Lembra-se de “Super” Mário Jardel?

Em 1999, celebrava o pentacampeonato do FC Porto. Em 2002, fez novamente a festa, desta vez em Lisboa, pelo Sporting. Para um jogador que, em 21 anos de carreira, representou 21 clubes, ninguém diria que fosse capaz de deixar grandes saudades fosse onde fosse, muito menos em Alvalade e no Dragão…perdão, nas Antas! O que é facto é que, apesar do final de carreira atribulado, ainda hoje reserva um lugar especial nos corações de “tripeiros” e “lagartos” (quem sabe, a única coisa que verdadeiramente une os adeptos de ambos os lados). Lembra-se de Mário Jardel?

Nasceu em Fortaleza, no Brasil. Foi em casa, pela mão do Ferroviário, que deu os primeiros passos dentro das quatro linhas, mas foi no Rio de Janeiro que concluiu a formação, no Vasco da Gama, o mesmo clube com que se estreou entre os grandes. O ano era 1992 e um jovem “super mario” de apenas 19 anos começava a dar corda à sua carreira.

Em 1994, troca o Vasco pelo Grêmio, deslocando-se ainda mais para sul e fazendo de Porto Alegre a sua casa para os dois anos seguintes. Na primeira época, celebra a conquista da Copa Libertadores, na qual foi o melhor marcador, fazendo 12 golos dos 46 que assinou em todas as competições, nessa temporada. No ano seguinte, foi a vez do Brasileirão, e só não marcou mais porque foi chamado, logo em junho, para voar para a Europa. Aguardava-o o FC Porto e uma enorme porta para o futebol do velho continente estava agora aberta.

Se, para muitos, chegou à Invicta como desconhecido, rapidamente se introduziu à família azul e branca e logo com 35 golos, o que valeu mais um campeonato nacional para os dragões, que, de resto, viriam ainda a celebrar outros dois, nos anos seguintes. Simultaneamente, Jardel tratou de monopolizar o trono de goleador da Liga, em todos os quatro anos em que jogou no norte. No último, só faltou mesmo o campeonato, já que, além da Taça e da Supertaça, sagrou-se, ainda, melhor marcador da Liga dos Campeões.

De Portugal rumou à Turquia, concretamente ao Galatasaray, onde, ao longo de um ano, continuou a saciar a fome de golos, juntando ainda uma Supertaça Europeia ao palmarés pessoal. O ano seguinte, porém, surpreendeu tudo e todos, ao regressar a Portugal, mas assinando pelo Sporting.

2001 fora um ano atípico para o futebol luso, com o “xeque-mate” do Boavistão. Já Jardel continuou igual a si próprio, reivindicando o título de melhor marcador e ajudando os leões a reaver o troféu que os pupilos de Jaime Pacheco haviam tirado ao campeão do milénio, além de ter somado os primeiros minutos pela seleção nacional brasileira.

Tudo apontava para que o goleador continuasse, em Alvalade, o legado que deixara nas Antas, mas, logo no verão de 2002…a história mudou radicalmente. Com uma série de eventos negativos a ocorrer a nível pessoal, Jardel acabou por dar entrada numa clínica psiquiátrica, em agosto. Seguiram-se conflitos com o clube, entre adeptos e dirigentes. Mais tarde, e como se o cenário não estivesse já digno de uma autêntica novela sul americana, começam a surgir suspeitas de que o jogador estaria envolvido em consumo de cocaína, algo que o próprio admitiria, anos mais tarde.

O que se seguiu era, de certa forma, o esperado. O atleta acaba por rescindir com o clube lisboeta, passando o resto da carreira a vaguear por dezenas de outros, nunca se afirmando verdadeiramente em nenhum (alguns nem chegaram a vê-lo jogar).

Assim foi, de 2002, quando abandonou Alvalade, a 2011, quando, aos 38 anos, pôs um fim à carreira.

Envergou a listada verde e branca já perto dos 30 anos, mas Jardel prometia qualidade para muitos mais. Quão diferente poderia ter sido a história do nosso campeonato, não fosse o ponta de lança ter deixado o Sporting, já que o próprio clube, diretamente ou não, acabou por sofrer também com este divórcio prematuro.

Apesar das mossas que a vida lhe trouxe, a imagem que perdura é a de Jardel: pentacampeão portista, campeão sportinguista e um dos maiores goleadores da história do nosso campeonato. No fundo, Mário Jardel de Almeida Ribeiro…será sempre o “Super Mário”.

 

Imagem: FC Porto (Facebook)

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.