Top 10 clubes ausentes dos campeonatos profissionais com mais presenças na Primeira Liga

Numa altura de decisões nos vários campeonatos nacionais, estando alguns dos clubes mais emblemáticos do nosso futebol a lutar pelo acesso à competição superior, recordamos, nesta lista, por ordem crescente de presenças, algumas dessas equipas, destacando as suas participações e resultados na primeira divisão do futebol português que hoje em dia dariam acesso a uma prova europeia.

 

  1. União de Leiria – 18 presenças, 2 quintos lugares e 2 sextos lugares

A equipa do Lis está neste momento a lutar por um lugar na segunda liga. Apesar de algumas campanhas na primeira divisão nos anos 70/80 do século passado, consolidou o seu lugar entre os grandes na década de 90 e na primeira década deste século. Após algumas crises económicas e desportivas, bem como alguns ameaços de promoção nas últimas épocas, a equipa leiriense parece estar no rumo dos campeonatos profissionais, nos quais, outrora, pontificaram jogadores como Derlei, Porfírio, Nuno Valente, Helton (de regresso ao clube esta época), Maciel, e treinadores consagrados como Vítor Manuel, Manuel José ou, à época, um jovem José Mourinho.

 

  1. Olhanense – 20 presenças, 1 quarto lugar, 2 quintos lugares e 1 sexto lugar

Foi essencialmente nos anos 40 e 50 que os rubro negros alcançaram as posições de destaque que indicamos em cima. Durante muito tempo, o Olhanense era tido como a grande equipa do Algarve (Portimonense e Farense apareceram mais tarde). Sobretudo após o 25 de Abril, o clube foi perdendo fulgor em comparação com os rivais regionais. Esteve muitos anos em divisões secundárias até reaparecer no topo do nosso futebol já neste século. Atualmente, este histórico lutará por um lugar na futura Liga 3, em 2021/2022.

 

  1. CUF – 23 presenças, 1 terceiro lugar, 2 quartos lugares, 1 quinto lugar, 2 sextos lugares

Um dos casos desta lista onde as mudanças sociopolíticas pós Revolução de Abril mais se fizeram sentir. O Grupo Desportivo da CUF (Companhia União Fabril) representava este aglomerado empresarial e industrial (um dos maiores e mais poderosos da Península Ibérica no seu auge) na primeira divisão nacional, jogando no então moderníssimo Estádio Alfredo da Silva. Com as nacionalizações em vários setores do grupo, bem como o pendor mais industrial do país a mudar-se para Norte, a CUF foi descendo sucessivamente de divisões e alterando o seu próprio nome (Quimigal e, hoje em dia, Fabril do Barreiro). Esta época acabou por não evitar a descida aos campeonatos distritais.

 

  1. Salgueiros – 24 presenças, 1 quinto lugar e 1 sexto lugar

Apesar de destacarmos estas duas classificações, ambas nos anos 90 do séc. XX, o velhinho Salgueiral tem uma História riquíssima, quer a nível regional, quer a nível nacional. As primeiras participações na primeira divisão aconteceram nos anos 50, mas foi a partir de 1990 que o clube se afirmou como um dos habituais do nosso principal campeonato. Eram complicadíssimos os confrontos no seu reduto, o saudoso Vidal Pinheiro, que infelizmente já não existe. Os problemas, sobretudo estruturais, no início dos anos 2000, acabaram por levar o clube à falência. No entanto, a Alma Salgueirista e o seu bairrismo revitalizaram o clube que, nos últimos anos, reapareceu nas competições nacionais. Está e estará no Campeonato de Portugal (atual 3.º escalão e futuro 4.º).

 

  1. Barreirense – 24 presenças, 1 quarto lugar, 2 quintos lugares e 4 sextos lugares

Longe vão os tempos do derby do Barreiro, entre a CUF e o Barreirense. Nesse tempo, o impulso operário e industrial na região fez com que estas equipas se apresentassem competitivas e de qualidade. O Barreirense, para além de excelente viveiro de futebolistas, demonstrava ótima competitividade entre os grandes – sobretudo jogando no seu D. Manuel de Mello (entretanto demolido). As suas campanhas mais brilhantes aconteceram durante os anos 30 e, mais tarde, na última década antes do 25 de Abril. Tal como noutros casos, após as convulsões políticas e sociais de 1974/1975, o clube perdeu a sua força desportiva. Há mais de 15 anos fora do futebol profissional, o Barreirense milita na principal divisão distrital de Setúbal.

