Opinião: Um Rugido de Agradecimento

Para os nossos leitores que acompanhem também o nosso podcast, sabem que, já por várias vezes, admiti ser um acérrimo Sportinguista. Saberão, portanto, que durante anos, aprendi a sofrer com o futebol. Mas, após esta travessia no deserto, permitam-me um desabafo em forma de rugido de Leão na chegada ao oásis.

Dezanove anos. Fazendo as contas, da última vez que o Sporting foi campeão (que ocorreu a 28 de abril de 2002), tinha feito há pouco tempo os meus três meses. Desde que me lembro, que ouço as piadas do costume: “quantas vezes viste o teu clube campeão?”, “para o ano é que é, não é assim?” ou “isto conta é o presente, não é o passado” foram frases que me têm vindo a acompanhar no meu crescimento. E, apesar de tentar ripostar, eu sabia que, ao fim e ao cabo, eram verdade. O “para o ano é que é” tardava em ser, o passado já lá ia e não ganhava títulos e, com três meses, não podia dizer que tinha visto o Sporting campeão.

Como acontece nos períodos de “sofrimento”, houve momentos altos e baixos. Em 2013, parecia o fundo do poço, aquele sétimo lugar. Logo a seguir subimos, continuámos a subir e, em 2016, estávamos lá! Tivemos a mão no troféu e, em modo Ícaro no céu, queimámos as nossas asas. Mais um campeonato perdido, tão perto…

Ainda me lembro do que pensava nos anos seguintes: “não foi desta, mas estamos perto! Temos plantel, temos treinador, vamos a eles!”. E depois, 2018 chegou.
Não me lembro de tão grande choque como o atentado de Alcochete e as suas represálias. Uma equipa valiosa, de internacionais, dizimada em poucos segundos. Um grupo tão forte, de repente, tinha sido separado. Ficou o meu maior ídolo na equipa, Bruno Fernandes, que me manteve a esperança.
E depois vi-o ir embora. Vi a Liga Europa sumir também. Pensei que era o regresso ao vale.

E depois, vi o meu presidente a gastar 10 milhões de euros num treinador com 13 jogos. Pensei: “chegámos lá. Estamos outra vez no fundo”. Pois pensei. E tão errado que estava.

Para isso serve esta cronologia. Para poder dizer “peço desculpa” por duvidar das vossas decisões mas, sobretudo, para poder dizer: obrigado por me darem o que eu tanto desejava há 19 anos.
Confesso que não sou muito de choros, mas chorei ao apito final. Foi um choro que senti que era de todos, porque esta cronologia não é minha. É de todos os adeptos que sentem este clube, que veem o seu estado de espírito afetado por cada resultado. Que veem os jogos, opinam e têm na mente as horas da próxima partida, pela qual esperam ansiosamente, não interessa se se joga bem ou mal, porque é o Sporting. Este rugido de Leão é para todos os Leões que nos deram aquilo que queríamos ao fim de tantos anos. Por isso, e de um adepto sportinguista, já algo cansado, mas nunca farto, apenas vos digo: Obrigado.

 

Fonte da imagem: Twitter do Sporting Clube de Portugal – @SportingCP