Euro 2020 – Dia 4 recheado de surpresas

Escócia x Chéquia (0-2)

Após 23 anos de ausência dos grandes palcos, a Escócia jogou em casa frente à organizada República Checa. Nuns primeiros 45 minutos muito atabalhoados, com muito jogo mastigado a meio-campo e muitas bolas divididas, as ocasiões de golo foram escassas. À passagem dos 15 minutos, um remate de Schick permitiu boa intervenção de Marshall. Pouco depois, lance bem desenhado pelo lado esquerdo escocês (sempre Robertson a tentar levar a equipa para a frente), com Dykes a rematar ao lado. O mesmo Robertson, com espaço, criou perigo ao rematar fora da área, mas Vaclik desviou para canto. A quatro minutos do intervalo, e após uma sucessão de cantos e cruzamentos para a área britânica, Schick, de cabeça, inaugura o marcador (excelente assistência de Coufal). Um resultado talvez demasiado ingrato para a Escócia, ao intervalo.

No entanto, logo no início do segundo tempo (e após um remate à barra de Hendry, pela Escócia), Schick (quem mais?!) fez um golo soberbo! Remate do meio-campo, a bola ganha uma trajetória perfeita e sobrevoa Marshall, concretizando o 0-2. Que momento! A Escócia acordou e, com o seu típico coração, começou a bombear bolas para a área de Vaclik. O keeper checo mostrou-se decisivo a evitar o golo por, pelo menos, duas ocasiões (quando não era ele, era algum defesa a bloquear os remates adversários). Os checos, muito melhores com a bola nos pés, controlaram o jogo até final – podiam inclusive ter faturado mais, em contra-ataque, valendo à Escócia o seu guarda-redes.

Vitória da República Checa, que lutará com a Croácia pelo apuramento direto. A Escócia, apesar da boa réplica que deu (o resultado é manifestamente exagerado), muito dificilmente passará à fase seguinte.

Polónia x Eslováquia (1-2)

No primeiro jogo do grupo D, Polónia e Eslováquia competiram em São Petersburgo. Com um início de jogo em que os comandados de Paulo Sousa tiveram mais posse e mais pendor atacante, foram os eslovacos a inaugurar o marcador – aos 18 minutos, numa bela jogada individual, pela esquerda, Robert Mak passou por dois polacos e rematou à baliza de Szczesny. A bola ainda bate neste e no poste, mas estava feito o primeiro do encontro. Os polacos sentiram muito o golo – deixaram de ter bola e desorientaram-se na sua organização defensiva. A Eslováquia criou muito perigo aos 25 minutos, após um remate em arco de Kucka – isto depois de várias jogadas envolventes dos pupilos de Stefan Tarkovic (Hamsik jogou muito, fazendo a sua equipa jogar). Até ao intervalo, alguns remates inofensivos por parte da Polónia e algumas investidas da Eslováquia, mal aproveitadas no último terço. Mas justíssima a vitória eslovaca no descanso.

No início da segunda parte, ao primeiro minuto, empate da Polónia. Excelente jogada ao primeiro toque e Linetty a finalizar na pequena área. Tal como no primeiro tempo, quem sofre golo acusa muito o golpe. Foi a vez da Eslováquia se perder em campo. Mais subida no terreno e sem perder a bola na primeira etapa, a Polónia dominava o jogo. Criou algumas situações, sem ser eficaz. Rapidamente, contudo, tudo mudou: aos 62 minutos, primeira expulsão do europeu para Krychowiak; a Polónia fica algo perdida e, aos 69 minutos, num ressalto após um canto, Skriniar fez o segundo dos eslovacos. Paulo Sousa tentou reequilibrar a sua equipa, mas as várias alterações não produziram qualquer efeito (as exceções foram remates de Bednarek e Swiderski, já na compensação). A Eslováquia controlou bem o jogo até final. Parte em vantagem para o que falta da fase de grupos, merecidamente.

Espanha x Suécia (0-0)

Em Sevilha, com o seu habitual jogo de passes, a Espanha dominou largamente a Suécia, na primeira parte. Todavia, La Roja, apesar de elevadíssima posse de bola, apenas criou duas oportunidades dignas de registo: aos 15 minutos, defesa incrível de Olsen evita o golo de Dani Olmo; aos 38, Morata falha de forma inacreditável, isolado. A terminar o primeiro tempo, um remate a bater no poste…da Suécia – foi Isak que ia protagonizando um verdadeiro golpe de teatro.

Na segunda metade, a Suécia conseguiu esticar mais o seu jogo. Porque subiu linhas e porque a Espanha abrandou a pressão, a intensidade na recuperação de bola. Os espanhóis tentavam furar a muralha sueca, mas em vão. A organização nórdica foi quase sempre superior. Com o arrastar dos minutos, os suecos voltaram ao registo da primeira parte e, declaradamente, barricaram-se na sua área. Mesmo com algumas ameaças no fim, a Espanha foi incapaz de bater Olsen.

O jogo termina com o primeiro nulo do Euro. Prémio para a defesa sueca; quanto a nuestros hermanos, terão que procurar alternativas quando o plano inicial se revela infrutífero.

 

Fonte de imagem: The Guardian