Históricos – 25 de abril de 2004: Tottenham vs Arsenal, a consagração dos “Invencíveis”

Algumas das maiores rivalidades do mundo do futebol surgiram nos denominados “Big 6” da Premier League, a elite do futebol inglês.

O dérbi de Manchester, a disputa pela supremacia entre United e Chelsea e a história antiga dos “Red Devils” contra o Liverpool proporcionaram aos adeptos alguns dos melhores jogos e momentos na história do campeonato inglês.

Uma concorrência feroz que teve origem na competitividade entre as regiões britânicas. Na maioria dos casos, a melhor liga do mundo é o palco dos sonhos para qualquer equipa e jogador. O melhor exemplo deste cenário é a lendária rivalidade entre Arsenal e Tottenham, o famoso “North London Derby”, que a 25 de abril de 2004 consagrou uma época dourada de um dos clubes da capital inglesa.

White Hart Lane, 33ª jornada da I Divisão Profissional Inglesa. Os Spurs recebiam em casa o antagonista que durante décadas se superiorizou como o melhor clube de Londres, o Arsenal. Comandados pelo mítico Arsène Wenger, os “gunners” entravam no campo de guerra dos “Lilywhites” na possibilidade de celebrar a conquista do campeonato em casa dos maiores rivais.

Para isso, tudo o que precisavam de fazer era não cometer o descalabro que vinha sendo evitado a época inteira, ou seja, perder. Até à data do jogo, o líder da liga não tinha perdido uma única vez durante a competição, transformando esta partida na última chance real de se eliminar a invencibilidade do Arsenal.

A derrota do Chelsea nessa mesma jornada contra o Newcastle United significava que o Arsenal precisava de apenas um ponto para garantir o título da Premier League e a sequência invicta nos últimos oito Derbies do Norte de Londres.

As esperanças estavam direcionadas então para o Tottenham, que, ao contrário dos últimos anos na década de 2010, encontrava-se numa situação algo preocupante. A equipa da casa não tinha garantido ainda a permanência no principal escalão e simplesmente não podia permitir uma tarde de inspiração dos adversários.

Neste contexto, o 134º encontro as duas equipas seria sempre apaixonante e agressivo. 36,097 juntaram-se para assistir a uma autêntica batalha de egos que marcaria para sempre o futebol inglês e europeu.

Do lado dos Spurs, Jamie Redknapp, Freddie Kanoute e Robbie Keane eram os nomes de destaque que lideravam o assalto ao 1º classificado, constituído por estrelas como Sol Campbell, Ashley Cole, Patrick Vieira, Robert Pires, Dennis Bergkamp e Thierry Henry.

Os visitantes entraram dominantes e colocaram-se na frente do marcador passados apenas três minutos. O Arsenal lançou um contra-ataque devastador, liderado pelo artilheiro Thierry Henry. Dennis Bergkamp recebeu o esférico e cruzou para o capitão Patrick Vieira que só teve de encostar para o fundo da rede. A dez minutos do intervalo, Vieira colocou a bola em Robert Pires, que marcou pela terceira temporada consecutiva em White Hart Lane.  

O Tottenham mostrava-se pouco ameaçador e precisava urgentemente de mudar as suas táticas se ainda queria sair deste embate com alguma coisa. Jermain Defoe entrou e teve uma grande contribuição na segunda parte mais fulgurante do Tottenham.

Ultrapassou Kolo Touré aos 63 minutos, antes de encontrar Michael Brown, que passou a bola para o outro lado do campo para Jamie Redknapp e o capitão fez um esforço fantástico para bater Jens Lehmann. Foi um momento agradável para um jogador que sofreu com lesões ao longo da sua carreira.

O Arsenal teve chances de encerrar o jogo, com Pires a acertar no travessão depois de Anthony Gardner ter cedido a posse de bola de forma descuidada.

Com o início dos acréscimos, o guarda-redes Lehmann envolveu-se num confronto desnecessário com Robbie Keane no seguimento de um canto marcado por Michael Brown. O árbitro Mark Halsey, através da orientação dos seus dois assistentes, considerou que Lehmann havia cometido uma falta sobre Keane e apontou para a marca dos onze metros.

Keane não desperdiçou e garantiu a conquista de um ponto que praticamente assegurou a sobrevivência na Premier League. No entanto, isto não impediu as comemorações dos adeptos e jogadores do Arsenal após o apito final.

O seu 13º título foi definitivamente o mais saboroso, visto ter sido na casa do seu maior rival.  Os homens de Wenger sobreviveriam às últimas quatro partidas para se tornar na  primeira equipa desde 1888 a passar por uma temporada da primeira divisão sem perder, garantindo o seu lugar na história.

Fonte da imagem: premierleague.com