O Euro de: Espanha: Renasce um gigante?

Este tem sido um século de afirmação da ‘La Roja’. Um mundial, dois europeus tornaram os “nuestros hermanos” uma das equipas mais temidas a nível internacional. Mas depois do último Europeu vencido pela seleção Espanhola, em 2012, anos difíceis se seguiram: Eliminados no grupo do Mundial 2014, eliminados pela Itália nos oitavos de final do Euro 2016 e também eliminados nos oitavos de final do Mundial 2018 pela anfitriã Rússia. Mas, desde então, e com uma mudança de treinador (ainda que com uma pausa pelo meio), a seleção três vezes campeã da Europa está novamente a recuperar o seu estatuto na elite do futebol mundial. Mas vamos perceber o que se tem passado e como poderá correr este Europeu à ‘La Roja”.

 

2008-2012 – No topo do mundo (e da Europa por duas vezes)

A festa em Madrid após a conquista do Mundial em 2010.
Imagem: fifa.com

O grande período de glória dos espanhóis foi nestes anos, em que, “por coincidência”, o Barcelona e o Real Madrid dominavam o estrelato do futebol mundial. Durante este período, ganharam dois campeonatos da Europa e um Campeonato do Mundo. Aquele meio campo Busquets-Xavi-Iniesta era o motor tanto dos ‘blaugrana’ como da seleção. E a junção de talentos como Sergio Ramos, Xabi Alonso e Iker Casillas aos jogadores do Barcelona, tornou aquela seleção quase imparável. Parecia que jogavam de olhos fechados. Mesmo no Euro 2012, em que jogavam sem um ponta-de-lança, conseguiam marcar golos com uma facilidade incrível. Vicente del Bosque era o timoneiro desta seleção, e tornou-se, seguramente, um dos mais conceituados treinadores do futebol mundial, graças a este período.

 

2014-2018 – Bater no fundo

Robin Van Persie marca um dos golos da derrota da Espanha contra a Holanda (5-1)
Imagem: fifa.com

Depois de passar uns anos na boca do mundo, a ganhar tudo o que houvesse para ganhar, vem a desgraça. O Mundial 2014, onde os espanhóis teriam a oportunidade de defender o seu título de 2010, não podia ter começado de uma pior forma: uma derrota pesada (5-1) frente à seleção derrotada no Mundial 2010, a Holanda. A Espanha não foi capaz de passar da fase de grupos, começando a criar dúvidas na sua qualidade, ou pelo menos na sua determinação nas fases finais dos torneios. No Euro 2016, já se começava a perceber que aquela equipa gloriosa já estava a ficar “velhinha” e começavam-se a perder jogadores como Xavi, Iniesta, Villa, Casillas. Acabaram por ser eliminados pela Itália nos oitavos de final, o que levou ao despedimento de Vicente del Bosque. O treinador foi substituído por Julen Lopetegui (conhecido pelos Portugueses), que, na semana em que começou o Mundial 2018, decidiu assinar pelo Real Madrid, sendo também despedido. Fernando Hierro tomou as rédeas da ‘La Roja’ para esse Mundial, e a Espanha foi eliminada nos Oitavos de final pela Rússia.

 

2018-Presente – Renasce um gigante?

Luis Enrique e Robert Moreno
Imagem: as.com

Depois do Mundial, a Federação Espanhola decidiu apostar em Luis Enrique como novo selecionador. O treinador, conhecido pelo período em que treinou o Barcelona e venceu o triplete, era uma aposta forte dos dirigentes espanhóis, pois Enrique era (e é) um dos melhores treinadores do Mundo. Após um início, com qualificações e amigáveis, bastante forte desta nova Espanha, Luis Enrique teve de se afastar da Seleção, por razões familiares, sendo substituído pelo seu assistente Robert Moreno. Passado um ano e pouco, Enrique regressa à Seleção e é quem vai levar ‘La Roja’ ao Campeonato da Europa. A seleção espanhola está diferente, há cada vez mais jogadores “menos conhecidos” e aquele domínio Barcelona-Real Madrid já não existe. Os espanhóis estão nas semifinais da segunda edição da Liga das Nações, a ser disputada neste Outono, onde irão defrontar a Itália. É seguro dizer que Luis Enrique trouxe de volta aquele favoritismo, ou pelo menos o respeito, que ‘nuestros hermanos’ merecem.

 

Mas, o Europeu não será, de todo fácil. Vamos ver a convocatória do selecionador espanhol:

GR: David De Gea, Unai Simon, Robert Sanchez.

DEF: Cesar Azpilicueta, Pau Torres, Aymeric Laporte, Diego Llorente, Eric Garcia, Jordi Alba, José Gaya.

MED: Marcos Llorente, Koke, Thiago Alcantara, Rodri, Fabian Ruiz, Sergio Busquets.

AVA: Álvaro Morata, Mikel Oyarzabal, Gerard Moreno, Dani Olmo, Pedri, Ferran Torres, Adama Traoré, Pablo Sarabia.

Esta convocatória trouxe alguma controvérsia, por várias razões: Para tomar precauções devido à pandemia da COVID-19, a UEFA permitiu que as seleções levassem 26 jogadores mas, Luis Enrique optou por levar apenas 24. E isto torna-se mais controverso, quando nomes como Dani Carvajal e Sergio Ramos ficaram de fora da convocatória. Outro ponto controverso é a convocatória de Aymeric Laporte, que já não era chamado à seleção francesa, e escolheu trocar a sua nacionalidade pela espanhola, e que nunca tinha sido chamado à seleção espanhola.

