os algarvios que foram os primeiros a criar perigo, na sequência de um canto, através de um cabeceamento de Mancha, facilmente defendido por António Adán. O Sporting respondeu com uma transição ofensiva rápida que apanhou o adversário desprevenido, onde Paulinho, isolado por Pote, não conseguiu concretizar a ocasião flagrante para alargar o marcador.

Os primeiros 10 minutos foram frutíferos em oportunidades claras para os dois lados, sendo que aos 52´foi a vez de Pedro Henrique poder empatar o resultado mas depois de matar no peito um passe em profundidade, rematou para uma defesa inacreditável do guarda-redes espanhol. O espetáculo dos guarda-redes continuou 4 minutos depois, agora na outra baliza, com Beto, em cima da linha, a defender um remate de Paulinho, desinspirado, que finalizava uma grande jogada individual de João Mário.

A vontade de atacar com muitos homens das duas equipas aumentou os espaços para transições rápidas, situação que Jorge Costa tentou aproveitar, colocando um extremo rápido e ágil como Mansilla, para agitar o jogo explorando o cansaço acumulado dos defesas leoninos. Esta alteração não tornou, contudo, mais conservadora a ação ofensiva dos alas do sporting que continuaram a apoiar o ataque, como é exemplo o remate perigoso de Nuno Mendes ao lado aos 67 minutos de jogo.

A indefinição do resultado levou a que Rúben Amorim adaptasse o sistema de jogo da sua equipa, fortalecendo o meio-campo com Matheus Nunes, que  ao entrar para o lugar de João Mário dava mais apoio a Daniel Bragança, libertando Pote para junto de Paulinho, num claro 3x5x2. Esta substituição veio tornar mais lento o ritmo de jogo, que foi baixando ao longo da segunda parte especialmente a partir do momento em que o cansaço dos atacantes farenses começou a interferir claramente com as suas ações ofensivas.

A equipa de Faro chegou mesmo a meter a bola dentro da baliza dos leões aos 80 minutos mas Mansilla estava em posição irregular quando serviu o recém-entrado Bandarra para o golo que seria anulado. Este lance deu um maior animo aos algarvios que um minuto depois voltaram a obrigar Adán a fazer mais um grande defesa a coroar uma exibição imperial efetuada pelo guarda-redes de 33 anos.

O resultado acabou mesmo por não se alterar e os leões voltaram mesmo às vitórias e conseguiram alcançar 3 pontos importantes na luta pelo título, alargando provisoriamente a vantagem para o segundo classificado FC Porto para nove pontos. Quanto aos leões de Faro, é de realçar a atitude e qualidade exibicional apresentada pela equipa neste jogo e ao longo de todo o campeonato, que é muito maior do que os pontos na classificação possam inicialmente induzir. Contudo, tal como dito por Beto no final da partida “Vitórias morais nesta altura valem zero”, sendo imperial que o Farense volte rapidamente às vitórias para que se consiga manter no primeiro escalão do futebol português.

Foi assim um jogo bem jogado por duas grandes equipas onde os guarda-redes foram os principais destaques e evitaram que o resultado tivesse outros contornos.

 

Fonte da imagem: Twitter oficial da Liga Portugal