Curiosidades: os campeões invictos em Portugal

No que a títulos diz respeito, grande parte da história da Primeira Liga portuguesa foi escrita à luz da velha “ditadura dos grandes”. Curiosamente, ao longo dos quase 90 anos desta competição, foram precisamente três as únicas vezes em que tivemos um campeão sem derrotas em nenhuma jornada. Recordemos, então, as épocas dos vencedores invencíveis, no nosso país.

Note-se que o Sporting, pese embora ter quebrado o recorde de invencibilidade, em 2020/21, acabou por sair derrotado na Luz, diante do Benfica, ainda que apenas à 33ª jornada, pelo que não constará nesta lista.

Benfica (1972/73)

O primeiro a poder ostentar o galhardete de campeão invicto foi o Benfica, no início dos anos 70 e ainda com o Estado Novo de Marcelo Caetano a governar.

Foi o primeiro clube português a conseguir o feito, mas nem só de invencibilidade viveram os lisboetas, esse ano. Com 28 vitórias e dois empates em 30 jornadas, a turma da Luz terminou a época com uns colossais 101 golos marcados e apenas 13 sofridos. Como se não bastasse, deixou o vice-campeão, Belenenses, a léguas de distância, com 18 pontos a menos. E o melhor marcador: Eusébio (quem mais), com 40 remates certeiros.

Uma época demolidora dos encarnados, que viram os rivais Porto e Sporting a terminar nuns pouco habituais 4º e 5º lugares, sendo que o pódio acabou fechado pelo Vitória FC.

Porto (2010/11)

Apenas 39 anos depois voltou a surgir um vencedor imaculado no campeonato português, desta vez o FC Porto comandado por André Vilas Boas, em 2011.

Um dos mais jovens técnicos de sempre a sagrar-se campeão (33 anos, apenas), e logo sem derrotas. 27 vitórias e três empates, foi o registo dos dragões. Mas as surpresas não se ficaram apenas pela idade do treinador.

Nesse ano, além de um plantel recheado de talento (Otamendi, James Rodríguez, Hulk, Falcao…entre muitos outros), houve também espaço para uma transferência de Moutinho, deixando Alvalade para se juntar ao rival do norte, uma goleada ao Benfica (5-0), um título celebrado em pleno Estádio da Luz (sem luzes) e uns estrondosos 11 pontos de avanço para o segundo classificado.

Seguro é dizer que se fez bom jus ao estatuto de “cidade invicta”, nessa temporada, em que Porto fez a “dobradinha”, com a conquista da Taça de Portugal, além de conquistar, também, a Liga Europa, frente a um sensacional Braga, em Dublin.

Porto (2012/13)

À terceira, a espera foi bem mais curta. Dois anos bastaram para o Porto repetir a proeza, levando mais um título de campeão sem derrotas, ainda que não tão tranquilamente quanto a vez anterior.

Agora com Vítor Pereira no leme, e mais dois sportinguistas no plantel (Liedson e Izmailov), os azuis e brancos tiveram de se debater “taco a taco” com um Benfica que se posicionava para levar de vencidas quase todas as competições nacionais, incluindo a Liga Europa. O Sporting, por sua vez, vivia a pior época de sempre, com trocas de treinador sucessivas, e até de presidente.

Diz-se que a sorte protege os audazes, mas 2013 foi o cúmulo do azar para os encarnados, perdendo todas as competições, nomeadamente a liga, entregando-a ao Porto na penúltima jornada, em pleno Estádio do Dragão, graças a Kelvin, o herói improvável da noite.

De resto, com 26 vitórias e 4 empates, os dragões sentenciariam o campeonato à última jornada, em Paços de Ferreira, terminando com um único ponto de diferença para os rivais da Luz. Jackson Martínez foi outro herói, sagrando-se melhor marcador, com 26 golos.

 

Imagem: FC Porto (Facebook)

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.