Euro 2020, 3º Dia: a vingança inglesa, o jogo de outsiders e emoções ao rubro em Amesterdão

Inglaterra vs Croácia (1-0)

No primeiro jogo do Grupo D do Euro 2020, a Inglaterra de Gareth Southgate vingou-se da derrota nas meias-finais do Mundial de 2018 ao vencer a Croácia pelo resultado escasso de 1-0. No Estádio de Wembley, palco onde se irá realizar a final da competição, os ingleses entraram dominantes no encontro, graças às rápidas investidas de Mount e Sterling, enquanto Foden, do lado direito, aproveitava as dificuldades croatas nos duelos individuais. Foi assim que nos primeiros vinte minutos de jogo a Inglaterra conseguiu aproximar-se da área adversária, com Foden inclusive a acertar no poste e Kalvin Phillips a obrigar Livakovic a uma defesa complicada.

Sem estrelas ofensivas como Grealish, Rashford e Jadon Sancho (este último presente apenas nas bancadas), Southgate surpreendeu ao apostar em Phillips para fazer parceria com Declan Rice na zona do meio-campo. Uma decisão feliz, visto que o jogador do Leeds foi quem ajudou mais na pressão à defesa croata, recuperando diversas bolas em zona adiantada do terreno. Mas à mediada que a primeira-parte  avançava, a Croácia ia aos poucos libertando-se do sufoco inglês, equilibrando o jogo. Com Modric a controlar o ritmo da partida e Kovacic e Brozovic a compensarem defensivamente a estrela do Real Madrid, a vice-campeã mundial tirou o ímpeto ofensivo dos “Three Lions”, embora nunca tivesse criado verdadeiro perigo à baliza de Pickford.

Numa segunda metade morna, só uma desmarcação fenomenal de Sterling, a aproveitar a jogada individual e o passe a rasgar de Phillips, foi capaz de fazer mexer o marcador. A Croácia, desesperada para chegar ao empate, fez entrar em campo vários elementos ofensivos mas nem assim conseguiu passar da defesa da Inglaterra, que pelo meio fez estrear Bellingham, médio do Dortmund que se tornou no mais jovem de sempre a disputar uma fase final de um Campeonato da Europa.

Áustria vs Macedónia do Norte (3-1)

Foi histórico para ambas as equipas o primeiro jogo do Grupo C. De um lado, os austríacos que finalmente conseguiram a sua primeira vitória em fases finais de Europeus, naquela que é a sua terceira presença na prova. Do outro, a  Macedónia do Norte que fez a sua estreia numa grande competição internacional perante dez mil adeptos na Arena Nacional, em Bucareste. Embora só uma equipa tenha saído com os três pontos, foi um domingo carregado de simbolismo histórico que ficou marcado pela superioridade da Áustria e pela determinação e ousadia dos estreantes.

Naquela que foi uma das partidas mais físicas até ao momento, a Áustria assumiu a posse de bola face a uma equipa que defendia bem e que procurava constantemente o contra-ataque através dos laterais Alioski e Nikolov. Ambas as seleções apresentaram modelos táticos praticamente semelhantes, optando por um sistema de três centrais com dois laterais subidos no terreno. A diferença é que os austríacos eram mais ofensivos, depositando as esperanças numa frente de ataque com três avançados em oposição aos dois pontas-de-lança da Macedónia do Norte.

Com Alaba a guiar a equipa na função de líbero, os austríacos chegavam perto da baliza adversária e logo aos 18 minutos, a passe fantástico de Sabitzer para o segundo poste, Lainer finalizou de forma acrobática para fazer o 1-0 para a Áustria. Mandava no jogo a “Wunderteam”, mas num erro caricáto permitiu a recuperação do adversário. Atrapalhação entre Alaba e o guarda-redes Bachmann e Pandev  só teve que empurrar para o fundo das redes, tornando-se no segundo jogador mais velho de sempre a marcar num Europeu (37 anos). Surpresa em Bucareste que só foi desfeita nos dez minutos finais.  Aí sobressaiu a organização, a experiência e a qualidade individual da seleção austríaca que encerrou o resultado final em 3-1 com golos de Gregoritsch aos 78 minutos e de Arnautovic já em cima do minuto 90.

Apito final num jogo agradável de se assistir e que deixou orgulhosos os adeptos de ambos os conjuntos.

Países Baixos vs Ucrânia (3-2)

No último jogo do dia, Frank de Boer venceu o duelo de lendas contra Shevchenko, naquela que foi a primeira grande fartura de golos do Europeu.  45 minutos bastaram para deleitar os espectadores na Johan Cruyff Arena, com os Países Baixos a vencerem a Ucrânia por 3-2, passando assim a liderar o Grupo C juntamente com a Áustria. Na primeira metade do encontro, o domínio dos homens de laranja foi quase total, com três ou quatro grandes oportunidades de golo que não foram convertidas. A partir dos 52 minutos é que o espetáculo verdadeiramente começou.

Subida de Dumfries pela direita nas costas de Zinchenko, Buschan intercetou o cruzamento para a frente e Wijnaldum chegou na passada a colocar a bola no ângulo, inaugurando o marcador. Apenas 7 minutos depois, mais um para a equipa da casa. Dumfries outra vez na jogada, os jogadores ucranianos ficaram a pedir falta, bola a sobrar para o remate certeiro de Weghorst e golo validado depois pelo VAR. A “Laranja Mecânica” parecia estar finalmente a funcionar na perfeição, com um domínio avassalador. Mas enquanto uns já previam uma vitória fácil dos Países Baixos, Yarmolenko tinha outros planos. Aos 75 minutos, o extremo ucraniano, num momento de pura magia, colocou a bola no ângulo de fora da área para o 2-1. E, sem tempo nenhum para recuperar do choque, os comandados de Frank de Boer já se encontravam outra vez vulneráveis contra a ofensiva ucraniana. Livre lateral na esquerda batido por Malinovskyi, entrada de rompante de Yaremchuk e cabeceamento sem hipóteses para o 2-2.

A dez minutos do fim, Shevchenko e companhia tinham renascido das cinzas do inferno holandês. No entanto, numa noite repleta de incertezas, faltava a surpresa final. Cruzamento de Nathan Aké da esquerda, aparecimento de Dumfries de novo em zona de finalização e cabeceamento a levar  a direção correta para o 3-2. O melhor jogador em campo selou a vitória dos Países Baixos de forma heroíca, quando faltavam cinco minutos para o fim do encontro. Um fim cruel para Ucrânia no jogo que foi cabeça de cartaz do melhor dia do Euro até agora.

Fonte da imagem: UEFA Euro 2020 Twitter/@EURO2020