Alemanha vence Portugal e é campeã do Euro Sub-21

A história repetiu-se e em 2021, tal como em 1994 e 2015, os jovens portugueses perderam a final do europeu sub-21, desta feita para a Alemanha, após uma derrota por 1-0.

Disputou-se hoje em Ljubljana a final do Europeu Sub-21. Face ao contexto pandémico, a fase de grupos disputou-se em março, mas só a seis de junho foi conhecido o vencedor. Alemanha e Portugal disputaram a vitória que sorriu aos alemães no fim dos 90 minutos.

A seleção alemã apresentou-se com o mesmo 11 que tinha derrotado a seleção dos Países Baixos. À frente do guarda-redes Dahmen apresentaram-se Pieper e Schlotterbeck, uma das duplas mais coesas em todo o europeu e com bastante importância na saída de bola alemã. Raum na esquerda e Baku na direita eram dois laterais que ofereceram bastante profundidade, o que possibilitou aos dois extremos procurarem terrenos mais interiores. Maier e Dorsch foram os médios escolhidos para jogar à frente da defesa. No ataque Wirtz deixava o corredor para Baku, apresentando-se numa posição mais central, mais perto de Ozcan. Já Berisha funcionava como um segundo avançado a partir da esquerda no apoio a Nmecha.

Já Rui Jorge trocou duas peças em relação ao encontro contra a Espanha. A linha defensiva permaneceu imutável, com Diogo Costa na baliza, Dalot à direita, Diogo Queirós e Diogo Leite no centro e Abdu Conté na esquerda. O jogador mais recuado do meio-campo foi Florentino (entrou para o lugar de Gedson). Bragança à esquerda, Vitinha à direita e Fábio Vieira à frente completavam o losango que apoiava Dany Mota e Tiago Tomás, que substituiu na equipa titular Rafael Leão.

Portugal começou melhor a partida e as duas primeiras ocasiões de perigo foram da seleção das quinas. Aos oito minutos Dany Mota com um grande trabalho na esquerda conseguiu driblar o defesa alemão e cruzar para Tiago Tomás que, com um movimento à ponta de lança, rodou, tirou o defesa do lance e rematou cruzado, com a bola a passar ao lado da baliza defendida por Dahmen. Ao quarto de hora a baliza alemã viu-se novamente ameaçada e foi Pieper com um grande corte que impediu o golo de Diogo Dalot. O lateral direito foi dos melhores jogadores da partida, tendo as suas ações sido preponderantes para a criação de situações de perigo por parte de Portugal, quer partindo da direita para o centro, quer oferecendo profundidade pelo corredor direito ou ainda com passes verticais vindos detrás que cortavam linhas alemãs.

No entanto, após um período ascendente da seleção portuguesa, a seleção alemã pegou nas rédeas do encontro. Com o recuar da pressão alta realizada por Portugal, a equipa alemã passou a sentir-se confortável a organizar a saída desde trás, sendo possível identificar um padrão na organização de jogo germânica. Sempre com bastante critério, a bola era trocada com calma e com o intuito de progredir, geralmente pela esquerda. Após se instalarem no meio-campo português e com variações rápidas no flanco de jogo, a bola chegava ao centro ou à direita, regiões desocupadas pelo losango português previamente direcionado para o lado esquerdo do ataque alemão. Aos 15 minutos e após uma perda de bola de Florentino, Wirtz rematou à entrada da área e, após desviar em Diogo Leite, a bola embateu caprichosamente na trave da baliza defendida por Diogo Costa. Aos 20 minutos uma mancha perfeita de Diogo Costa impediu o golo de Nmecha, numa jogada que exemplifica o modo de atuação alemão no campo ofensivo: bola a partir da esquerda para a direita, Baku a centralizar e a colocar a bola no espaço entre o lateral e o central. Aos 29 minutos e após nova inversão de jogo Maier obrigou Diogo Costa a nova intervenção complicada.

