Opinião: Mais uma ficha, mais uma voltinha!

Nos últimos anos temos visto cada vez mais treinadores a rodar por entre clubes da mesma liga. É uma tendência que este ano está a sofrer de algumas críticas, uma vez que está a acontecer de forma exponencial na Bundesliga. Neste artigo irei olhar para algumas mudanças de equipas técnicas e perceber se esta tendência pode continuar muito mais tempo ou se os clubes vão começar a dar mais tempo aos treinadores.

Bayern Munique, RB Leipzig, Borussia Dortmund, Wolfsburgo, Eintracht Frankfurt, Bayer Leverkusen, Union Berlin e Borussia Monchengladbach. Este foram os primeiro oito classificados da última edição da Bundesliga. Na próxima edição, apenas um destes clubes irá continuar com o mesmo treinador: o Union Berlim. Todos os outros já anunciaram a nova equipa técnica ou já sabem que vão perder a que têm (porque vão para um dos outros seis clubes).

Hansi Flick vai abandonar o comando do Bayern para tomar controlo da Seleção Alemã (depois do Europeu), vai ser substituído por Julian Nagelsmann, que vai abandonar o projeto do RB Leipzig, e vai ser substituído pelo antigo treinador do outro clube Red Bull (Salzburgo), Jesse Marsch.

Bem, foi simples até aqui, certo? Agora começa a complicar: O Borussia Dortmund assegurou a contratação de Marco Rose, que estava no outro Borussia, o Monchengladbach. Com a saída de Rose, os ‘Fohls’ decidiram apostar no treinador do Eintracht Frankfurt, Adi Hütter, que estava a fazer um excelente trabalho, quase garantindo a participação na Liga dos Campeões. Com a saída de Hütter, o Eintracht decidiu que a sua melhor aposta seria o treinador do clube que terminou a Bundesliga no lugar à sua frente: Oliver Glasner (ex-treinador do Wolfsburgo). Glasner irá assim trocar a participação direta na Liga dos Campeões pela participação na Liga Europa. O Wolfsburgo ainda não anunciou quem irá substituir o austríaco, nem existem rumores de quem o possa fazer.

Finalmente, o outro clube (daqueles que referi no início) a mudar de treinador é o Bayer Leverkusen. O Bayer decidiu, ao contrário dos restantes, procurar uma equipa técnica fora da Bundesliga, contratando Gerardo Seoane ao Young Boys BSC da Suíça.

Para uma pessoa que olhe de fora, algumas destas mudanças podem não fazer sentido, pois estão a trocar Liga dos Campeões por competições inferiores ou equipas mais fracas. Mas há algo que tem sido cada vez mais regular nas pretensões dos treinadores: o projeto. De que vale aos treinadores irem para uma equipa que conquistou um lugar na Champions se, no ano a seguir, não vão investir na equipa e vão vender metade do onze inicial? 

Ainda olhando para um exemplo recente, Antonio Conte deixou ontem (26 de maio de 2021) o comando do Internazionale, uma vez que as suas ambições não eram as mesmas que as dos donos do clube. Mesmo depois de vencer o Scudetto, e de garantir que o Internazionale irá continuar na Liga dos Campeões, o projeto que o clube oferecia não era suficiente para o treinador.

Isto também é algo que acontece em Portugal. Nesta época temos o exemplo de Pepa, que irá abandonar o Paços de Ferreira (clube no qual conquistou um lugar na nova UEFA Conference League) para assumir as rédeas no Vitória SC, que ficou de fora das competições europeias. No entanto, é claro de ver que o Vitória tem capacidades para oferecer melhores condições e um melhor projeto a longo termo ao técnico. E digo isto sem tirar crédito ao clube da Capital do Móvel, que ofereceu a Pepa as condições para atingir este resultado. Mas levar às competições europeias um treinador como Jorge Simão, mostra que o projeto do clube irá mudar por completo, em vez de manter a mesma linha.

Cada vez mais os clubes têm esta tendência de quebrar ciclos e projetos sem os levar até ao fim (seja porque razão for). É por causa disto que o mercado de treinadores se torna numa espécie de carrossel, em que os clubes veem que há treinadores capazes já por perto e os outros clubes não têm projetos contínuos a longo prazo que envolvam aquele treinador especificamente, levando os treinadores a aceitar sair e procurar outros “pastos”, após entrar em rotura com as direções dos clubes.

 

Imagem: Twitter @FabrizioRomano