Moreirense vs Porto: anti-estrelinha entorna o caldo para o perseguidor

Todos os jogos são importantes, quanto muito na fase final do campeonato, mas para o Porto, perder pontos em Moreira de Cónegos pode ser o canto do cisne para as ambições do título, especialmente considerando que os próximos dois jogos são, primeiro, contra um Famalicão rejuvenescido, e depois contra o Benfica, que está a atravessar a melhor fase da temporada. A vitória do Sporting ontem foi um momento de viragem para o líder da Liga NOS, que, perante a pior fase da temporada e a jogar reduzido a 10 durante praticamente o jogo inteiro, foi rebocado pelo antigo jogador de distrital e o mesmo jogador que deu os três pontos, na primeira volta, frente ao rival da Segunda Circular. Uns jogadores de distrital acabam a jogar pelo Sporting e outros a escrever sobre esses jogadores: nem todos têm o mesmo fado.

Sérgio Conceição não inventou e colocou em campo o mesmo onze que derrotou o Vitória de Guimarães a meio da semana. O Moreirense, vindo de uma derrota frente ao Tondela e de um empate frente ao Santa Clara, procurava completar a sequência ascendente com a respetiva vitória, que colocaria o emblema minhoto em igualdade pontual com, precisamente, o rival vimaranense, último adversário do Porto. Vasco Seabra, ao contrário do seu congénere, decidiu mudar as coisas e introduzir um 352, repescando D’Alberto, Franco e Pires para fora do onze, introduzindo Ferraresi, antigo jogador do Porto, na linha de três centrais com Rosic e Abdoulaye, outro antigo jogador do Porto, David Simão ao lado de Fábio Pacheco no miolo, e Yan Matheus com Rafael Martins na frente.

Os primeiros minutos foram de incerteza e falta de criatividade, com ambas as equipas a tentarem contrariar uma e a outra e a aproveitar no contra-ataque, sobretudo o Moreirense, aproveitando as oscilações de Filipe Soares, o elemento mais criativo da equipa da casa, pelas alas. O Porto ia tentando, como sempre, explorar as sobreposições nas alas para depois ou cruzar ou cortar para o meio para muitas vezes tentar de longe ou ganhar faltas perto da área. Mas ia sentindo dificuldades perante o bom encaixe do Moreirense no seu esquema, e ia obrigando à bola longa ou a erros ainda dentro do meio campo do Porto. Perante momentos mais perigosos, valeu a atenção da linha defensiva dos visitados.

A primeira oportunidade do jogo surgiu ao minuto 30, quando Taremi aproveitou uma desatenção da defesa do Moreirense após um passe de Nanú, mas o seu remate saiu fraco e à figura de Pasinato. O iraniano quase que chegou, dois minutos depois, a um bom cruzamento de Otávio, mas a bola foi parar às mãos do guardião da casa. Ao minuto 33, Marega transviou para a bandeirola de canto um remate na pequena área quase, após passe de Corona, e para sua sorte, estava fora de jogo. O Moreirense quase que aproveitou logo a seguir: Abdu Conté projetou-se bem na ala esquerda e cruzou rasteiro para Rafael Martins, que tocou mal: a bola sobrou, no entanto, para Yan, que rematou para Mbemba intercetar e desviar para canto.

Mas o Moreirense aproveitou: ao minuto 37, Filipe Soares cobra um canto do lado esquerdo, curto. David Simão cruza a meia altura, e Ferraresi, de primeira, remata na área de penálti, colocado, sem hipótese para Marchesín: a equipa da casa inaugurava o marcador. O Porto quase que empatou logo a seguir: Corona aproveitou uma sobra à entrada da área e isolou-se, mas Rosic, bastante atento durante a primeira parte, chegou a tempo de desviar o remate do elemento mais criativo do Porto. Pepe ainda foi aparentemente derrubado na área por Abdoulaye, mas Hugo Miguel mandou seguir. A primeira parte acaba com Pepe a tentar contrariar o árbitro da partida.

O Porto entrou com tudo na segunda parte: Taremi, só com Pasinato pela frente, não foi capaz de finalizar após bom passe picado de Mbemba: o guardião do Moreirense desviou para canto. Ao minuto 47, um livre em jeito de canto de Sérgio Oliveira quase surpreende e obrigou Pasinato a intervenção acrobática. Ao minuto 50, na resposta, Yan Matheus desmarca Rafael Martins, que isolado, obriga Marchesín a sair para efetuar a mancha e desviar para canto. Destaco o facto de Filipe Soares estar sozinho no lado oposto. Ao minuto 53, Otávio desfere um bom remate de fora da área, mas saiu um pouco por cima. Ao minuto 54, Sérgio Oliveira aproveita uma sobra de um passe longo e remata à figura de Pasinato.

