Holanda: “laranja mecânica” procura repetir 88

A “laranja mecânica” prepara-se para entrar no Euro 2020, a sua primeira grande competição internacional nos últimos sete anos. Apesar de estar bastante desfalcada, com as ausências de Van Dijk e de Donny Van de Beek, a seleção holandesa procura repetir o feito de 1988, quando venceu o europeu.

Apesar de ser uma histórica candidata a vencer qualquer competição que entrem, os holandeses têm passado um mau bocado. Após terem sido eliminados nas meias-finais do Munidal de 2014, a Holanda não voltou a participar numa grande competição internacional, sendo uma das principais ausências no Euro 2016 e no Mundial 2018. Seguiu-se uma boa participação na primeira edição da Liga das Nações, chegando até à final, frente a Portugal. Com Ronald Koeman, a seleção holandesa vivia um bom período, com bastantes vitórias e a jogar um futebol atrativo. No entanto, após a saída do holandês para o Barcelona e a entrada de Frank de Boer para o comando técnico, a Holanda voltou a baixar o nível. A qualificação para o Euro não foi espetacular e, sem alguns dos seus principais jogadores, esperam-se dificuldades no decorrer da competição.

Fiquemos com a convocatória holandesa:

-Guarda-redes: Maarten Stekelenburg (Ajax), Tim Krul (Norwich), Marco Bizot (AZ)

-Defesas: Daley Blind (Ajax), Stefan de Vrij (Inter), Joel Veltman (Brighton), Matthijs de Ligt (Juventus), Nathan Ake (Man City), Denzel Dumfries (PSV Eindhoven), Patrick van Aanholt (Crystal Palace), Owen Wijndal (AZ), Jurrien Timber (Ajax)

-Médios: Georginio Wijnaldum (Liverpool), Frenkie de Jong (Barcelona), Davy Klaassen (Ajax), Marten de Roon (Atalanta), Ryan Gravenberch (Ajax), Teun Koopmeiners (AZ)

-Avançados: Memphis Depay (Lyon), Quincy Promes (Spartak Moscow), Luuk de Jong (Sevilla), Steven Berghuis (Feyenoord), Donyell Malen (PSV Eindhoven), Wout Weghorst (Wolfsburg), Cody Gakpo (PSV Eindhoven)

É uma convocatória bastante expectável e previsível, tendo em conta os jogadores disponíveis. Cillessen é talvez o nome mais sonante a ficar de fora, e poderia até ser convocado para a baliza, mas também pouco jogou pelo Valência, este ano. Posto isto, resta saber quem joga e quem fica no banco.

Em primeiro lugar, de Boer tem alterado a sua formação inicial entre um 4-3-3 e um 3-5-2. Em qualquer um dos sistemas, nota-se que a defesa é segura e confortável com bola, o meio-campo também e a frente de ataque oferece muita mobilidade.

Assim sendo, prevê-se que na baliza comece Stekelenburg, guarda-redes que assumiu a titularidade após a suspensão de Onana no Ajax. Depois, e partindo do pressuposto que a equipa alinha num 3-5-2 que, a meu ver, é o sistema que está mais encaminhado para ser a principal opção de de Boer, a defesa deverá ser composta por Daley Blind, de Ligt e de Vrij; face à ausência do principal patrão da defesa (Van Dijk), penso que estes serão os defesas escolhidos e que cumpriram com distinção a sua função.

No meio-campo, creio que Dumfries alinhe pela direita e van Aanholt (ou Wijndal) jogue pelo flanco esquerdo; três alas que dão bastantes garantias, são fortes defensivamente, conseguem criar perigo no ataque e têm pulmão para aguentar os 90 minutos. No miolo, a situação é mais difícil de adivinhar; Wijnaldum e de Jong parecem ter lugar garantido e, na sua frente, tanto pode jogar Klaassen, de Roon, Gravenberch ou até mesmo Depay; qualquer um dos quatro tem qualidade para assumir a posição e qualquer um deverá ser o criativo, deverá ser bastante móvel e aparecer bastantes vezes em zona de finalização.

Por fim, a dupla de ataque deverá ser composta por Depay (daí achar que não jogue a médio ofensivo) e Weghorst ou Luuk de Jong. Depay atuará como unidade mais móvel, a jogar entrelinhas e aproveitar os espaços deixados pelo adversário e Weghorst (ou de Jong) deverá ser a unidade mais fixa, atuando como uma referência de ataque, um avançado mais fixo e de área.

Assim sendo e com base neste onze, prevejo que serão uma equipa sólida defensivamente, mas que terá alguma dificuldade na frente, estando bastante pendente das exibições e da criatividade de Depay e Frenkie de Jong.

A Holanda partilha o grupo C com a Ucrânia, a Áustria e a Macedónia do Norte. Parece-me um grupo bastante acessível e, por isso mesmo, os holandeses têm mais que condições para terminar em primeiro do grupo, sendo que, a meu ver, só terão um grande teste contra a Ucrânia.

No entanto, na fase a eliminar, a meu ver, são uma equipa que não devem ganhar o torneio. Na melhor das hipóteses, penso que chegam às meias-finais e por lá ficam. Não vejo estofo de campeão na “laranja mecânica”, quer seja pelo seu treinador, seja pelo azar com a lesão de Van Dijk e de Van de Beek. Com estes dois jogadores, a previsão seria outra e a potência laranja seria maior também.

Em suma, esta convocatória condicionada deve passar com relativa facilidade a fase de grupos. Contudo, quando começar a doer, devem apresentar fragilidades e, consequentemente, devem ficar pelo caminho. No entanto, não se pode descartar a hipótese de ganharem, têm bons e experientes jogadores que, num dia bom, podem levar a melhor frente a qualquer uma das seleções que participa na competição.

Fonte: Twitter da @OnsOranje

Alexandre Ribeiro

Nascido e criado na ilha Terceira, nascido e criado para o futebol. Desde cedo aprendi, vivi e vibrei com o desporto rei. A licenciar-me em Ciências da Comunicação na FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Com o futebol e a escrita espero proporcionar um espectáculo fora das 4 linhas para todos aqueles que partilhem o gosto pela bola e pelos seus artistas.