Lembra-se de Mozer, a “Muralha” que era dona da defesa do Benfica

José Carlos Mozer está até hoje na memória de quem seguia o futebol europeu na década de 80. Mas como chegou um jovem do Rio ao coração de tantos estranhos? No “Lembra-se de” desta semana recordamos A Muralha, o glorioso central brasileiro.

Nascido no ínicio da década de 60 no Rio de Janeiro, desde jovem se percebeu que estava destinado a outras paisagens. Passando pela formação do Botafogo, juntou-se ao Flamengo com apenas 15 anos, e aos 21 já era senhor e dono da linha defensiva do Mengão.

E foi nesse mesmo ano que começou a expandir o seu palmarés. Venceu a Taça Libertadores de 1981 e guiou o Flamengo aquela final que até hoje está nos corações dos adeptos rubro-negros. A final do que chamamos hoje o Mundial de Clubes, onde Mozer e companhia bateram o Liverpool por 3-0, marcando uma geração inteira para o resto da vida.

Mas para Mozer? Era apenas o começo.

Mudou-se para o Benfica em 1987, mas trazia consigo 4 campeonatos brasileiros, mostrando assim que não era apenas mais um. E se havia dúvidas, rapidamente se desfizeram.

Em apenas duas épocas, Mozer realizou 78 jogos e marcou 11 golos, mas, e como se tal não fosse suficiente, Mozer conduziu os Encarnados até à final da Taça dos Campeões Europeus, onde um empate com o PSV em tempo regulamentar levou a uma derrota nos penáltis.

Mas após uma época onde Mozer quase chegou ao topo do mundo, estava na altura de conquistar Portugal. E assim foi. Com apenas duas derrotas pelo caminho, o Benfica foi campeão português e vice-campeão da Taça de Portugal. Mozer, já com passaporte na mão para Marselha, ia deixar saudades aos adeptos do Benfica.

A chegada a Marselha foi, para Mozer, chegar ao topo. Numa equipa com Didier Deschamps e Jean-Pierre Papin era díficil que as expectativas não fossem altas. Mas Mozer estava lá para cumprir. Logo na sua primeira época, com a sua ajuda o Marselha atingiu a meia-final da TCE, e se não fosse pelo famoso golo de Vata poderia até ganho a competição.

No que toca à Liga Francesa, não há muito a dizer. Três títulos e três anos mostrava o domínio do Marselha no pânorama nacional, e na época de 90/91, em procura de vingança pelo ano anterior, o Marselha foi até à final da TCE mais uma vez, onde perdeu desta vez com o Estrela Vermelha.

Após a desilusão europeia que veio na época seguinte, estava na altura de voltar a casa, ao Benfica.

Na primeira época de volta, Mozer ganhou a Taça de Portugal, e perdeu o campeonato por apenas 2 pontos para o Porto. Em 93/94, Mozer chegou mais uma vez ao topo de Portugal, conquistando assim o segundo campeonato com a camisola do Benfica, onde também chegou à meia final da Taça das Taças.

Infelizmente, Mozer já não era apenas um míudo do Rio. E assim, em Janeiro transferiu-se para Kashima Antlers, onde em duas épocas jogou apenas 17 jogos antes de se retirar, trazendo ainda uma Liga Japonesa no seu palmarés de volta ao Brasil.

A verdade é que, para apenas um menino do Rio, foi uma carreira de outro mundo. Mas para o homem que foi Mozer, algo menos do que isto seria muito pouco.

Fonte da imagem: twitter.com/1904Militancia/media