Históricos: Taça de Portugal 2004/05 SL Benfica vs Sporting CP – um dérbi marcado na memória

O dérbi da cidade de Lisboa que ocorreu no último sábado foi dos mais bem disputados e dos mais emocionantes dos últimos dez anos. De um lado, uma equipa treinada por Jorge Jesus que ficou aquém das expectativas criadas e que se encontrava na eminência de falhar o apuramento direto para a Liga dos Campeões. Do outro, um Sporting coroado campeão dezanove anos depois, com Rúben Amorim no comando.

Ora, se mesmo nestas circunstâncias os dois rivais conseguiram proporcionar um encontro de alta qualidade, imaginem o que são capazes de fazer no momento de todas as decisões.

Ao longo desta histórica rivalidade, foram vários os jogos que marcaram o futebol português. O 7-1 do Sporting em 1986 e o 6-3 dos “encarnados” em pleno Estádio de Alvalade surgem logo à memória dos amantes do nosso campeonato.

Contudo, um dos embates mais emblemáticos entre os dois clubes e que não é tão comemorado foi a empolgante receção das “águias” à equipa leonina a contar para os oitavos-de-final da Taça de Portugal de 2004/05.

Nessa época, as duas equipas encontravam-se em situações completamente distintas da atualidade. Após onze anos de jejum, Trapattoni liderava o Benfica ao primeiro lugar da Liga Portuguesa à entrada para a partida contra o velho rival, que depois de vencer a competição em 2001/02 procurava aproximar-se de Benfica e Porto no topo da tabela classificativa.

A vitória não só significava a passagem à próxima fase da prova rainha, da qual o Benfica era o detentor do título, como também um rude golpe na confiança do adversário direto para o que restava da época.

Consequentemente, ambas as equipas entraram a um ritmo avassalador no dia 26 de janeiro de 2005.  Numa equipa  que contava com estrelas como Luisão, Petit, Nuno Gomes e Simão Sabrosa, foi Geovanni a figura de maior destaque face a um oponente que depositava as suas esperanças na dupla Sá Pinto e Liedson.

Cercados por um ambiente eletrizante no Estádio da Luz, bastaram apenas três minutos para se mexer no marcador. Livre de Simão Sabrosa a embater no poste direito do guarda-redes leonino e na recarga, Geovanni a encostar o esférico para dentro das redes.

Vantagem de 1-0 que duraria apenas doze minutos, com Hugo Viana a marcar um autêntico golaço de livre, sem hipóteses para Quim.

O golo galvanizou os homens de José Peseiro e logo dois minutos depois assistia-se à reviravolta no marcador. Perda de bola infantil do Benfica ainda no seu meio-campo e Liedson, à entrada da área, a fazer o gosto ao pé.

Parecia que o Sporting estava encaminhado para sair para o intervalo a vencer em casa do seu maior opositor. Mas, mais uma vez, Geovanni salvou os benfiquistas da desgraça. Livre potente de Petit, defesa  incompleta de Tiago e, na recarga, o extremo brasileiro a bisar no encontro aos 22 minutos.

Na segunda-parte, tudo permaneceu igual, obrigando o jogo a ir para prolongamento. Aí, os “leões” aparentavam ser superiores aos “encarnados”. Paíto, a dez minutos do final, arranca antes da linha do meio-campo e passa por todos os defesas do Benfica antes de concluir esta belíssima jogada individual com um remate forte para o lado esquerdo da baliza.

A festa dos sportinguistas depressa se transformaria em desespero, tudo por culpa de um antigo jogador da formação leonina. Com apenas dois minutos por jogar de tempo regulamentar, Simão Sabrosa, a cerca de 30 metros das redes adversárias, fez um golo de se tirar o chapéu contra a antiga equipa, levando a decisão deste jogo impróprio para cardíacos para as grandes penalidades.

Da marca dos onze metros, Trapattoni e companhia acabariam por triunfar sobre o eterno rival. O penálti falhado por Miguel Garcia determinou a derrota verde e branca por 7-6 nos penáltis, numa guerra com nervos à flor da pele desde o apito inicial.

Fonte da imagem: slbenfica.pt