Porto v Vitória de Guimarães: Marega oportunista na perseguição ao líder

O Porto sofreu quanto baste para bater o Nacional no fim de semana, e se o Sporting está a acusar a pressão de comandar o campeonato, a equipa de Sérgio Conceição começa a acusar o esforço e a fadiga de dois ou três meses de dois jogos por semana, muito por culpa da Liga dos Campeões. Mas após mais um deslize do líder, desta feita frente à B SAD, das tripas teria de ser feito coração, bem à moda do Porto e desta equipa, visto que o título ainda é possível: uma vitória colocaria os Dragões a quatro pontos dos Leões.

Pela frente estava um Vitória de Guimarães energizado pelo triunfo no fim de semana (e que quebrou uma série de cinco derrotas consecutivas) frente ao seu adversário direto pelo sexto lugar, o Santa Clara, e que face à queda de rendimento abrupta do Paços de Ferreira ainda sonha com o quinto lugar e com a Liga Europa, consequentemente. Uma vitória colocaria o Vitória a três pontos desse objetivo, e se há espírito de sacríficio em equipas do Porto, as narrativas históricas e a aura de D. Afonso Henriques transformam qualquer equipa do Vitória Sport Clube num pseudo-exército, sobretudo através do apoio dos adeptos. Independentemente do desfecho, esperava-se uma verdadeira batalha.

Face à lesão de Zaidu, Nanú entrou no onze para libertar Manafá no lado esquerdo da defesa. Otávio também reentrou no onze, após falhar por lesão a deslocação à Choupana, relegando Grujic para o banco e reintroduzindo o 442, agora com Marega, substituindo Luis Diaz, no apoio a Taremi. Fábio Vieira não foi convocado.

O Vitória apresentou-se no seu habitual 343, destacando o meio campo de André André e Pepelu, tal como a criatividade de Marcus Edwards e Rochinha no apoio a Estupiñan, cuja má receção ao minuto 3 custou uma bela oportunidade de golo, após passe de Rochinha.

Foi o Vitória que ameaçou mais ao início: ao minuto 7, após excelente cruzamento de Mensah, na ala esquerda, foi a vez do habitualmente exímio Edwards chutar a bola contra o seu próprio pé. Dois minutos depois, Edwards ultrapassou Mbemba com grande facilidade, e cruzou rasteiro para a pequena área: estava Otávio, na linha de golo, para negar o golo ao ala do lado contrário, Sacko.

O Guimarães formava uma linha de cinco a defender, com os alas a juntar nos centrais, e uma de quatro no meio, com os interiores mais criativos a juntar nos médios. A partir daí, tentavam aproveitar lapsos na construção progressiva do Porto para depois sair em contra-ataque.

O jogo foi começando a assentar para o Porto, e por pouco que, à passagem do minuto 21, Taremi não inaugurou o marcador: isolado por Pepe, na sequência de um canto, o iraniano obrigou Bruno Varela a intervenção decisiva.

Esperou-se até ao minuto 38 para que o Porto voltasse a irromper pela defesa vitoriana quando Taremi, isolado por Uribe, tentou oferecer o golo a Marega na cara de Varela, mas foi assinalado um fora de jogo milimétrico. Cinco minutos depois, uma sobra de um passe picado de Uribe caiu nos pés de Marega, que desferiu um remate forte à figura do guardião forasteiro.

A primeira parte ficou especialmente marcada pela batalha das segundas bolas, onde pouco futebol foi efetivamente jogado, tanto por falta de criatividade do Porto (apesar de ter dominado a posse), como pela relutância defensiva do Vitória.

A segunda parte começou da mesma maneira que acabou a primeira: o Porto foi ameaçando cada vez mais e Mumin,  num lance perfeitamente controlado, hesitou perante o avanço de Marega, e acabou por perder a bola e ser batido na velocidade. O maliano irrompeu pela área e finalizou colocado, de pé esquerdo, na cara de Varela, para inaugurar o marcador.

