Eficácia e muito sacrifício ditam vitória de um Sporting desfalcado na Pedreira

O SC Braga recebeu hoje o Sporting numa partida relativa à 29ª jornada da Liga NOS, saindo derrotado por 0-1. Num jogo onde os leões ficaram desfalcados durante praticamente 70 minutos em campo, após Gonçalo Inácio ter sido expulso no primeiro tempo, os bracarenses tiveram várias oportunidades para inaugurar o marcador mas sofreram um golo inesperado de Matheus Nunes na fase final do jogo, numa jogada eficaz e que garante o aumento, à condição, da vantagem leonina sobre o FC Porto, vice-líder do campeonato.

Carlos Carvalhal levou a campo Matheus na baliza; Raúl Silva e Vitor Tormena no centro da defesa; Ricardo Esgaio e Nuno Sequeira nas laterais; André Castro e Fransérgio no meio campo; Ricardo Horta e Galeno a extremos e Nico Gaitán junto de Abel Ruiz no ataque.

Já Rúben Amorim optou por Adán na baliza; Feddal, Coates e Gonçalo Inácio como trio defensivo; Pedro Porro e Nuno Mendes nas alas; João Palhinha e João Mário no meio campo, Pedro Gonçalves e Nuno Santos nas alas e Paulinho a ponta de lança.

Com apenas uma vitória nos últimos quatro jogos, o líder Sporting apresentou-se na Pedreira ciente da importância de um triunfo para ampliar, mesmo que temporariamente, a vantagem de quatro pontos sobre o FC Porto, seu perseguidor. A partida, para os minhotos, também era de especial importância, tendo em conta a curta desvantagem de apenas dois pontos para o Benfica, terceiro colocado. Nota ainda para o regresso de Paulinho ao Minho, após o avançado português ter abandonado o SC Braga no mercado de inverno para ingressar no Sporting, que pagou 16 milhões mais a cedência de Borja e Sporar (em moldes diferentes) pelos seus serviços.

Os minhotos começaram melhor no encontro, mantendo-se concentrados num bloco médio que obrigava os leões a apostarem nas bolas longas para tentarem explorar a profundidade nas alas, algo que não estavam a conseguir. Mais agressivo (no bom sentido), o SC Braga passava mais tempo no meio campo verde e branco, faltando apenas que a equipa de Carlos Carvalhal conseguisse traduzir o povoamento nessa área em oportunidades de golo. Aos 14´, Abel Ruiz deu o primeiro aviso “a sério” ao Sporting ao receber uma bola perdida por Nuno Mendes no seu setor defensivo e contornar Adán, mas faltou uma melhor definição por parte do espanhol. E logo a seguir, uma grande contrariedade para o líder. Gonçalo Inácio, que já tinha visto o primeiro cartão amarelo aos dez minutos e estava a ter um começo muito tremido na Pedreira, viu a segunda cartolina aos 17´, sendo expulso muito cedo após duas faltas praticamente idênticas. A missão do Sporting tornava-se ainda mais difícil com menos um homem e 70 minutos pela frente, com o SC Braga a ficar ainda mais confiante para aumentar o seu volume ofensivo.

Aos 33´, Raúl Silva apareceu isolado no meio da pequena área do Sporting e esteve muito perto de finalizar com sucesso um cruzamento rasteiro pela esquerda de Nuno Sequeira, mas não conseguiu afinar a mira com a baliza de Adán. A apostar bastante no seu flanco esquerdo, com Galeno e Gaitán em destaque no capítulo do drible, o SC Braga estava a conseguir encostar o Sporting atrás, que não conseguia fazer nada que não fosse defender desde a expulsão de Inácio e tentava aguentar o nulo até ao intervalo. Aos 37´, Fransérgio cabeceou uma bola traiçoeira que obrigou Adán a esforçar-se para impedir o golo e, logo a seguir, também Galeno obrigou o guardião dos leões a uma nova defesa. Apesar da clara fome de golos bracarense, a defensiva leonina conseguiu aguentar a primeira parte sem ser batida, muito graças a vários cortes fundamentais protagonizados pelo capitão Coates.

Coates somou vários cortes fundamentais frente ao SC Braga

No regresso para o segundo tempo, Rúben Amorim, que observava a partida das bancadas por estar a cumprir castigo, lançou Luís Neto e Matheus Nunes para os lugares de Nuno Santos e Paulinho, na procura de estancar o ataque do SC Braga e apostar no contra-ataque para tentar causar calafrios na área de Matheus. O SC Braga mantinha-se igual a si mesmo, apostando no ataque continuado e paciente para tentar chegar ao tão ambicionado golo. Aos 62´, Gaitán cruzou com muita qualidade da esquerda e Galeno, de cabeça, obrigou Adán a uma nova defesa complicada, num lance de muito perigo que antecedeu as saídas de Pote e João Mário e as entradas de Tiago Tomás e Matheus Reis, lançados em busca de frescura e velocidade nos leões, que continuavam demasiado retraídos para conseguirem sequer importunar Matheus (a equipa continuava sem qualquer remate à baliza do brasileiro).

Carlos Carvalhal respondeu às movimentações de Amorim com as entradas de Al Musrati e André Horta (Castro e Gaitán saíram). O médio líbio teve um impacto imediato na partida, chutando um remate perigoso à entrada da área leonina que não passou longe das redes de Adán. Perante um Sporting inofensivo no capítulo ofensivo, o SC Braga apostou tudo o que tinha no ataque, com os irmãos Horta a também terem orquestrado uma nova ocasião de perigo que terminou com um remate de Ricardo às malhas laterais da baliza adversária. A ocasião foi mesmo a última ação em campo de Ricardo Horta, que foi substituído de seguida, juntamente com Sequeira, para a entrada de Cristián Borja e Lucas Piazón. Aos 80´, Fransérgio voltou a testar os reflexos de Adán, mas o espanhol continuava imperial entre os postes da sua baliza, numa defesa que sucedeu mesmo antes do Sporting, contra todos os indicadores da partida, fazer com o seu primeiro remate à baliza aquilo que os minhotos não conseguiram fazer durante toda a partida, apesar da elevada presença ofensiva: marcar. Aos 81´, Pedro Porro cobrou uma falta ainda bem longe da baliza de Matheus e, com a defesa bracarense adormecida, ninguém esperou a desmarcação de Matheus Nunes, que apareceu pelo lado direito na área minhota e bateu Matheus, inaugurando o marcador.

Com o Sporting a exemplificar o que significa ser eficaz, o SC Braga nunca desistiu de procurar o seu golo, mas a defensiva leonina continuou incansável e eficaz no alívio do perigo, com Coates novamente em destaque. Rui Fonte ainda foi lançado, numa jogada de desespero por parte de Carvalhal, mas o Sporting fechou a sua baliza a “sete chaves”, à imagem do resto da partida, e garantiu a vitória na Pedreira, após um encontro de muito sofrimento e de cinismo em frente ao golo.

Com o triunfo, o líder Sporting suspira de alívio na luta pelo título e amplia, à condição, a sua vantagem sobre o FC Porto para sete pontos, que defronta amanhã o Moreirense. Já o SC Braga desperdiçou a oportunidade de alcançar o Benfica no terceiro lugar e mantém-se fora do pódio, sabendo que as águias poderão aumentar a sua vantagem em relação a si para cinco pontos, caso vençam amanhã na receção ao Santa Clara.

Fonte das imagens: Twitter @ligaportugal

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.