Benfica perde na Luz com o Gil Vicente e rivais esfregam as mãos

O Benfica recebeu hoje o Gil Vicente, numa partida relativa à 27ª jornada da Liga NOS. Os encarnados saíram derrotados pela equipa de Ricardo Soares por 1-2, após golos de Leautey e Lourency e um auto-golo de Vítor Carvalho que chegou demasiado tarde para impedir o seu desaire. O Benfica perde assim a oportunidade de alcançar provisoriamente o FC Porto e poderá terminar o dia a ver o SC Braga igualar o seu número de pontos na classificação.

11 do Benfica: Helton Leite na baliza; Jan Vertonghen, Nicolás Otamendi e Lucas Veríssimo como trio defensivo; Diogo Gonçalves e Grimaldo como alas; Julian Weigl e Adel Taarabt no meio campo; Rafa Silva, Waldschmidt e Haris Seferovic no ataque.

11 do Gil Vicente: Denis entre os postes; Rodrigo e Rúben Fernandes no centro da defesa; Joel Pereira e Talocha nas laterais; Vítor Carvalho, Pedro Moreira e Lucas Mineiro no meio campo; Leautey, Lourency e Pedro Marques no ataque.

O Gil Vicente apresentou-se de forma atrevida no Estádio da Luz, exercendo uma pressão muito alta nos encarnados e assentando na criatividade de Lucas Mineiro e Pedro Moreira para tentarem lançar os extremos Leautey e Lourency pelas alas. Sempre atentos, Otamendi e Lucas Veríssimo iam limpando o perigo, mas a incapacidade demonstrada pelo Benfica em tentar criar jogadas coletivas, fazendo uso apenas de bolas longas e lances individuais para tentar avançar metros no terreno, era um mau presságio para a equipa de Jesus. Vítor Carvalho, aos 15 minutos, armou o primeiro remate da partida, que apesar de ter acabado ainda bastante longe da baliza de Helton Leite, deixava o aviso: era o Gil que estava por cima na primeira fase do encontro. O cronómetro avançava e, ao atingir da marca da meia hora, o Benfica continuava bem longe da baliza de Denis.

O Gil chegava primeiro às bolas, ganhava a maioria das disputas e não tinha receio algum em colocar vários homens no meio campo encarnado, muitas vezes colocado em inferioridade numérica perante o seu. E, ao minuto 35´, o aviso às águias tornou-se em castigo. Leautey recebeu a bola em profundidade no seu flanco, fletiu da direita para o meio e chutou um remate rasteiro e colocado que colocou o Gil Vicente em vantagem, num tento que não surpreendeu ninguém que estivesse a observar a partida e que acabou ainda com a série de mais de 700 minutos sem sofrer golos de Helton Leite. Saía tudo mal aos encarnados, que terminaram o primeiro tempo sem qualquer remate enquadrado com a baliza dos nortenhos.

Descontente com a (falta de) produtividade ofensiva da sua equipa, Jesus lançou Everton no arranque para a segunda parte, retirando Lucas Veríssimo de campo e modificando o seu esquema tático para o clássico 4-4-2. O Benfica passou a ter mais posse de bola e a obrigar o Gil a encostar-se mais atrás e a apostar exclusivamente no contra-ataque, situação a que os homens de Ricardo Soares se adaptaram com naturalidade. Os encarnados usavam e abusavam de cruzamentos, pela direita de Diogo Gonçalves e pela esquerda de Grimaldo, para tentar chegar ao golo, mas os centrais visitantes não davam abébias e, tirando um lance em que Seferovic acaba por conseguir controlar a bola dentro da área adversária e chutar um remate que saiu demasiado por cima, não houve qualquer situação de alarme para Denis até à marca da hora de jogo, altura em que Pizzi e Darwin foram chamados por Jesus para trazer mais poder de fogo a um ataque demasiado previsível para a tarefa em mãos.

Ainda antes das suas entradas, Seferovic teve a baliza escancarada à sua mercê ao receber um ressalto depois de uma defesa de Denis ao primeiro remate à baliza do Benfica, proveniente dos pés de Diogo Gonçalves, mas o suíço atirou um remate de calcanhar desajeitado que passou por cima da barra. Já com Taarabt e Waldschmidt fora de campo, Grimaldo tentou arrancar a igualdade com um remate à entrada da área adversária mas a tentativa não passou disso mesmo, com a bola a levantar demasiado e a sair por cima da baliza. Logo a seguir, uma arrancada de Rafa pela direita originou um cruzamento rasteiro para Seferovic, mas o avançado acabou por voltar a demonstrar que a mira não estava nos seus melhores dias, chutando a bola para ao lado do poste esquerdo de Denis.

Com as entradas de Claude Gonçalves, Kanya Fujimoto e Samuel Lino, o Gil mantinha-se rejuvenescido e, com o avançar do relógio, cada vez mais confiante em trazer três pontos do Estádio da Luz e, aos 81´, ganhou ainda mais razões para isso. Num lance de contra-ataque, Lourency recebeu a bola no flanco esquerdo e, com Diogo Gonçalves demasiado avançado na frente, arrancou em velocidade, não dando qualquer hipótese a Otamendi de o alcançar e só parou na pequena área de Helton Leite, que terminou batido pelo extremo brasileiro.

Pedrinho e Franco Cervi ainda foram levados a jogo, numa jogada de puro desespero por parte de Jorge Jesus e entraram a tempo de acontecer um infortúnio para o adversário. Após uma defesa de Denis, o esférico acabou por ir de encontro ao corpo de Vítor Carvalho, que acabou por introduzir a bola nas suas próprias redes. O golo acabou por vir tarde demais para as águias, derrotadas em casa pelo Gil Vicente, que passa a respirar melhor na tabela classificativa.

Com a derrota, o Benfica interrompe uma série de sete vitórias consecutivas e perde a oportunidade de alcançar provisoriamente o FC Porto no segundo lugar do campeonato, que poderá vir a aumentar a sua vantagem em relação às águias para seis pontos. Os encarnados poderão ainda ver o SC Braga atingir os mesmos 57 pontos que somam, caso o minhotos vençam o seu jogo frente ao Rio Ave, e passam a estar a uma distância de 12 pontos do líder Sporting. O Gil Vicente, por outro lado, regressa aos triunfos na Liga NOS e passa a somar 31 pontos, ocupando o 10º posto da tabela e passando a ter uma vantagem segura de sete pontos sobre a primeira equipa na zona vermelha do campeonato – Marítimo.

Fonte da imagem de capa: Twitter @ligaportugal

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.