Opinião: E agora, Sr. Engenheiro?

“Entre ser bonito e estar em casa e feio e estar aqui… prefiro ser feio.”

Foi há sensivelmente cinco anos que Fernando Santos disse isto em França, durante o Euro 2016, quando questionado sobre a qualidade de jogo da armada lusa. A verdade é que a pergunta mantém-se. Apesar da inédita vitória do Europeu em França, e também da Liga das Nações em solo luso, o escrutínio continua.

O que mudou? O favoritismo. Há demasiada qualidade neste grupo para contarmos a história do patinho feio outra vez. Entre a juventude e os veteranos, com muito pelo meio, fica difícil fugir aos holofotes postos sobre a nossa seleção. Já não é suficiente ir sobrevivendo. E nós, os adeptos, sabemos disso Sr. Engenheiro. Não podemos fugir deles, portanto porque não brilhar sobre a sua luz e mostramos como se faz?

Desta vez, não vai chegar apenas uma vitória em tempo regulamentar. Não podemos depender de uma estrela prestes a atingir supernova. Temos todo um conjunto de 26 guerreiros que conseguem andar nos seus próprios pés, não é preciso sobrecarregar os ombros do nosso gigante. Provavelmente será o seu último europeu, porque não sair no topo Ronaldo? Sempre era melhor do que uma entrada pelas traseiras para os oitavos de final outra vez. Exibições que levaram a empates com Hungria, Áustria e Islândia não se podem repetir. Porque desta vez temos Die Mannschaft e Les Bleus pela frente logo no início.

Temos um grupo consistente. De baliza a baliza, temos os melhores do mundo. Talvez por serem nossos, mas são os nossos melhores do mundo. Bruno, Cristiano, Jota, João Félix, André Silva, Rúben Dias, Pepe, João Cancelo, Bernardo Silva, todos eles tiveram épocas históricas a representar a bandeira portuguesa por toda a Europa. Mas mesmo por cá também temos Sérgio Oliveira, Pedro Gonçalves, Rafa, e outros que acabaram por ficar de fora, mas no fundo qualidade não falta. Falta assumirmos a candidatura, e dominarmos desde o primeiro minuto, como somos capazes. Irá depender de Fernando Santos e da sua tática. E a dita tática, a abordagem à competição, essa sim tem que mudar.

Mais uma vez, tem uma nação nos seus ombros. A história repete-se, mas pode ser tão diferente… Portanto, e agora, Sr. Engenheiro? Vamos continuar a jogar para o 1-0? Para a retranca? Só o tempo dirá. Mas eu gostava de ver o meu país ganhar mais um Euro. Se não por mim, pelos meus pais e avós. Tios, primos, todos aqueles que sofreram em 2004 contra a Grécia. Eu não tenho memórias desse dia, mas também não as quero. Sr. Engenheiro, peço-lhe que os vingue e mostre que se já ganhamos uma vez, porque não outra? Quem sabe, depois em 2024 dizemos que não há duas sem três…

Fonte da imagem: twitter.com/maisfutebol/media