Como Joga: Leicester City 2015-2016

Persistência e superação são as expressões perfeitas para se caracterizar esta equipa do Leicester City na temporada 2015-2016. A história de uma equipa que passou de ser apontada à despromoção a ser candidata ao título do escalão máximo inglês. Numa altura onde o dinheiro é um fator importantíssimo no caminho para o sucesso, os Foxes provaram que tudo é possível. Na edição do “Como Joga” desta semana iremos rever e analisar a surpreendente época da equipa, na altura, comandada por Claudio Ranieri.

Esquema Tático:

A chave para o sucesso deste Leicester City residiu em três fatores: organização ofensiva/defensiva, trabalho árduo e contra-ataques rápidos. Para isto ser atingido, Ranieri decidiu apostar num 4-4-2, que, por vezes, dava lugar a um 4-4-1-1. A “muralha” defensiva dos Foxes era constituída pelos experientes Kasper Schmeichel, Wes Morgan, Robert Huth, Christian Fuchs e Danny Simpson. Esta experiência conjugada com um bloco defensivo baixo, isto é, a técnica defensiva do Leicester residia numa exímia organização defensiva baixa tanto dos médios como dos defesas, foi uma chave importante no sucesso dos Foxes esse ano. O controlo aéreo por parte de Morgan e Huth, apesar da falta de velocidade e mobilidade, a capacidade de Fuchs e Simpson cobrirem os espaços (normalmente interiores) que os centrais deixavam vulneráveis, a qualidade técnica de Schmeichel e o trabalho incansável do médio box-to-box N’Golo Kanté (acabou a época com o maior número de desarmes e interceções por jogo) permitiu ao Leicester ter sofrido apenas 36 golos em todo o campeonato.

Ao analisar o trabalho defensivo do Leicester conseguimos perceber que o seu futebol ofensivo focava-se muito nas transições rápidas. Assim que a bola era recuperada, os extremos Marc Albrighton e Ryad Mahrez tinham total liberdade para explorar os corredores e raramente iam buscar jogo atrás. Logo após Danny Drinkwater, o principal organizador de posse da equipa, receber a bola, Jamie Vardy abandonava a sua posição central no ataque e mobilizava-se nas costas da linha defensiva adversária a descair para a esquerda, de maneira a atrair alguma marcação e, assim, deixar o corredor direito menos ocupado, onde surgia depois Mahrez e a sua tremenda qualidade técnica no um para um. Também muitos dos golos marcados nessa temporada pelo Leicester resultaram da incansável pressão por parte de Okazaki e Vardy à primeira fase de construção do adversário. A pressão era muitas das vezes feita por Okazaki, avançado dotado de uma grande resistência e rapidez, permitindo a Vardy colocar-se entre os dois centrais adversários. Logo após a pressão dar frutos surgia um passe direto para o avançado inglês, que, com uma poderosa aceleração e rapidez e uma frieza notável na finalização, concluía a jogada na perfeição.

Equipa base utilizada pelo Leicester City

 

Sucesso doméstico:

23 vitórias, 12 empates e 3 derrotas. Foi este recorde, acompanhado de 68 golos marcados e 36 sofridos, que levou o Leicester City à glória do campeonato inglês. Recordemos, por isso, o trajeto dos underdogs até à conquista do título.

Não podia ter começado melhor para os Foxes, com duas vitórias nos dois primeiros jogos frente ao Sunderland e West Ham. O primeiro momento onde pudemos presenciar a verdadeira “estrelinha de campeão” da equipa de Ranieri foi contra o Aston Villa. A perder por 0-2 aos 72 minutos, o Leicester protagonizou uma mágica reviravolta no King Power Stadium, com Nathan Dyer a marcar o golo da vitória por volta do minuto 89. Três jornadas depois surge a primeira derrota para a equipa de Leicester: 2-5 frente ao Arsenal, colocando o Leicester no oitavo lugar da tabela classificativa. Como quem não desiste, persiste, os Foxes deram seguimento a uma sequência de dez jogos sem perder para o campeonato, com direito a um novo recorde estabelecido por Jamie Vardy na Premier League (11 jogos seguidos a marcar). Tudo tem um fim e esta sequência não foi exceção ao ser arruinada com uma derrota por 1-0 contra o Liverpool, seguido por dois empates contra o Manchester City e Bournemouth e uma vitória importantíssima frente ao Tottenham.

Jamie Vardy bate o recorde de Ruud Van Nistelrooy ao marcar por 11 jogos consecutivos

 

 

 

 

 

 

O Leicester não se esqueceu da derrota amarga em Anfield Road e como a vingança serve-se fria os Foxes responderam em casa com uma vitória por 2-0. A disputa pelo título estava mais do que alcançável para a turma de Ranieri, após a vitória por 1-3 em casa do Manchester City e a incompreensível derrota ao cair do pano contra o Arsenal. À entrada para a 37ª jornada, encontramos um Leicester com uma ventagem pontual de 7 pontos para o Tottenham, segundo classificado. Precisam, portanto, de garantir apenas três pontos na deslocação a casa do Manchester United para garantirem o título, no entanto, não vão além de um empate a uma bola. A equipa de Leicester, que ainda sonhava levantar o título naquele dia, precisava de um deslize do Tottenham contra o Chelsea. Bem dito, bem feito, os Blues empatam com os Spurs e oferecem assim o tão desejado título ao Leicester City.

 

Fonte da imagem de destaque: zerozero

Fonte das imagens:

1ª imagem – The Telegraph

2ª imagem – The Phuket News