Nacional vs Porto: contra a fadiga e contra o chuveirinho o Porto vive mais uma jornada

O melhor ataque e a pior defesa da Liga NOS (em conjunto com o Tondela) fechavam a jornada 27: após a eliminação da Liga dos Campeões face ao Chelsea, o Porto pôde, a partir desta tarde, concentrar-se a 100 por cento na perseguição ao Sporting e ao primeiro lugar. Não podia haver um melhor adversário para os Dragões afogarem as mágoas do inglório desfecho, em Sevilha, da sua campanha milionária: o Nacional, nos dois jogos após o regresso do douto e eloquente professor Manuel Machado à Choupana, sofreu 10 golos em dois jogos, primeiro em casa frente ao Portimonense, e depois em São Miguel, diante do Santa Clara.

Sem Otávio, de fora por lesão, e relegando Marega para o banco, Sérgio Conceição alinhou a sua equipa num 4-3-3, numa espécie de triplo pivô no meio campo, com Grujic, Sérgio Oliveira, e Uribe, três médios relativamente equilibrados mas sem um pendor ofensivo e criativo muito considerável. É uma decisão ainda mais estranha quando se sabe que relegou Fábio Vieira para a equipa B. Corona e Luís Diaz ficavam encarregues da invenção e dos rasgos de génio e desequilíbrio, apoiando Taremi, que vinha do melhor momento da sua carreira com a bicicleta no último suspiro a meio da semana, apesar da derrota.

O Nacional apresentou-se de forma semelhante, aproveitando os dois alas, João Camacho e o experiente Marco Matias, para fechar junto aos médios e formar duas linhas de 4, para depois surpreender no contra-ataque, tal e qual como uma equipa de Manuel Machado. Lançado na profundidade, João Camacho bate Zaidu ao minuto 4 e é derrubado pelo nigeriano. João Pinheiro assinalou penálti e foi corroborado pelo VAR.

Éber Bessa, no entanto, desperdiçou a oportunidade para marcar: Marchesín adivinhou o lado e defendeu a tentativa do antigo médio do Marítimo. O Nacional até começou melhor: Éber Bessa libertou Marco Matias, numa travessia pelo lado contrário ao seu, o esquerdo, e tentou cruzar/rematar de ângulo apertado, mas sem grande sucesso, e apoiou-se mal na perna, acabando por se lesionar. Saiu ao minuto 15, rendido por Gorré.

O Porto ia tentando fazer o seu jogo valer, mas o Nacional ia conseguindo anular o jogo previsível do Porto, pelas alas ou na bola longa, e conseguia sair com perigo no contra-ataque, sobretudo pelo lado direito, algo que fez Sérgio Conceição mandar Nanú para aquecimento. O jogo previa-se frustrante, mas, ao minuto 24, António Filipe, tentando aliviar a bola, hesitou demasiado e permitiu a Taremi um desvio crucial. A bola sobre para Corona, que devolve ao iraniano para finalizar com sucesso, inaugurando o marcador.

Ao minuto 26, Gorré desequilibra frente a Manafá, ganha ângulo vindo da esquerda e remata rasteiro, obrigando a defesa apertada de Marchesín. Apesar do golo e das claras limitações da equipa do Nacional, a formação madeirense mostrava-se, pelo menos, interessada no empate, mesmo que fosse maioritariamente por vias de contra-ataque. O jogo do Porto também se mantinha muito pelo jogo de flancos, aproveitando a largura para depois explorar desequilíbrios nas costas da defesa da equipa da casa.

O Nacional, perante a tentativa de construção de trás do Porto, foi subindo linhas e tentando pressionar mais: após recuperação bem sucedida, Camacho foi libertado no lado contrário à pressão, ao minuto 35, e partiu para cima de Zaidu, mais uma vez, e tentou o remate cruzado, mas saiu ao lado. Camacho viu amarelo minutos depois, ao minuto 43, após escorregar e derrubar Pepe, perante o relvado húmido da Choupana. Já na compensação Luís Diaz, encostado à lateral, encontra Grujic a desmarcar-se por dentro de calcanhar, e este, após aguentar a carga, encontra Taremi no meio, e o iraniano tenta desviar ao segundo poste, mas sai ao lado. Logo a seguir, para acabar a primeira parte, o Nacional atacava pela direita, e na sobra de um cruzamento de Camacho, Azouni, à entrada da área, faz um pontapé de ensaio. Conceição não ia gostando, no entanto, e previa-se uma palestra de intervalo fogosa.

O primeiro vestígio de ataque do Porto na segunda parte foi através de um remate de Uribe à passagem do minuto 50, mas saiu muito por cima. O Porto continuava a tentar explorar a velocidade dos seus alas e o talento individual dos seus extremos, enquanto que os médios exploravam o médio-espaço, entre os centrais e os laterais, sempre que podiam. O Nacional defendia-se como podia: a pujança física de Riascos ia ajudando à pressão alta ocasional, e as duas linhas de quatro iam dando alguma solidez defensiva. Riascos e Gorré combinaram bem ao minuto 54, com um bom passe de calcanhar do avançado colombiano, mas o extremo, vindo da esquerda e com Camacho solto, tentou o remate rasteiro, mas saiu fraco.

O Porto começou a perder algum fulgor, e o Nacional começava a pôr-se de igual para igual do ponto de vista físico, continuando a tentar aproveitar a profundidade, mas sem grande sucesso. De qualquer maneira, o jogo começava a ficar “partido” e tenso. Manuel Machado lançou Rúben Micael e Rochez, ao minuto 64, para tentar aproveitar essa aparente superioridade com um médio mais criativo e um avançado mais atlético, rendendo Éber Bessa e João Camacho. Sérgio Conceição queria, por seu lado, acabar com a partida, e lançou Toni Martinez, Marega, e Romário Baró (que não jogava à três meses), ao minuto 72, para refrescar o meio campo e reforçar o pendor ofensivo. Saíram Corona, Sérgio Oliveira, e Taremi.

O Porto assentou o seu jogo e começou a superiorizar-se, enquanto que, por sua vez, os jogadores do Nacional começavam a demonstrar limitações físicas. Alhassan ia sentindo cãibras e Manuel Machado ia preparando a alternativa, mas o médio preferiu continuar. Zaidu também começou a sofrer de cãibras, e obrigou Conceição a, finalmente, lançar Nanú na partida, ao minuto 80, mudando Manafá para a esquerda. Viu amarelo um minuto depois após atingir Rúben Freitas de carrinho, na bandeirola, após tentativa de cruzamento do lateral direito do Nacional. Ao minuto 87, foi lançado Diogo Leite na partida, para tentar estancar o contra-ataque do Nacional, ao mesmo tempo que se dava maior capacidade de criação vindo de trás. Luís Diaz, exausto, foi o sacrificado, e Baró passou para a ala esquerda.

O Nacional ia tentando empatar com aquilo que conseguia fazer, que era através de livres longos. O Porto, com as últimas energias, tentava controlar a partida. Apesar do Porto estar um pouco pelas costuras, o Nacional não era capaz de muito mais: Toni Martinez ainda marcou, mas estava adiantado. O Porto mantém-se na luta pelo título, a 6 pontos do Sporting, e o Nacional continua a ser último.

Fonte da imagem: Lusa/Homem de Gouveia