O Vitória via-se sem grandes argumentos para contrariar o domínio do Porto, algo patenteado pela má abordagem de Mensah a Corona, que lhe valeu amarelo ao minuto 55. Otávio aqueceu Bruno Varela com um remate de ângulo apertado e potente, mas à figura, ao minuto 56, e tudo indicava que, eventualmente, o Porto aumentaria a vantagem.

Um fora de jogo salvou André Amaro da vergonha, após colocar a bola na própria baliza ao tentar intercetar uma tentativa de assistência de Marega. Redimiu-se na jogada a seguir, ao minuto 61, ao travar a velocidade do avançado do Porto com um corte providencial.

O Guimarães via-se muitas vezes em superioridade numérica nos contra-ataques, mas sempre sem conseguir aproveitar para lá do seu meio-campo. Bino lançou André Almeida e Rúben Lameiras, sacrificando Edwards e Rochinha de forma um pouco estranha, pois podia ter sacrificado um central para dar maior ímpeto ofensivo, especialmente tendo em conta que Mumin estava em sub-rendimento. Da mesma maneira seria possível construir a partir de trás, com Pepelu a surgir no meio dos dois centrais, se essa mudança se concretizasse.

André Amaro também facilitou de novo, ao permitir um passe aparentemente inofensivo de Taremi na profundidade chegar aos pés de Marega, que tenta contornar Varela, mas vê o seu remate defendido pelo antigo guardião do Benfica (formado também). Taremi rematou a seguir, ao minuto 70, mas à figura.

O Vitória seguia sem remates, apesar daquela oportunidade de Sacko. Os alas do Vitória iam-se projetando cada vez mais, dando oportunidade a Lameiras e Almeida de jogar mais perto um do outro, potenciando a vertente criativa da equipa.

Marega foi substituído pelo titular da jornada passada, Luis Diaz, ao minuto 74. Tiago Martins, o árbitro da partida, reconheceu que o avançado do Porto foi perdendo tempo, e mostrou lhe o amarelo antes de sair. Otávio começou a ocupar posições mais centrais, com Corona e Díaz a fechar nas alas.

André André evitou em contra-ataque o golo de Taremi, ao minuto 77, após grande trabalho de Díaz pela esquerda, demonstrando o pulmão e o coração pelo qual é conhecido. No entanto, o antigo médio do Porto foi sacrificado logo a seguir, para entrar Mikel Agu, um médio ainda mais possante. Noah Holm rendeu Estupiñan. No mesmo instante, Toni Martinez e Grujic renderam Taremi e Otávio.

Janvier rendeu Pepelu ao minuto 87. Baró e Francisco Conceição renderam Sérgio Oliveira e Corona no mesmo instante.

O Vitória ia ganhando mais projeção na partida, tentando tudo para chegar ao empate, mas tirando os rasgos de Lameiras, eram tentativas em vão, sempre muito auxiliadas pela velocidade nas alas e pelos cruzamentos.

Um péssimo alívio de Mumin sobra para Luis Díaz, que com espaço remata um pouco atrás da meia lua, obrigando a figura da noite, Bruno Varela, a intervenção dura. Depois foi André Amaro, que hesitou perante Francisco Conceição, que tirou o central do caminho e rematou à queima roupa: o remate foi desviado pelo braço de Mumin e embateu na barra, mas Tiago Martins determinou, após conselho do VAR, que o contacto foi casual, e mandou seguir.

Foi, como esperado, mais uma batalha do que necessariamente um jogo de futebol, com muitos lances disputados, mas o domínio do Porto foi claro, muito devido à falta de argumentos e de definição do Vitória em contra-ataque, e também devido aos inúmeros lapsos defensivos, compensados pela bela exibição de Bruno Varela. O Porto encurta assim a distância para o Sporting, que se não vencer em Braga, dá ao Porto uma oportunidade de ouro de relançar definitivamente o campeonato na próxima segunda, também no Minho, desta feita em Moreira de Cónegos.

 

Fonte da Imagem: Twitter @ligaportugal