O EURO de: Inglaterra – Desilusão ou será desta?

A dois dias do início do Campeonato da Europa, fique com a análise à Seleção Inglesa.

“It’s coming home!”, que traduz mais ou menos para “ela vem para casa!” é uma das frases mais ouvidas em Inglaterra de dois em dois verões. Porquê? Porque “ela” é a Taça e de dois em dois verões (este ano tivemos um intervalo de três, devido à pandemia) existe um torneio de Seleções.

Não é desconhecido o talento que tem passado pelas seleções inglesas ao longo dos anos. Figuras míticas como Scholes, Lampard, Gerrard, Beckham, Owen, Ferdinand, Terry, Rooney, Alan Shearer ou Gary Lineker são só uma fração dos jogadores que jogaram pelos Three Lions nos últimos 30 anos. São seleções com muitas figuras de grande renome o que torna ainda mais estranho o seguinte facto: há 55 anos que a Inglaterra não vence um título.
Precisamos de remontar ao Mundial de 1966, em solo inglês, para vermos a primeira e única conquista britânica. Capitaneada por Bobby Moore, a seleção Inglesa venceu o Campeonato do Mundo. Desde aí, nunca nenhum troféu foi para “home”.

Para percebermos como joga a seleção inglesa, olhemos primeiro para os escolhidos do selecionador Gareth Southgate.

Guarda-redes: Jordan Pickford, Dean Henderson, Sam Johnstone

Defesa: Ben Chilwell, Conor Coady, Reece James, Harry Maguire, Tyrone Mings, Luke Shaw, John Stones, Kieran Trippier, Kyle Walker, Ben White

Médios: Jude Bellingham, Phil Foden, Jordan Henderson, Mason Mount, Kalvin Phillips, Declan Rice

Avançados: Dominic Calvert-Lewin, Jack Grealish, Harry Kane, Marcus Rashford, Bukayo Saka, Jadon Sancho, Raheem Sterling

Este grupo de 26 homens foi escolhido depois de uma pré-convocatória: depois de 33 serem escolhidos, jogadores como Jesse Lingard ou Ward-Prowse não foram selecionados para o plantel final. Trent Alexander-Arnold lesionou-se nos jogos de preparação, acabando por ser substituído por Ben White. Nomes como Wan-Bissaka, Dele Alli ou James Maddison nem fizeram parte dos pré-escolhidos, demonstrando o talento numa seleção avaliada em mais de 1,3 mil milhões de euros (fonte: Transfermarkt).

Gareth Southgate foi o treinador inglês no Mundial 2018, levando a seleção a um honroso quarto lugar. Contudo, o inglês é ainda alvo de duras críticas, devido à sua abordagem resultadista.

Pickford será o dono da baliza, pela confiança que o treinador tem demonstrado ao longo destes anos no guarda-redes. A defesa será

Posição e movimentação-base da Inglaterra

composta por três centrais: Maguire, John Stones à esquerda e Walker à direita. Os laterais deverão ser os do Chelsea, Reece James e Chilwell.

Do meio-campo para a frente, começam a surgir as dúvidas. A seleção deverá jogar com os alas um pouco mais projetados, com um miolo composto por Henderson e Declan Rice. Contudo, para momentos mais defensivos, Phillips poderá ser opção, enquanto que Bellingham poderá ser o 8 escolhido para momentos mais energéticos.

Os três atacantes jogarão mais fechados. A ideia será a de deixar os laterais efetuarem os cruzamentos, com os extremos mais fechados, de modo a sobrecarregar as linhas defensivas adversárias. Kane será o ponta-de-lança de eleição. Quanto aos extremos fechados, a dúvida será maior. Gareth Southgate é um conhecido admirador das capacidades de Mason Mount, que joga muitas vezes entre as linhas média e defensiva da oposição. Para a outra posição de extremo, que jogará mais adiantado, Sterling poderá ser o escolhido, devido à sua velocidade, para explorar as costas. Foden e Sancho podem também desempenhar o papel de Mason Mount, de transportar jogo, enquanto que Rashford é uma alternativa extremamente válida a Sterling.

 

Posicionamento alternativo do ataque inglês

Utilizando este sistema, existe outra alternativa ao ataque: o envolvimento dos extremos. Kyle Walker, lateral de raiz, poderá ser essencial no momento atacante, compensando Reece James. Assim, o ala direito pode subir, com Mason Mount a fechar e o ataque a transformar-se numa espécie de 4-3-3. Rice será preponderante para este momento, uma vez que será a principal ponte entre a defesa e o meio-campo, quer em construção, quer em possíveis contra ataques. O ala-esquerdo, Sterling ou Rashford, poderá utilizar a velocidade e o drible para cortar para dentro, com o outro extremo a fazer mais uma vez o papel de segundo avançado. Bellingham será ideal para esta tática, uma vez que a sua versatilidade e velocidade lhe permitem cumprir todas as funções do meio-campo com eficiência. Além disso, as capacidades de Kane a finalizar podem ser importantes para os cruzamentos, mas a sua capacidade de descer e procurar a bola não devem ser desvalorizadas, uma vez que, ao arrastar a marcação, pode aparecer espaço nas costas dos centrais, para serem explorados por ambos os extremos.

 

 

 

A Inglaterra está no grupo D, com Croácia, Escócia e República Checa. São os favoritos à liderança do grupo. Além do valor da sua seleção, os ingleses têm a seu favor o facto de todos os encontros serem disputados em Wembley, o que evita as deslocações. Também a final será disputada neste estádio, o que poderá ser mais uma motivação para os Três Leões.

Com mais uma seleção recheada de talento, Gareth Southgate pode e deve fazer esta máquina andar para uma boa posição. No entanto, os fantasmas do passado não são fáceis de apagar e, com tanta expectativa, é fácil poder haver desilusão. Esperemos então pelo início do EURO, para ver se é desta que se pode dizer: “It’s coming home!”

 

Fonte das imagens táticas: http://sharemytactics.com/

Fonte da imagem de capa: https://www.standard.co.uk/sport/football/england-euro-2020-starting-xi-strongest-squad-writers-pick-southgate-b927477.html