Ainda com toda esta controvérsia, a Espanha parecia ser uma das seleções mais bem posicionadas para chegar longe no torneio. Mas… a COVID fez das suas e surgiu um infetado no grupo de jogadores. Sergio Busquets, dois dias depois de jogar contra a seleção portuguesa, testou positivo para o vírus que tem assolado o mundo no último ano e meio. Instalou-se o pânico na Cidade do Futebol espanhola. Os jogadores continuaram a ser testados, e no dia seguinte surgiu outro caso positivo: Diego Llorente, defesa do Leeds United, que foi isolado de imediato. 

Com o surgimento de um novo caso positivo, a federação decidiu chamar um conjunto de 17 jogadores para se continuar a treinar à parte.. Raul Albiol, Kepa Arrizabalaga, Rodrigo Moreno, Carlos Soler, Brais Mendez, Pablo Fornals, Alvaro Fernandez, Juan Miranda, Óscar Mingueza, Alejandre Pozo, Marc Cucurella, Brahim Diaz, Martin Zubimendi, Gonzalo Villar, Bryan Gil, Yeremy Pino e Javi Puado foram os escolhidos para integrar esta ‘bolha’, caso fosse preciso chamar mais jogadores ao grupo que irá ao Europeu. Muitos destes jogadores participaram no Europeu de Sub-21, onde a Espanha foi eliminada por Portugal nas semifinais.

Entretanto, todos os jogadores continuaram a ser testados e descobriu-se que o teste efetuado a Diego Llorente, tinha sido, afinal, um falso positivo. Os jogadores continuam a ser testados diariamente, e os jogadores da ‘bolha’ continuam a treinar à parte do resto da seleção. O selecionador já veio admitir que, caso se mantenham os testes negativos, não irá convocar mais ninguém e que, tanto Llorente como Busquets, irão estar no europeu, sendo que o médio deverá apenas voltar a treinar com a equipa na segunda semana do Europeu.

Tendo em conta estas notícias, vou então analisar a possível equipa espanhola e o percurso que podem fazer no Europeu.

A possível equipa titular de Espanha.
Imagem: sharemytactics.com

A equipa:

GR: Unai Simón. Muitos podem achar que David De Gea seria a escolha óbvia, mas Luis Enrique tem optado pelo guardião do Athletic, por se encaixar no seu estilo de jogo e ser superior no jogo de pés.

DD: Marcos Llorente. Possivelmente o jogador mais versátil da Europa. Durante a época chegou a jogar a ponta-de-lança pelo Atleti, mas, se seguirmos a tendência dos últimos jogos, o campeão espanhol deve assumir a titularidade na ala direita.

DE: Jordi Alba. O lateral era titularíssimo no Barça de Enrique e deve-se manter a titular ainda neste Europeu. José Gaya é um suplente de luxo para o lateral do Barcelona, e também é extremamente capaz nas suas aventuras ao longo da ala esquerda.

DC’s: Pau Torres e Aymeric Laporte. O central do Villarreal teve uma época de revelação, tendo acabado por vencer a Liga Europa como figura central e Aymeric Laporte é um nome de peso e que encaixa que nem uma luva no sistema dos espanhóis. Faz todo o sentido, segundo as opções à disposição do técnico, Luis Enrique continuar a apostar nesta dupla no eixo da defesa.

MD: Rodri. Colmatando a ausência de Busquets, Rodri é o candidato ideal, que, antes de ser comprado pelo Manchester City, era visto como o sucessor do médio no Barcelona. Extremamente capaz com bola nos pés, e faz muito bem o papel de ligar o jogo, construindo de trás e protegendo a linha defensiva.

MCs: Thiago e Fábian. Não há muito a dizer, estas têm sido as opções do selecionador espanhol nos últimos jogos e parecem ser as mais indicadas para o papel. Fabián Ruiz terá licença para avançar no terreno, enquanto que Thiago irá controlar o tempo do jogo, espalhando magia nos seus passes longos.

ED: Ferrán Torres. O extremo pode vir a ser fulcral para o sucesso da seleção espanhola. Tem sido o homem-golo da seleção e tem estado numa forma diabólica neste final de época com o City. Será um jogador a ter em atenção neste torneio.

EE: Dani Olmo. Para muitos pode parecer estranho colocar Dani Olmo encostado à esquerda, mas com Jordi Alba daquele lado, Olmo tem a liberdade para ocupar posições mais centrais, atrás do ponta-de-lança.

PL: Álvaro Morata/Gerard Moreno. Esta é uma daquelas posições difíceis de adivinhar. Moreno teve uma época fantástica no Villarreal e, poderia ser o dono absoluto do lugar. Mas, Morata é um jogador que agrada bastante a Enrique e que é bastante útil para diferentes tipos de jogos, pelo que ambos devem ter minutos durante o torneio.

A Espanha está no grupo E com a Polónia, Suécia e Eslováquia. Em condições normais, a ‘La Roja’ deve vencer o grupo com alguma tranquilidade, pois é superior às restantes equipas tanto a nível individual como a nível tático. Passando em primeiro lugar do grupo irá defrontar um dos terceiros classificados que passe aos oitavos de final. Caso passe em segundo lugar do grupo irá defrontar o segundo classificado do grupo D (composto por Inglaterra, Croácia, República Checa e Escócia). E caso passe em terceiro lugar poderá defrontar o vencedor de um dos grupos B ou C.

Os espanhóis são, como já disse, dos favoritos a chegar longe na competição, sendo que os quartos de final ou mesmo as semifinais são os objetivos mais realistas para ‘nuestros hermanos’.

O primeiro jogo da seleção espanhola está marcado para dia 14 (segunda-feira) frente à seleção da Suécia (que também está a passar por problemas com a COVID).

 

Imagem de destaque: fifa.com