 

  1. Atlético – 24 presenças, 2 terceiros lugares, 1 quarto lugar, 1 quinto lugar e 3 sextos lugares

É o resultado da fusão entre dois históricos do nosso futebol mais primitivo (Carcavelinhos e União de Lisboa). Com um palmarés que outros emblemas com o dobro ou triplo de participações não alcançaram ainda, os alcantarenses eram dos clubes mais competitivos da primeira divisão até ao 25 de Abril. Com o bairro operário de Alcântara a perder fulgor, o clube da terra sofreu com isso – em 1976/77 desce de divisão e nunca mais regressou à ribalta. Ainda que com algumas participações de registo, por exemplo, na Taça de Portugal, o Atlético estacionou nas divisões secundárias do nosso futebol (com uma exceção no início desta década – presenças na segunda Liga), estando atualmente nas divisões distritais de Lisboa.

 

  1. Beira-Mar – 27 presenças, 1 sexto lugar

É curioso que um clube dos mais tradicionais do nosso futebol, e com tantas participações na primeira divisão, apenas tenha como maior resultado um sexto lugar (nos anos 90 do séc. XX). No entanto, os Aveirenses, para além de representarem uma região com grande impacto do ponto de vista cultural e industrial, faziam os grandes passar um mau bocado, sobretudo jogando em casa. No início desta década, o clube foi despromovido várias vezes, sofrendo também com más opções de gestão. Esteve no Campeonato de Portugal esta época, mas não resistiu aos maus resultados e estará no distrital de Aveiro no próximo ano.

 

  1. Associação Académica de Coimbra – 38 presenças, 1 segundo lugar, 2 quartos lugares, 5 quintos lugares e 8 sextos lugares.

É certo que a Académica está atualmente no futebol profissional, mas esta referência tem a ver com a Briosa original – ou seja, com a equipa que representava a Associação Académica, antes de existir um Organismo Autónomo de Futebol. Nesse tempo, os estudantes (literalmente – uma equipa composta por estudantes da academia) tiveram 38 participações na primeira divisão em 40 temporadas (nas duas que falhou, foi campeão da segunda divisão). É um pecúlio fantástico, com o ponto alto a ser o vice-campeonato no final dos anos 60. Muito embora existam outros elementos para diferenciar esta Académica da atual, comparamos os resultados alcançados pela primeira, em cima, com os obtidos pela segunda (a melhor posição foi um 7.º lugar).

 

  1. Vitória FC – 72 presenças, 1 segundo lugar, 3 terceiros lugares, 2 quartos lugares, 6 quintos lugares e 4 sextos lugares

Em Setúbal mora verdadeiramente um histórico do futebol português. O Vitória tem um conjunto de resultados e classificações brilhantes, ainda que, a maioria deles, entre os anos 60 e o 25 de Abril. A equipa Sadina, no período em que foi treinada por José Maria Pedroto, conseguiu imiscuir-se declaradamente na luta protagonizada pelos grandes portugueses, equiparando-se a eles. Nos anos 1990 e 2000 teve algumas classificações de destaque, mas as dificuldades financeiras foram deteriorando a capacidade competitiva do clube. Na época passada desceu por questões administrativas, estando agora a lutar pelo acesso à Segunda Liga.

 

  1. Belenenses – 77 presenças, 1 primeiro lugar, 3 segundos lugares, 14 terceiros lugares, 8 quartos lugares, 9 quintos lugares e 7 sextos lugares

Sem querer entrar em polémicas relacionadas com o divórcio entre a SAD e o Clube, destacamos aqui o Belenenses original. O clube da Cruz de Cristo tem um palmarés impressionante, tendo sido, a par com o Boavista, uma das únicas equipas a quebrar a ditadura dos 3 grandes relativa à conquista do campeonato. Com as melhores prestações entre os anos 30 e 50 do anterior século, o clube esteve permanentemente no principal campeonato português até 1982. Depois, num percurso com altos e baixos, na última década o clube teve campanhas dignas de registo, estando nas competições europeias muitos anos depois. Com as divergências internas conhecidas, o Belenenses recriou a sua equipa sénior, estando a lutar por alcançar uma divisão nacional.

 

Fonte da imagem de capa: TSF