O Porto ia crescendo cada vez mais na partida, sentindo a extrema necessidade de marcar um golo para, eventualmente, chegar à tão necessária vantagem. Mas a bola teimava em não entrar: na sequência de um canto, Mbemba insiste e cruza para a área, despoletando uma situação de pinball que culmina num remate ao poste, à queima-roupa, de Marega. O jogo começava a partir-se, perante a incessante demanda do Porto em chegar ao golo. Numa situação de contra-ataque da equipa da casa, Pepe tenta intercetar um cruzamento de Abdu Conté mas acaba por cortar a bola com o braço à entrada da área, e vê o amarelo, ficando afastado do jogo contra o Famalicão.

Neste momento, Sérgio Conceição arrisca as cartas todas e lança na partida, ao minuto 61, Toni Martinez e Luis Díaz. Marega e Sérgio Oliveira saem, para que Otávio jogue mais pelo meio e Díaz espalhe a sua magia pela ala. Pelo menos tentou ao minuto 63, mas o seu remate saiu pela linha lateral contrária. Por sua vez, Vasco Seabra lançou Alex Soares na partida, rendendo Yan, para reforçar o meio campo. Entretanto, Mbemba fez sinal para sair, sentindo dores num gémeo. Sérgio Conceição lançou as restantes cartas: Francisco Conceição e Fábio Vieira renderam o lesionado Mbemba e Corona. Uribe passou mais para trás, para acomodar todo o talento criativo agora em campo. Não impediu Fábio Vieira de receber amarelo ao minuto 71, no entanto, após travar uma saída em contra-ataque de Filipe Soares.

O Porto seguia com tudo: Toni Martinez rematou “prensado” para defesa de Pasinato, ao minuto 72. Pasinato viu amarelo dois minutos depois por atraso na reposição. David Simão e Rafael Martins saíram para Gonçalo Franco e André Luís irem a jogo. Uribe é protagonista durante os próximos minutos: o colombiano tenta combinar com Fábio Vieira na construção, mas faz um passe mais tenso e o jovem portista escorrega no círculo de meio campo, despoletando uma situação perigosa de contra-ataque para o Moreirense. Uribe vai depois derrubar Filipe Soares, o elemento em maior destaque durante a partida por parte da equipa da casa, e vê amarelo. Um minuto depois, Pepe atrasa a bola para o colombiano mas este escorrega, e André Luís tinha todo o tempo do mundo para aumentar a vantagem. Contorna Marchesín, e com a baliza escancarada faz um passe para Uribe intercetar, antes de esbarrar com violência contra o poste.

O jogo virou, a partir deste momento, totalmente em favor do Porto, que cheirando sangue, à tubarão, marchou rumo ao golo. Nanú saiu, entretanto, para entrar Grujic, ocupando uma posição à frente de Pepe e Uribe, e com Luis Díaz e Manafá completamente projetados na ala. Dois mergulhos seguiram-se: o primeiro foi de Toni Martínez, em esforço na tentativa de chegar a um cruzamento de Fábio Vieira. Francisco Conceição ainda tenta meter a bola na área mas o cruzamento é intercetado. Depois, é Taremi que tenta ultrapassar Abdoulaye no drible, dentro da área, mas mergulha para cavar o penálti, e é amarelado. Noutro lance, Francisco Conceição serpenteia à frente de Abdu Conté e é aparentemente derrubado para penálti, mas Hugo Miguel mandou seguir. Ao minuto 83, após jogada de insistência, Taremi encontra Fábio Vieira à entrada da área, mas o jovem médio remata um pouco ao lado.

E eis que chega o golo: Rosic derruba Toni Martínez sem nexo ao minuto 85, na área. Taremi converte exemplarmente o pénalti, para empatar a partida. Entretanto, Walterson sai para render D’Alberto. O Porto continuava a fazer de tudo para meter a bola na frente, aproveitando a torrente criativa em campo e o gritante défice físico da equipa do Moreirense. E o golo acaba por chegar: Otávio cruza de forma perfeita e Toni Martínez finaliza sem espinhas, mostrando ser o talismã da equipa do Porto, mais uma vez, tal como foi contra o Santa Clara. Mas após análise, o golo foi anulado.

10 (dez) centímetros separaram o Porto de manter a pressão no Sporting e Sérgio Conceição de ser expulso pela quarta vez esta temporada. Não há nenhum jogador da Liga NOS com mais expulsões: há oito com duas cada um. O Moreirense perde, por sua vez, uma oportunidade de ouro para ficar mais perto da permanência.

Fonte da imagem: AFP