Como joga: Flamengo 2019

Na rúbrica “Como joga” desta semana recordamos o ano vitorioso do Flamengo que, com Jorge Jesus no comando conquistou o Brasil e a América.

Atualmente no Benfica, Jorge Jesus acabou aquela que é porventura a pior temporada da carreira. Atualmente com Rogério Ceni no comando, o Flamengo vive tempos conturbados. Foi um divórcio complicado o que se deu entre Jesus e o Flamengo, mas que em nada apaga a bonita história que ambos construíram no pouco tempo em que estiveram juntos.

O ano de 2019 começou conturbado para o Mengão. Em janeiro Abel Braga foi anunciado como treinador do clube brasileiro e o mercado de transferências foi bastante agitado. Rodrigo Caio (São Paulo), Gabriel Barbosa (Inter de Milão), De Arrascaeta (Cruzeiro) e Bruno Henrique (Santos) reforçaram o clube do Rio de Janeiro, enquanto Réver (Atlético de Mineiro) e Geuvânio (Tianjin Quanjan) abandonaram o clube. Em fevereiro, a tragédia no Ninho de Urubu abalou o futebol no geral e o brasileiro em particular. Dez pessoas morreram e três ficaram feridas após um incêndio no espaço que alojava os jogadores da base do Flamengo.

Desportivamente falando, a temporada começou com a conquista do Campeonato Carioca. Em maio, e pouco após o início do campeonato brasileiro e da Copa Libertadores, Abel Braga apresentou o pedido de demissão e, até à pausa para a Copa América, o clube foi orientado de forma interina por Marcello Sales. A um de junho, Jorge Jesus foi apresentado como treinador do Flamengo e iniciou o percurso rumo à glória.

Aproveitando o mercado de verão, Jorge Jesus fez quatro contratações que se afirmaram como titulares indiscutíveis: Rafinha (Bayern), Pablo Marí (Mnchester City), Gerson (Roma) e Filipe Luís (Atlético de Madrid). Caminho oposto fizeram Uribe (Santos), Trauco (Saint-Étienne) e Cuéllar (Al Hilal).

Formação base

Jorge Jesus montou a equipa do Flamengo num 4-1-3-2 semelhante ao que já havia implantado nas passagens por Sporting de Braga, Benfica e Sporting, por exemplo.

Fonte: sharemytactics.com

Diego Alves foi o guarda-redes titular do Flamengo durante todo o percurso de Jorge Jesus.  O veterano, especialista em defender grandes penalidades, fez uma temporada bastante segura e a voz da experiência foi importante.

Nas laterais, Filipe Luís à esquerda e Rafinha à direita tinham papéis semelhantes: fazer a ala e permitir a procura de terrenos interiores por parte dos extremos. Dois jogadores com um percurso vitorioso na Europa e que regressaram ao Brasil pela mão do treinador português.

No centro da defesa, Pablo Marí e Rodrigo Caio formavam uma dupla coesa defensivamente e com bastante importância na construção de jogo e na saída para o ataque. À frente, tinham a companhia de Arão, quiçá o jogador que mais evoluiu com Jorge Jesus. De patinho feio e transferível a indispensável, o jogador ao comprometimento que já havia demonstrado aliou a melhoria do posicionamento e uma maior qualidade na saída.

O outro médio era Gerson. Ainda muito novo e vindo de experiências falhadas em Itália, surpreendeu pela quantia desembolsada. No entanto, rapidamente se afirmou como uma peça importante no esquema tático do Flamengo, como o box-to-box ideal para um meio-campo a dois. Capaz de transportar a bola em posse e com facilidade no passe e com uma boa leitura defensiva, foi uma das revelações do Campeonato Brasileiro.

Começando a partir da ala e fazendo a diagonal para o meio, encontravam-se os dois jogadores mais criativos da equipa: De Arrascaeta e Everton Ribeiro. Com grande visão de jogo, capacidade de prever movimentos e uma qualidade técnica acima da média eram, porventura, os jogadores mais interessantes de acompanhar. Na frente jogavam Bruno Henrique, um jogador que costumava arrastar os defesas com movimentos para a esquerda e bastante veloz e driblador e Gabriel Barbosa, o melhor marcador da equipa e que, após passagens falhadas na Europa, reencontrou o bom futebol.

Piris da Motta, Diego, Vitinho e os jovens Reinier e Lincoln foram outros jogadores importantes que costumavam entrar no decorrer do jogo.

Conquistas que ficaram para a história

Com um nível tático superior ao visto no Brasil e com a qualidade técnica e a irreverência comuns no futebol sul-americano, o Flamengo rapidamente se afirmou como a equipa que jogava o melhor futebol do Brasil e, não obstante a eliminação precoce na Copa do Brasil, alcançou resultados espetaculares.

Com 90 pontos (14 pontos à frente do segundo classificado), o Flamengo conquistou o Brasileirão. Foram 28 vitórias, seis empates e quatro derrotas que levaram o clube brasileiro a ser coroado campeão. Foi a competição onde o Flamengo alcançou o melhor nível exibicional e que teve em Gabriel Barbosa o melhor marcador com 25 golos marcados.

A Libertadores foi o expoente máximo da época para o Flamengo. Sem conseguir conquistar a competição há 38 anos, o Flamengo encontrou o River Plate na final e, num jogo que apesar de não ter tido o melhor nível exibicional teve emoção até ao fim, o Flamengo levantou a taça. Borré fez o golo dos argentinos aos 14 minutos e, já ao cair do pano Gabigol bisou e levou a nação rubi-negra à loucura.

No Mundial de Clubes e, embora não tenha conseguido conquistar o título, o Flamengo deixou uma boa imagem. Após uma vitória sobre o Al Hilal, último clube treinado por Jorge Jesus antes de ingressar no Flamengo, o clube do Rio apanhou o poderoso Liverpool na final. Após um empate sem golos nos 90 minutos, um golo de Roberto Firmino deu a vitória ao clube da cidade dos Beatles.

Fonte: REUTERS/Corinna Kern

Tais conquistas e exibições põem o Flamengo como um dos melhores clubes a atuar na América nos últimos anos e deixam saudades aos adeptos rubi-negros.

Fonte da imagem de capa: REUTERS/Guadalupe Pardo