Portugal vence Espanha e está na final do Europeu sub-21

A vitória por 1-0 fruto de um autogolo de Cuenca apura Portugal para a final do Europeu sub-21. Após a vitória em sub-17 e sub-19, a geração de 99 vê assim mais perto o sonho de conquistar o campeonato da Europa.

Rui Jorge promoveu duas alterações na equipa portuguesa, que se apresentou no habitual 4-4-2 com o meio-campo na forma de um losango. Aos Diogos na baliza e na linha defensiva juntou-se Abdu Conté, em detrimento de Tomás Tavares, uma alteração que acrescentou maior rigor posicional e noção defensiva. No meio-campo não se registaram alterações, continuando Bragança a ser o elemento mais recuado, com Gedson à esquerda, Vitinha à direita e Fábio Vieira no vértice do losango. À frente, Rafael Leão, com maior capacidade de desequilíbrio em drible e velocidade que Gonçalo Ramos, foi o escolhido para atuar ao lado de Dany Mota. Na seleção espanhola Óscar Gil estreou-se no torneio, ocupando a lateral direita e remetendo Mingueza para o centro do terreno (ocupando o lugar que costuma ser do suspenso Guillamon). Cuenca era o central pela esquerda e Cucurella, o capitão espanhol, foi também novidade na esquerda face ao encontro que opôs a Espanha à Croácia. No meio-campo, Zubimendi, Villar e Garcia ofereciam grande qualidade com a bola nos pés, uma tendência também evidente nos extremos: Brahim Diaz à direita e Bryan Gil à esquerda. Puado que tem jogado maioritariamente no apoio ao ponta de lança foi o titular no centro do ataque.

O duelo em Maribor pôs frente a frente aquelas que são, porventura, as duas equipas que têm maior capacidade de gerir o jogo com bola no Europeu e a primeira parte foi o reflexo desta característica. Embora equilibrado, o início de jogo teve um ligeiro ascendente da La Roja que atacava principalmente pelo lado esquerdo. A capacidade de procurar a profundidade por parte de Cucurella e a capacidade técnica de Bryan Gil, que encontravam apenas a oposição de Diogo Dalot, foram uma tendência durante a primeira metade da partida e o cabeceamento de Brahim Diaz aos 10 minutos foi o exemplo da superioridade posicional da seleção espanhola no corredor esquerdo. Portugal teve ligeiramente menos bola que Espanha, e na maioria do tempo a posse de bola em nada resultava. Bragança e Vitinha permitiam uma circulação fluída e imprimiam ao jogo algum ritmo, mas a pouca frequência de movimentos de rutura de Dany Mota e de Rafael Leão não permitiu a Portugal capitalizar a posse em oportunidades de perigo. A exceção deu-se aos 28 minutos quando Rafael Leão recebeu aberto na esquerda, ultrapassou Mingueza e rematou cruzado com a bola a passar ao pé da baliza. É importante também referir que, mesmo quando os avançados portugueses ofereciam profundidade, Alvaro Fernandez demonstrou uma enorme capacidade de leitura do jogo e de controlo da profundidade, conseguindo afastar situações perigosas à sua baliza.

O intervalo chegou e com ele a primeira alteração surpreendente efetuada por De La Fuente, o selecionador espanhol, que trocou Bryan Gil, o elemento mais desequilibrador da primeira metade, por Juan Miranda, o que permitiu a Cucurella avançar no terreno. Porém, apesar da alteração surpreendente, o início da segunda metade foi avassalador por parte do conjunto espanhol. Em apenas cinco minutos Cucurella acertou no poste, Manu Garcia rematou às malhas laterais, Cuenca em excelente posição desperdiçou uma grande oportunidade e Brahim Diaz após um grande trabalho atirou a bola a rasar o poste. O ímpeto ofensivo obrigou Rui Jorge a reagir e a trocar Gedson, que fez uma exibição bastante apagada, por Florentino, permitindo a Daniel Bragança ocupar a posição de interior esquerdo. A capacidade de evitar remates perigosos à baliza de Diogo Costa aumentou, mas a seleção espanhola continuou por cima da partida e Portugal deve muito do resultado final à linha defensiva. Diogo Leite e Diogo Queirós fizeram mais uma exibição de grande nível e Abdu Conté esteve muito bem a controlar as ações do endiabrado Brahim Diaz que era nesta altura o jogador em evidência na partida. À hora de jogo Manu Garcia, um dos melhores do torneio, voltou a assustar fora da área, mas o remate saiu ligeiramente ao lado. Aos 64 minutos Rui Jorge promoveu uma tripla substituição fazendo entrar Tiago Tomás, Jota e Baró para os lugares de Dany Mota, Leão e Bragança. Portugal passou assim a jogar num 4-1-4-1, com Florentino a ocupar uma posição mais recuada num meio-campo que passou a ter Vitinha e Baró por dentro, Jota à esquerda e Fábio Vieira à direita. A presença de mais um jogador no corredor revelou-se fundamental para o controlo do jogo exterior da seleção espanhola devido ao apoio dado pelo extremo ao lateral no processo defensivo. Na mesma altura, nova alteração surpreendente na seleção espanhola: Brahim Diaz abandonou o relvado para dar lugar a Pino, um jogador com mais velocidade, mas sem o critério e a capacidade de jogar em espaços curtos de Diaz que estava a ser o melhor jogador espanhol na segunda parte.

As alterações voltaram a equilibrar a partida. Portugal passou a ser mais competente no processo defensivo e a Espanha, apesar de mais uma grande partida de Zubimendi (muitas vezes recuando para construir no meio dos centrais), Villar (mais associado à saída de bola) e Garcia (importante na ligação entre setores), viu-se sem criatividade no último terço. O domínio espanhol cessou e Portugal voltou a respirar por intermédio de transições rápidas, quer após a recuperação da bola, quer após atrair e desorganizar a marcação espanhola. Aos 78 minutos Fábio Vieira encontrou Jota em profundidade, mas após uma boa receção, Jota permitiu a Oscar Gil o corte. Aos 80 minutos o golo surgiria mesmo. Muito bem a seleção nacional a ser paciente com a bola nos pés e a trocar a bola de forma rápida mas ponderada. Após ter rodado pela esquerda e de ter arrastado para esse lado a marcação espanhola, a bola regressou ao centro e a Vitinha. O jogador português (o melhor do torneio) descobriu Fábio Vieira na esquerda com um grande passe, e após uma boa receção com o peito, Vieira cruzou para Tiago Tomás que aparecia livre para desmarcar. No entanto, nem foi necessária a intervenção do avançado português, visto que a bola desviou em Cuenca, enganou Fernandez e entrou na baliza. Infelicidade do espanhol para o delírio dos adeptos portugueses presentes na Eslovénia.

Até ao fim De La Fuente colocou mais jogadores na área, Rui Jorge respondeu colocando Pedro Pereira no lugar de Fábio Vieira, mas o resultado não se alterou até ao fim. Portugal tem assim a oportunidade de levantar o troféu que fugiu em 2015 e que evidencia a qualidade desta geração, uma das mais promissoras do futebol nacional nos últimos anos.

 

Fonte da imagem de capa: Twitter @selecaoportugal