Só no fim da primeira parte é que Portugal voltou a ameaçar. Aos 39 minutos Dalot colocou a bola em Fábio Vieira que à entrada da área rematou por cima. Nos descontos surgiu a melhor oportunidade de Portugal em todo o encontro. Transição rápida e Vitinha, após tirar de forma irrepreensível um defesa alemão da frente, perdeu-se em dribles e perdeu também a possibilidade de rematar ou de tocar a bola para algum colega, naquela que foi uma das poucas decisões erradas do jovem médio português em todo o torneio.

No intervalo Rui Jorge colocou Rafael Leão no lugar de Dany Mota, procurando assim maior capacidade portuguesa para segurar a bola na frente de ataque. Porém, a alteração nem pode ser testada pois logo aos quatro minutos do segundo tempo a Alemanha passou para a frente do marcador. Novamente, e por intermédio de Dorsch, a bola a partir da esquerda para o centro, onde Baku após partir da direita, recebeu a bola sem oposição. Com o timing perfeito o lateral aproveitou o mau posicionamento de Conté e a falta de compensação de Diogo Queirós e colocou a bola em Nmecha que, com uma receção perfeita com o pé esquerdo tirou Diogo Costa do lance e introduziu a bola na baliza.

Ainda atordoada pelo golo, a equipa portuguesa teve uma boa oportunidade para restabelecer a igualdade no marcador. Bom trabalho de Rafael Leão a rodar e a deixar a bola em Bragança que, de primeira colocou a bola em Vitinha que, após temporalizar de forma perfeita deixou a bola para Fábio Vieira. Porém, o passe saiu curto demais e Schlotterbeck, que protagonizou uma grande exibição, chegou a tempo para cortar. Aos 58 minutos as entradas de Francisco Conceição e Jota para os lugares de Tiago Tomás e Vitinha originaram uma mudança tática. Portugal passou assim a jogar num 433 com Jota na esquerda, Conceição na direita e Rafael Leão à frente. Os dois extremos tiveram bons momentos na partida – Jota através de bons passes que permitiram à equipa portuguesa acelerar e Chico Conceição através de arrancadas explosivas – mas a defesa alemã conseguiu controlar a situação.

Apesar do maior ímpeto ofensivo, as melhores oportunidades continuaram a ser protagonizadas pelos alemães e não fossem as grandes exibições de Diogo Leite, Diogo Dalot e Diogo Costa (ambos fizeram um torneio de grande nível) e o resultado poderia ter sido mais desnivelado. Adeyemi que entrara para o lugar de Berisha teve três grandes oportunidades para visar a baliza portuguesa e foi Diogo Costa, com defesas de alto nível, a manter a equipa portuguesa viva na partida.

Face à disciplina tática e à concentração alemã, a equipa portuguesa a perder foi perdendo displicência ao longo da partida e apesar de ter criado vários momentos promissores, não voltou a colocar em perigo a defensiva alemã, muito por culpa da grande exibição dos jogadores mais defensivos da formação germânica, em especial de Dorsch. As muitas substituições nos últimos minutos da partida quebraram o ritmo da partida e a Alemanha viria mesmo a segurar a vantagem e a conquistar o título europeu.

Um balde de água fria para a equipa portuguesa que, após mais um campeonato da Europa sub-21 de grande nível viu a oportunidade de levantar o título bater novamente na trave. No entanto, é possível sorrir ao recordar este torneio, quer pelas boas exibições lusas (principalmente na fase de grupos), quer pelos jovens a quem é possível adivinhar um futuro risonho. Fábio Vieira foi considerado pela UEFA o melhor jogador de um torneio, um prémio individual que reconhece a qualidade oferecida pelo criativo português. Diogo Costa, Diogo Leite, Diogo Dalot, Daniel Bragança, Vitinha e Dany Mota foram outros destaques portugueses no torneio.

 

Fonte da imagem de destaque: CuriosidadesEU